Rendimento de brasileiros é o pior da última década: Nordestinos e Bolsa Família sofreram mais

Rendimentos dos brasileiros é o pior registro histórico. Mais afetados estão a região Nordeste e beneficiários do Bolsa Família

Foto: Arquivo/Agência Brasil

Todos os tipos de rendimentos das casas brasileiras chegaram ao pior valor da última década. E entre os mais afetados estão a região Nordeste e os beneficiários do Bolsa Família. É o que mostram os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua do IBGE.

A pesquisa coleta anualmente os dados de remuneração e rendimentos das famílias do Brasil e, em 2021, esse valor médio foi de R$ 1.353, o menor já restrado pela pesquisa, que realiza este balanço desde 2012.

Para se ter uma ideia, naquele ano (2012), o Brasil tinha um rendimento médio por pessoa de R$ 1.417.

Fazem parte do rendimento todas as fontes de recursos para a população se manter: remunerações de empregos, aposentadorias e pensões, alugueis, doações, mesadas, entre outros.

Não só os valores, mas a quantidade de pessoas com rendimento também caiu: 59,8% da população do país tem algum tipo de rendimento. É o valor também mais baixo da história registrado pela pesquisa, e o mesmo de 2012.

Na prática, enquanto a inflação aumentou, os rendimentos não e, de 2020 para 2021, a massa de rendimento de todos os trabalhos caiu 3,1%, de R$ 223,6 bilhões para 216,7 bilhões de massa de rendimento real mensal.

Desigualdade regional

Em todos os estados do país, esses valores caíram, mas a região Nordeste é a que concentra o menor rendimento médio mensal domiciliar por pessoa: de R$ 843, seguido da região Norte (R$ 871). A região Sul é a que tem o maior rendimento médio (R$ 1656), e em segundo lugar o Sudeste (R$ 1645).

E a explicação está diretamente relacionada com as políticas do governo de transferência de renda, em programas sociais como o Bolsa Família – como apresentado mais adiante. Para a analista da pesquisa do IBGE, Alessandra Scalioni, o aumento da desigualdade no Nordeste e Norte se explica porque “são regiões onde o recebimento do auxílio-emergencial atingiu maior proporção de domicílios durante a pandemia de COVID-19 e que, por isso, podem ter sido mais afetadas com as mudanças no programa ocorridas em 2021”.

Mais pobres perderam mais

A queda ocorreu em todos os beneficiários de programas sociais. Se a quantidade de pessoas com rendimento do Bolsa Família aumentou 1,4 pontos percentuais de 2020 para 2021, o histórico do governo é de uma derrubada vertiginosa de benificiários do programa de 2019 para 2020, quando caiu para 14,3% até 7,2%. No ano passado, foram 8,6% os beneficiários do programa.

Além disso, a pesquisa constatou que os beneficiários do programa sofreram a pior queda de rendimentos, não compatível com a inflação. Os rendimentos das casas contempladas pelo programa caíram 10,8%, o dobro da queda entre os não beneficiários – 5,4%.

Ou seja, os benecifiários do Bolsa Família foram os que mais perderam rendimentos em 2021.

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A íntegra da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua do IBGE pode ser conferida aqui e aqui.

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1 Comentário

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José Carvalho

- 2022-06-13 21:32:43

Se tivermos um grupo de indivíduos com ganhos diferenciados entre si num total de cem indivíduos e o volume da renda somada for cinco mil reais, teremos uma média de cinquenta reais por indivíduo. Tanto no âmbito nacional como nos âmbitos regionais, imagina-se a dramaticidade dessa queda na renda, porque são realidades absolutamente diferentes no quesito renda. Fica impossível que houvesse resultado diferente, se o País estagnou na realização do seu conjunto econômico. Deixou de buscar uma evolução, de encontrar soluções adequadas para transformar sua realidade econômica. Estagnação em relação a tudo o que afeta a evolução de uma sociedade organizada. A economia é resultado de intervenção dos agentes econômicos, boa intervenção é igual a bons resultados; pouca ou mau intervenção resultados equivalentes a essa intervenção. Fazer pouco tem um resultado próximo de não fazer. No aspecto de se buscar uma transformação que desse qualidade ao País, a todo o conjunto social que deveria dar forma e consistência a esta sociedade de produção econômica, não se andou praticamente nada. Não se tem uma economia dinâmica, que se aperfeiçoa, que cresce e multiplique oportunidades. Antes empobrecemos e desestruturamos, estagnamos orgulhosamente.

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