Vazajato apresenta a prova final da corrupção da Lava Jato, por Luis Nassif

Reportagens confirmam o que o GGN vinha alertando desde 2015: a Lava Jato ficou a Petrobras para atender seus interesses políticos

A última manipulação da Lava Jato, tirando do fundo do baú uma “delação espontânea” de Sérgio Cabral incriminando Lulinha, foi tão fora de prumo que não foi aceita até pelo principal desembargador aliado da operação, João Pedro Gebran Neto.

Como sempre acontece quando está sob ameaça, a Lava Jato tira da cartola uma acusação qualquer contra Lula, esperando recompor a blindagem junto à mídia.

A ameaça, no caso, veio das duas reportagens de APublica-The Intercept, sobre as negociações dos procuradores com o Departamento de Justiça dos EUA (DoJ) visando se apropriar de parte das multas para a Fundação a ser administrada pelos próprios procuradores.

Trata-se da reportagem mais bem estruturada da Vazajato, e prova mais contundente, até agora, sobre a corrupção da operação. Até então, a palavra corrupção era empregada para descrever os métodos pouco ortodoxos de atuação da Lava Jato. Com a constituição da tal Fundação (cuja existência foi denunciada pelo GGN, em primeira mão), e das informações sobre a tentativa de Deltan Dallagnol, Roberto Pozzobon e Rosângela Moro, de montar empresas especializadas em palestras, ficou mais evidente ainda.

Agora, na melhor reportagem da série sobre a Vazajato, APublica e The Intercept revelam, com base nas conversas do Telegram, a prova definitiva da corrupção da Lava Jato: os acordos ocultos com o Departamento de Justiça e procuradores americanos, com o objetivo de negociar parte das multas, definir sua aplicação e receber sua parte na forma de palestras pagas.

São duas reportagens extensas, “Como a Lava Jato escondeu do governo federal vista do FBI e procuradores americanos” e “Desde 2015, Lava Jato discutia repartir multa da Petrobras com americanos

As duas reportagens confirmam o que o Jornal GGN vinha alertando desde 2015, quando o Procurador Geral da República Rodrigo Janot desembarcou nos EUA com uma tropa de procuradores: a Lava Jato estava rifando a Petrobras para atender seus interesses políticos. Com a fundação, ficou claro que havia também interesses financeiros pessoais envolvidos.

Mas a cobertura transformou jornalistas dos grupos de mídia em meros repassadores de release da Lava Jato e, assim, as denúncias ficaram no ar, enquanto a Lava Jato completava os crimes de lesa-pátria.

Houve a intenção deliberada – da mídia e do STF – em inviabilizar as denúncias que vinham dos portais, para permitir a continuidade de uma ação claramente anti interesse nacional.

As revelações das reportagens

As duas reportagens do ARepublica-The Intercept, com base nas conversas dos procuradores, mostram, em resumo, o seguinte.

  1. A Lava Jato sabia que, na Lei de Cooperação firmada entre governos brasileiro e americano, havia um capítulo que impedia um dos países processar empresas do outro país consideradas estratégicas.
  2. Mas decide que a melhor maneira de aproveitar o acordo seria submeter a Petrobras à multa do Departamento de Justiça, negociando com ele a partilha para o Brasil, a ser administrada pelos próprios procuradores da Lava Jato.
  3. Em outros trechos, já divulgados, Deltan Dallagnol e Roberto Pozzobon planejam criar uma ONG para palestras bancada por esse fundo. Segundo seu planejamento, a ONG receberia valores simbólicos, para não dar na vista. E o pagamento maior seria o cachê das palestras.
  4. A denúncia do DoJ, que custou US$ 800 milhões à Petrobras (R$ 3,6 bilhões), mais as ações coletivas, que custaram mais US$ 3,8 bilhões (ou R$ 17 bi com o dólar a R$ 4,50) foram inteiramente montadas em cima das investigações da Lava Jato. Ao permitir o acesso do DoJ às provas, a Lava Jato foi diretamente responsável por multas que ascenderam a R$ 20,6 bilhões, contra R$ 4 bilhões que a operação trouxe de volta para a Petrobras.

Nos diálogos fica claro que os procuradores foram consultados sobre a possibilidade da Petrobras não ser processada pelo DoJ, mas concordaram com o processo devido à possibilidade de controlar as multas que seriam repassadas.

Pontos centrais das reportagens

A seguir, trechos das reportagens com informações relevantes. As citações estão em itálico.

