Não lembro se no blog houve alguma referência, mas na semana passada damos mais um passo rumo à elisão das injustiças que historicamente permearam a história deste país. Refiro-me a resolução que incorpora novos conquistas para os ditos trabalhadores domésticos que, finalmente, passaram a gozar dos mesmos direitos dos demais trabalhadores regidos pela CLT, a exemplo da carga horária máxima, horas extras e FGTS, dentre outros. A PEC-Proposta de Emenda Constitucional 66/2012, conhecida como PEC das domésticas, foi aprovada pelo Senado logo em primeiro turno e por unanimidade, o que comprova o quanto a medida é justa e pertinente.
E ao referenciarmos tal ofício vem-nos, de imediato, a lembrança do quão foi importante essa profissional no seio de muitas famílias brasileiras. Profissional é um termo até inadequado, posto que em certos casos, a empregada doméstica, de tão próxima que era, não raro passava a ser considerada um familiar. Muitas só abandonavam seus patrões no final da vida, tal era a fidelidade.
Por essa interação intensa é que muito de nós lembram com saudades delas. Do quase papel de mães substitutas que exerciam e o acobertamento das nossas traquinagens. O interessante é que nesses tempos as disparidades sociais eram tantas que até pessoas pobres, como era o nosso caso, se davam ao luxo de ter esse tipo de profissional. Daí dá para se imaginar o quão baixo estavam na escala social.
Foi essa proximidade que, provavelmente, sempre adiou o reconhecimento da mesma como uma trabalhadora igual a outras. Ao conviver com seus empregadores vinte e quatro horas, comendo, dormindo e participando da vida em família, sua labuta foi como substimada. Isso na melhor das hipóteses. Porque não raro o que existia mesmo era a mais abjeta das explorações de um ser humano.
E esse é o lado obscuro e dramático da estória: o tratamento semi-escravocrata a que muitas se submeteram, não faltando, inclusive, os castigos físicos, ignomínia testemunhada por esse escriba em alguns lares ditos cristãos.
Fico feliz por todas elas e repudio aqueles ou aquelas que, sob a desculta de que haverá desemprego por conta dos custos majorados, não acatam e criticam essa reparação que, a propósito, já vem tarde.
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