A viagem de Janot e procuradores para os EUA

O marco no relacionamento entre a Lava Jato e o DoJ foi a visita do Procurador Geral Rodrigo Janot aos EUA, em 9 e 10 de fevereiro de 2015, acompanhado dos procuradores Vladimir Aras, Carlos Fernando dos Santos Lima, Marcelo Miller e Deltan Dallagnol.

Eles se reuniram com o DOJ, representantes da Comissão de Valores Mobiliários (SEC, na sigla em inglês), da Receita Federal americana (IRS, na sigla em inglês), do FBI e do Departamento de Segurança Interna (DHS). Foi a partir dessa visita que os procuradores passaram a discutir a vinda da comitiva a Curitiba.

O papel de Janot e Cardozo

Depois da visita de Janot, procuradores e delegados americanos vieram especificamente para acertar a delação premiada de brasileiros nos EUA. Rodrigo Janot sabia disso, mas escondeu a informação. O Ministro da Justiça, José Eduardo Cardoso, disse que foi surpreendido pela informação e procurou mais detalhes sobre a história, mas “eu nunca tive uma resposta conclusiva sobre isso”. Ou seja, pediu informações sobre uma suposta ilegalidade, a Lava Jato não deu e ficou por isso mesmo.

Os americanos e a indústria do compliance

A delegação foi liderada por Patrick Stokes, chefe da divisão que cuidava de corrupção internacional no DOJ. Pouco depois, Stokes deixou a FCPA e se tornou sócio do escritório Gibson, Dunn & Crutcher’s – que atende a Petrobras nos Estados Unidos – uma posição cujo salário chegou a R$ 3,2 milhões em 2017.

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Na série Lava Jato Lado B, GGN dedicou um capítulo à indústria do compliance, como o pedaço de queijo que unia os interesses dos procuradores de vários países, que passaram a oferecer seus serviços para empresas por eles mesmo investigadas.

Ao longo de todo esse período, fizemos uma cobertura intensiva sobre as jogadas entre procuradores e autoridades e os grandes escritórios de advocacia norte-americanos ligados ao DoJ.

Dallagnol burlando a lei

Há inúmeras passagens em que Deltan Dallagnol omite dados das autoridades brasileiras e da imprensa, para burlar a lei. Apesar dos alertas sobre as ilegalidades, especialmente por Vladimir Aras – que aparentava ser o mais centrado dos procuradores da Lava Jato – em nenhum momento se vê um recuo de Dallagnol.

DRCI (departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Internacional) é o órgão do Ministério da Justiça incumbido da formalização dos acordos de cooperação. Quando o diretor fica sabendo da visita dos americanos e solicita informações, o que faz a Lava Jato?

“No mesmo email, enviado para o então chefe do DRCI, eles decidem amenizar o conteúdo da visita e dizer que ela se limita a “reuniões de trabalho”, como “apresentação de linhas investigativas adotadas pelo MPF e pela PF e pelos norte-americanos no caso Lava Jato”, e não “diligências de investigação no Brasil, o que seria irregular”.

Documentos oficiais do Itamaraty obtidos pelo The Intercept contradizem a versão defendida por Dallagnol na resposta ao Ministério da Justiça. Segundo esses documentos o DOJ pediu vistos para pelo menos dois de seus procuradores – Derek Ettinger e Lorinda Laryea – detalhando que eles planejavam viajar a Curitiba “para reuniões com autoridades brasileiras a respeito da investigação da Petrobras” e com advogados dos delatores da Lava Jato. “O objetivo das reuniões é levantar evidências adicionais sobre o caso e conversar com os advogados sobre a cooperação de seus clientes com a investigação em curso nos EUA”.

Ou seja, o Ministério da Justiça queria informações sobre a vista dos americanos. O Ministério das Relações Exteriores tinha em detalhes. E Cardozo se contentou com as não-explicações dadas pela Lava  Jato. E não era pouca coisa. O DoJ mandou o estado maior das investigações ao Brasil, além do chefe Patrick Stones.

Além dele, estavam presentes dois procuradores-chave nos casos da Petrobras e Odebrecht, Christopher Cestaro e Lorinda Laryea. Ambos continuam atuando na divisão de FCPA do DOJ. Em 2017, Cestaro foi nomeado chefe-assistente da divisão e, em julho do ano passado, tornou-se o chefe de FCPA, comandando todas as investigações de corrupção internacional contra empresas americanas e estrangeiras.

Do lado do FBI, George “Ren” McEachern liderou até dezembro de 2017 a Unidade de Corrupção Internacional do FBI em Washington, com mais de 40 agentes, supervisionando todas as investigações de corrupção ligadas à Lava Jato. A agente Leslie Backschies, que também esteve na comitiva, era supervisora da Divisão de Operações Internacionais do FBI no continente e acompanhou de perto todas as investigações no Brasil. Ela atualmente ocupa o antigo cargo de “Ren” e supervisiona os três esquadrões do FBI dedicados a investigar corrupção pelo mundo afora.

O roteiro completo para os norte-americanos

Os procuradores da Lava Jato trataram, então, de fornecer todas as informações necessárias para a equipe norte-americana. Explicaram o papel de cada delator. Falou-se de Alberto Youssef, de Paulo Roberto Costa, de Augusto Mendonça Neto, dono da empresa de construção Toyo Setal, de Pedro Barusco, ex-gerente de serviços na Petrobras, de Hamylton Padilha, lobista da Petrobras que atuava na área de aluguel de sondas para perfuração de poços; Ricardo Pessoa, ex-presidente da Construtora ETC Engenharia; e Dalton Avancini, ex-presidente da Camargo Corrêa.

Depois de ser “brifada” sobre vários alvos da Lava Jato, a delegação americana passou dois dias negociando com advogados de delatores-chave. Cada um deles teve meia hora para apresentar seus casos e conversar sobre os termos da colaboração com as autoridades americanas.

No dia 9 de outubro, de férias na Alemanha, Aras alerta Deltan que os americanos poderiam usar as informações em processos no seu país contra cidadãos e empresas brasileiras.

A preocupação demonstra como o chefe da Lava Jato em Curitiba explorou uma zona cinzenta, fazendo soar alarmes na própria PGR.

De nada adiantaram os alertas. Os próprios procuradores se incumbiram de pressionar brasileiros a delatar para o DoJ. Como se depreende da mensagem do procurador Orlando Martello:

“Foi muito interessante e útil para nós trabalhar com vocês e sua equipe na semana passada. Pudemos entender melhor os procedimentos nos EUA, assim como aprender sobre sua expertise em acordos. Com esse conhecimento, agora nós temos mais uma maneira de convencer empresas e indivíduos a revelar fatos: ameaçar informar ‘as autoridades Americanas’ sobre corrupção e delitos internacionais… (risos)”, escreveu Martello, em inglês.

Em seguida, informa os americanos sobre como passar por cima das restrições legais, que obrigam que interrogatórios de brasileiros sejam feitos por autoridades brasileiras.

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Primeiro, eles poderiam ouvir os colaboradores da Lava Jato nos Estados Unidos – o que é, para ele (e para Stokes), a melhor ideia, embora parte deles pudesse não aceitar ir voluntariamente para os EUA. E então sugere: “Nós podemos pressioná-los um pouco para ir para os EUA, em especial aqueles que não têm problemas financeiros, dizendo que essa é uma boa oportunidade, porque, embora seja provável que autoridades dos EUA venham para o Brasil para conduzir as entrevistas, as coisas podem mudar no futuro”. Assim seria possível evitar as limitações impostas pela decisão do STF e novas decisões que poderiam se seguir.

A entrega das provas obtidas no Brasil

Em 30 de novembro de 2015, às 21:09:52, Dallagnol avisa a Aras que os americanos já “estão ouvindo colaboradores”. Aras reage com surpresa e Deltan responde: “Não temos controle sobre as oitivas porque são uns 10 colaboradores que já estão em tratativas de acordos, ou acordos feitos. EUA estão com faca e queijo na mão para ouvirem”.

Aras pergunta se os colaboradores estão sendo ouvidos nos Estados Unidos. “Onde estão ouvindo? Informaram ao DRCI?” Dallagnol responde que, por serem nos EUA, as oitivas ocorreriam “à revelia do DRCI”. E prossegue, referindo-se à visita dos americanos no mês anterior: “Nós estamos com pressa, porque o DOJ já veio e teve encontro formal com os advogados dos colaboradores, e a partir daí os advogados vão resolver a situação dos clientes lá… Isso atende o que os americanos precisam e não dependerão mais de nós. A partir daí, perderemos força para negociar divisão do dinheiro que recuperarem. Daí nossa pressa”.

“Mas eles só conseguirão isso se colaborarmos, não? Eles não têm provas. Ou têm?”, retruca Vladimir.

(…) “Eles podem pegar e usar tudo que está na web”, argumenta Dallagnol. Aras pergunta: “Quando eles farão pedido formal de oitivas?”.

“Não precisam fazer. Ouvirão nos EUA os que estão soltos e podem viajar.”

A resposta surpreende Aras: “Os advogados concordaram? Eles vão viajar sem salvo-conduto????? Loucura”.

(…) Dallagnol admite, então, que a força-tarefa pode ter errado ao não avaliar as consequências da parceria com os americanos durante a visita secreta a Curitiba. “Quando estavam aqui, e não tínhamos ainda restrições, mas estávamos operando no automático, sem conhecimento da dimensão das consequências e pensando em aplicar o tratado diretamente (o que ainda não está fora de cogitação, estamos todos refletindo, creio), dissemos que não haveria problema em os colaboradores, que pudessem, ir aos EUA para prestar as declarações.”

A divisão do dinheiro

Em agosto de 2015, o valor da possível multa foi vazado para a Agência Reuters por uma fonte interna da Petrobras, gerando intensa especulação.

A ideia do compartilhamento das multas partiu do procurador Januário Paludo. Inicialmente, os americanos ofereceram 25% do total das multas. A Lava Jato percebe a possibilidade e inicia um processo de negociação. Em determinado momento, para pressionar os americanos, decidem atrasar a entrega de provas.

No final de 2015, por exemplo, após o rápido avanço das negociações diretas entre o DOJ e os delatores, Dallagnol explica a Aras que pretendia atrasar interrogatórios diretos de delatores pelos americanos para ter melhores condições de negociar a partilha dos valores. “A razão pela qual seguramos até agora é porque estamos em dúvida ainda se vamos facilitar as coisas para eles e porque queríamos negociar a questão de assets sharing”, afirmou Dallagnol em 17 de dezembro.

“Vlad, entendemos a necessidade de gerar pressão nos americanos e que alguém tem que pagar o pato. Poderíamos colocar a ‘culpa’ em BSB. Contudo, tem algumas coisas que me preocupam muito nesse contexto específico da Petrobras, especialmente a divisão de valores do caso Petrobras. Em razão delas, acredito que seria um risco muito alto suspender nesse caso específico, neste momento”, afirma ele no chat.

Um ano depois, os procuradores de Curitiba foram informados que o DoJ repassaria 80% do total da multa ao Brasil.

Todas as informações do DoJ eram da Lava Jato

Dois meses depois, Dallagnol deixa claro que, na sua visão, toda a acusação do DOJ se baseava apenas na investigação brasileira – e os americanos não tinham sequer um “caso” contra a petroleira. Ele chega a questionar a cooperação de maneira eloquente aos seus colegas do chat “Filhos de Januario”.

“A multa imposta nos EUA a partir do trabalho brasileiro é injusta. Lugar dos crimes, lugar dos danos, lugar do trabalho, o que as evidências mostram, a estrita aplicação da lei, dano à imagem da investigação brasileira etc…”, afirma ele, explicando que naquela época falava-se de uma multa de US$ 3 bilhões.

Por R$ 2,5 bi, entregaram a Petrobras

No dia 15 de outubro de 2017, segundo a reportagem, o procurador Paulo Galvão informou que Cris Cestaro, do DoJ, indagou se deveriam ou não desistir do caso criminal contra a Petrobras. O motivo foi carta do embaixador brasileiro nos EUA, invocando a cláusula do acordo que permitia a um país impedir que outro investigasse empresas de interesse estratégico.

Segundo ele, embora não devesse opinar “a favor ou contra a Petrobras”, o maior problema, na visão dos procuradores, seria a opinião pública brasileira, “o que estaria mitigado pelos 80% ficando no Brasil”.

Segundo o contrato, caberia ao MPF no Paraná “buscar meios para a constituição da entidade privada, com sede em Curitiba”, assim como constituir um Comitê de Curadoria Social para supervisionar a constituição da fundação, pedindo indicação a organizações da sociedade civil. Além disso, tanto o MPF no Paraná quanto o MP estadual poderiam pedir um assento no órgão de deliberação superior da fundação.

Diálogos vazados mostram que Dallagnol agiu para fundar uma empresa ou um instituto com perfil semelhante às atividades descritas no contrato com a Petrobras – dois meses depois da assinatura do acordo da Petrobras com a Justiça americana e um mês antes da assinatura do acordo da empresa com a Lava Jato, no Brasil.

Deltan e Pozzobon se prepararam para colher os frutos

Em dezembro de 2018, Deltan e Pozzobon decidiram montar uma ONG para organizar palestras contra a corrupção.

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Os dois criaram um grupo no Telegram naquele mês com suas esposas para cogitar a abertura de uma empresa de eventos, congressos e palestras. “Vamos organizar congressos e eventos e lucrar, ok?”, escreveu Dallagnol em um bate-papo com a esposa. Para evitar questionamentos legais e críticas, os dois procuradores decidiram não aparecer como sócios, mas abrir a empresa no nome das esposas. “Só vamos ter que separar as tratativas de coordenação pedagógica do curso que podem ser minhas e do Robito e as tratativas gerenciais que precisam ser de Vcs duas, por questão legal”, afirmou Dallagnol no grupo de Telegram em 14 de fevereiro de 2019. Administrar empresas é ilegal para procuradores.

Em duas ocasiões, Dallagnol sugeriu que criassem um instituto em vez de uma empresa. Em 3 de março, ao comentar um evento organizado por um instituto, ele escreveu: “Deu o nome de instituto, que dá uma ideia de conhecimento… não me surpreenderia se não tiver fins lucrativos e pagar seu administrador via valor da palestra. Se fizéssemos algo sem fins lucrativos e pagássemos valores altos de palestras pra nós, escaparíamos das críticas, mas teria que ver o quanto perderíamos em termos monetários”, escreveu no chat.

A reportagem do GGN, denunciando a Fundação, acabou com a festa,

A cobertura do GGN

Aqui, os alertas do GGN, sobre os acordos dos procuradores com o DoJ e, depois, sobre a criação da fundação que lhes conferiria o direito de administrar o dinheiro das multas.

08/02/2015 – O que vai fazer nos EUA a Procuradoria-Geral do Brasil? Acusar a Petrobras? (https://tinyurl.com/qnmluu6)

09/02/2015 – PGR explica ida de equipe de procuradores aos Estados Unidos (https://tinyurl.com/ueqdtth)

01/08/2015 – PGR encontrou-se nos EUA com ex-sócia de concorrentes da Eletronuclear (https://tinyurl.com/rgxxxh2),

05/10/2015 – Procuradores preparam-se para entregar a Petrobras aos EUA, por André Araújo (https://tinyurl.com/wb6ukgb)

05/03/2019 – Com 2,5 bi em caixa, a Lava Jato se prepara para substituir o bolsonarismo (https://tinyurl.com/yyv2qsn2)

08/03/2019 – Fundação Lava Jato: Confira a íntegra dos acordos entre Petrobras, EUA e MPF (https://tinyurl.com/y5hu4ezd).

10/03/2019 – Confira o que o GGN publicou sobre o fundo bilionário da Lava Jato na última semana (https://tinyurl.com/rdq79ft)

12/05/2019 – Xadrez do pacto que garantiu R$ 2,5 bi para a fundação da Lava Jato (https://tinyurl.com/s2v95f4)

Restou, parado no ar, o desabafo de André Araujo:

Pergunta-se: O que vai fazer nos EUA a Procuradoria-Geral da República do Brasil? Vai ajudar os americanos na acusação contra a Petrobras? Mas a Petrobras é parte do Estado que lhes paga os salários, está sendo atacada no estrangeiro, eles vão lá ajudar os autores das ações?

Quem deveria ir para os EUA é a Advocacia-Geral da União, orgão que funciona como defensora dos interesses do Estado brasileiro. A AGU poderia ir aos EUA para ser auxiliar da defesa dos advogados da Petrobras porque, salvo melhor juizo, um Estado não vai ao estrangeiro acusar a si mesmo ou ajudar outro Estado a lhe fazer acusações. Quem processa a Petrobras indiretamente está processando o Estado brasileiro.

 

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31 comentários

  1. …em resumo, estou aguardando o resumo pra poder tentar divulgar pro povão começar a entender ..quem sabe GILBERTO GIL consiga resumir essa história pra sociedade brasileira ? Pq do jeito que tá, não dá

  2. Nesses tempos anormais, onde uma turma de idiotas fazem absurdos atrás de absurdos para desviar o foco do principal, este assunto não pode passar batido. Sobre como, como diria Cazuza, nos vendemos, como país, por um preço tão barato que eu nem acredito. O prejuízo é irrecuperável.

  3. O marreco quer enquadrar o Grande Presidente Lula na lei de segurança nacional do tempo da saudosa redentora, nela para crimes de lesa pátria existe a pena de morte?
    Fechar a famosa republiqueta bananeira dos pinhais por corona virus institucional e …….

  4. Ora, qual o problema, se o dinheiro era limpo?

    “Se tudo der certo nas palestras, vai entrar ainda uns 100k [R$ 100 mil] limpos até o fim do ano. Total líquido das palestras e livros daria uns 400k [R$ 400 mil]. Total de 40 aulas/palestras. Média de 10k limpo”. – Dallagnol

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  5. Crime de lesa a pátria cometido pela Lava Jato?
    No processo formal de cooperação, seguindo as regras do DECRETO Nº 3.810, DE 2 DE MAIO DE 2001, o governo brasileiro pode negar apoio aos americanos caso a “solicitação prejudicar a segurança ou interesses essenciais” do país.
    LEI Nº 7.170, DE 14 DE DEZEMBRO DE 1983. Art. 13 – Comunicar, entregar ou permitir a comunicação ou a entrega, a governo ou grupo estrangeiro, ou a organização ou grupo de existência ilegal, de dados, documentos ou cópias de documentos, planos, códigos, cifras ou assuntos que, no interesse do Estado brasileiro, são classificados como sigilosos.

  6. Parabéns a Nassif e à equipe de colaboradores do GGN pela série de reportagens que desmascarou esta quadrilha de criminosos corruptos e lesa-pátria encravada no poder judiciário, no ministério público e na polícia. Esperamos que esta força-tarefa infame de lacaios do estrangeiro – Rodrigo Janot, Vladimir Aras, Carlos Fernando dos Santos Lima, Marcelo Miller e Deltan Dallagnol -, que foi aos EUA, em 9 e 10 de fevereiro de 2015, para a primeira entrega de trabalho sujo aos seus patrões estadunidenses, seja punida em algum momento no futuro, junto com o restante dos bandidos em Curitiba, Brasília e outros locais.

    Apenas uma ressalva na presente matéria: não adianta aliviar para Vladimir Aras, no mínimo um prevaricador de marca maior, visando, pelo menos, colher o posto de PGR apoiado na quadrilha de Curitiba, no que foi passado pra trás. Este senhor Aras de vez em quando pousava aqui no GGN, fazendo seu marketing vagabundo de legalista. Felizmente sumiu daqui, onde não enganava mais ninguém. Que se dedique agora ao compliance das empresas, para faturar algum, como os vagabundos de Curitiba e Brasília, entre outros.

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  7. Correta a crítica a Cardoso. Não só correta: merecida. No mínimo, pelo desleixo. Mas, e Aras, que era o superior de Deltan, responsável pela cooperação internacional da PGR, percebeu e entendeu, pela descrição posta, que atos indevidos estavam sendo realizados, tendo, como servidor público, procurador da república e pelo cargo que ocupava, o dever de denunciar e obstar, o que fez? Calou-se e se preocupou em perseguir Battisti? Não, tem caroço grande ainda nesse angu.

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  8. Fatos muito importantes, pena que passaram em branco. No atual momento de crise econômica, coronavírus, o país pulando de vez no abismo sem fundo. Poucos irão dá a atenção devida aos fatos, muito menos investigar e punir os promotores envolvidos.

  9. Pelo que observei acima,Nassif postou esse texto histórico em 12/03/2020 mas não há indicação do horário.Até o momento da minha postagem,nenhum comentarista se pronunciou,o que me leva a reafirmar que cada País tem o governo e o povo que se merecem.Da extremíssima direita à extremíssima esquerda,é tudo a mesma sopa,diria um outro.Nós já nascemos infectado por quaisquer coronavírus presente desde a existência da vida,bom frisar antes que joguem a culpa nele.Vergonha à parte,a historia no tempo certo,fará justiça a Luis Nassif,o maior e mais brilhante jornalista de sua geração.Nenhum outro,tem o faro,a competência e a coragem de Nassif para colocar as víscera de fora,extirpar tumores purulentos e desvendar a podridão de calhordas,cafajestes e capadócios como ele.Essa operação Lava Jato manchou ainda mais de vergonha um País já desavergonhado como o nosso.Mostra de forma inquestionável o apodrecimentos das Instituições,mais ainda,das pessoas que a gerem e conduzem,da mídia fétida,de um judiciário,em toda a suas extensão,com pendores de máfia e um executivo a serviço do sindicato do crime.Nada sobra,nada escapa,nada além,nem os comentaristas de abobrinhas que surfam por aqui,apareceram para parabenizar Nassif.Triste Brasil,oh quão dessemelhante.

  10. Com base na matéria é muito leve a acusação de corrupção.
    Para eles o mínimo é crime de lesa pátria e a punição não pode ser outra a não ser o paredão.

  11. Mais revoltante é saber que foram punidos, se é que foram, ou se ainda serão, como se pune uma criança do jardim de infância por ter roubado o pirulito da coleguinha(o)…

    isso aí é pilantragem que vem de berço. Corrupção é hereditária entre tais pilantras, religiosa, sagrada

    mas tem mais

  12. Em certo momento o dólarnhol ao ser perguntado quanto à opinião pública respondeu: os cães ladram…..só não esperava que o cão fosse um certo Luis Nassif, que lhe mordeu forte ……a partir dali acabou a aura de herói de araque do mocinho com cara de filhinho criado pela avó….
    Mas e o dinheiro da multa da Odebrecht? Foi parar onde?
    Tivéssemos autoridades com vergonha na cara muitos seriam exonerados e outros tantos presos ….
    Mas um é pgr e o outro sinistro da justiça…..nada a esperar….
    E a Dilma hein??? Morreu abraçada com seu ministro pastel de vento…..um molenga abobado que ficou observando o circo pegar fogo e lhe armarem a tocaia….

  13. O que eu vejo no dia a dia é que as pessoas estão cansadas dessa conversa de lava jato a não ser a fascistada, obviamente.

    Como “registro histórico”, a vaza jato cumpre seu papel. Mas é um tremendo erro de avaliação achar que há chance de esclarecimento nas forças armadas, no judiciário, na grande imprensa, no neio empresarial: estão todos tapados de antipetismo e outras ideologias antissociais; casos isolados aqui ou ali não têm a menor chance diante da gritaçada de um bando de boçais desvairados. No fundo, a vaza jato serve mais é ao centrão, pois quem esperava que os lavajateiros fossem um dia “partir pra cima” do restante da classe politica caiu do cavalo.

    Não descarto a hipótese de os investidores estrangeiros terem percebido isso lá por volta de outubro do ano passado, quando começaram a “tirar o time” e a fuga de dólares ficou visível, com tentativas toscas de mascaramento por parte da fazenda, inclusive.

  14. Ou se aprova uma Lei que criminalize agente publico que abuse de seu poder ou que atente contra o interesse nacional. SEM isso, nosso sistema judicial, incluido aqui o MP, tem que ser extinto

  15. Não via com tranquilidade as críticas sofridas por José Eduardo Cardozo. Não chegava a contestá-las mas a minha impressão é de que era um homem justo. Hoje penso que ele sempre foi e continua um justo, justo um banana. Banana que, involuntariamente ainda penso, causou um enorme prejuízo à Nação.

  16. Nassif,este artigo é um dos melhores já escrito sobre este tema pelo fato de esclarecer bem os fatos e de ter uma linguagem bem “inteligível”a nós do povão,seria interessante vc destrinchá-lo mais em outros artigos com base nesse e utilizar uma forma de comparação com situações normais e a anormalidade/bizarrice das operações da Lavajato e uma espécie de ioiô,um vai e volta nas informações, insistindo,vendo outros ângulos, isto ajuda a fixar as informações e repercutir pra valer,valeu Nassifão,éé nóis ! VIVA O BRASIL!AQUI TEM MUITA EMOÇÃO,HAJA CORAÇÃO!!!
    Obs:Querem marasmo?Vão pra um País certinho então,morrer de tédio !
    Obs da obs: Comentário meu tipo querendo.justificar a bagunça do Brasil !

  17. Que tristeza,um texto desta magnitude sem um mísero comentário.O único foi o meu,que estava totalmente desconectado da realidade e por obra do devino Espírito Santo foi mandado a guilhotina.Com a palavra o Ministro Marco Aurélio:Vivemos tempos estranhos,muito estranhos.

  18. Que tristeza,um texto desta magnitude sem um mísero comentário.O único foi o meu,que estava totalmente desconectado da realidade e por obra do Divino Espírito Santo foi mandado a guilhotina.Com a palavra o Ministro Marco Aurélio:Vivemos tempos estranhos,muito estranhos.

  19. Tudo isso sendo denunciado e nada acontece! Realmente, existe hoje no Brasil um processo imundo em andamento, onde a Política, a Justiça e a Mídia estão de mãos dadas para “mudar o Brasil”. Esquece-se o passado e formata-se um novo tipo de Estado que censura e age de forma arbitrária, autoritário e fascista. E a nação que se dane!

  20. Sob o olhar da nobreza do STF, da PGR, do MPF, dos TRFs, do CNJ, da PF, da Grande Imprensa golpista, dos políticos golpistas e sabe-se lá quem mais, o jogo seguia e a Lava Jato abusava das transgressões, insistia nas jogadas sujas e desleais, sem tirar o olho do cofre abarrotado dos dólares manchados por traições à pátria, por mentiras rasteiras contra as instituições acolhedoras, por total desrespeito e deboche mostrado contra brasileiros e brasileiras. Que lição incontestável de traiçoeiro jogo duplo e de criminalidade explícita, que a Lava Jato cravou nas costas do Brasil, nas costas dos trabalhadores e das trabalhadoras. A torcida das autoridades supostamente ilibadas, que lotaram as arquibancadas; a torcida de tantos discursos supostamente indignados, que facilmente condenavam sem provas; a torcida daquelas mídias que tudo assistia sem denunciar e quase nada informar e o famoso fuzuê espetaculoso da torcida da segurança que protegia o lado da direita e atacava como fera violenta contra o lado da esquerda. Falsos brilhantes e ouro de tolos, que encantam os cegos do castelo.

  21. “””E QUE ESPERANÇA SE VAI TER PARA QUE ISSO SEJA PUNIDO SE O JUDICIÁRIO É O QUE DEU TODO SUPORTE PRA ISSO, AO: SE CALAR DIANTE DO GOLPE EM QUE O MINISTRO DO TCU AUGUSTO NARDES DISSE QUE ‘AS SUPOSTAS PEDALADAS QUE A DILMA FEZ, FORAM AS MESMAS QUE TODOS OS EX PRESIDENTES DOS ÚLTIMOS 80 ANOS DO BRASIL TAMBÉM FIZERAM, E NUNCA FORAM PUNIDOS (nem de forma branda quanto mais de forma dura), MAS DESSA VEZ ELE IRIA FAZER DIFERENTE COM A DILMA’; E NÃO FAZ NADA COM O SERGIO MORO, DIANTE DOS CRIMES QUE ADMITE QUE ELE COMETEU?””” – A esperança é que: O STF QUE FOI CONIVENTE COM O SERGIO MORO, e até hoje ‘mais de 1 ano depois’, não tem coragem de dar sequência ao julgamento do Lula, que foi condenado SEM PROVAS pelo Moro e pelo TRF4, porque sabe que vai se colocar como réu perante tribunais internacionais caso confirme a condenação surreal do Lula de ter ‘ganho um triplex que a própria justiça já disse que nunca foi dado a ele’; perceba que SE NÃO PARAR O SÉRGIO MORO AGORA, TAMBÉM VAI SOFRER NAS MÃOS DELE, porque “”O MORO ESTÁ JOGANDO O POVO CONTRA O STF, depois que o STF cancelou a Regra de prisão em segunda instância que o próprio supremo havia INVENTADO PRA IMPEDIR QUE O LULA GANHASSE A ELEIÇÃO; e pra isso JA CONTA COM UM EXÉRCITO DE JUIZES SAFADOS que mentem ao povo dizendo que a não prisão em segunda instância, promove a impunidade, Quando a verdade é que quem promove a impunidade são JUIZES que dão SUAS INTERPRETAÇÕES erradas as leis, já que QUANDO SE TEM PROVAS NÃO PRECISA SEQUER DE JULGAMENTO PRIMEIRA INSTANCIA PARA SE PRENDER ALGUÉM; e a prova disso SÃO OS PROPRIOS exemplos que o Moro e esses juízes dão, de casos famosos como o da SUZANE RICHTOFF E do Alexandre NARDONI; que FORAM E PERMANECERAM PRESOS ANTES MESMOS DE SEQUER SEREM JULGADOS NA PRIMEIRA INSTANCIA, QUANTO MAIS NA SEGUNDA OU TERCEIRA INSTÂNCIA; porque tinha prova da culpabilidade deles””. Portanto: “”OU O STF ACABA COM O SERGIO MORO, OU O SÉRGIO MORO ACABA COM ELE””.

  22. a Lava Jato foi diretamente responsável por multas que ascenderam a R$ 20,6 bilhões, contra R$ 4 bilhões que a operação trouxe de volta para a Petrobras.

    Pq no Brasil procuradores estão acima da lei?

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