10 de junho de 2026

Amazônia: da teoria para a prática, por Augusto Cesar Barreto Rocha

Surge agora uma nova versão do PRDA, para o período 2024-2027. Finalmente, o plano começa a apresentar elementos de redução das desigualdades
Divulgação DNIT

Amazônia: da teoria para a prática

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por Augusto Cesar Barreto Rocha

               Na teoria, a Amazônia precisa ser preservada e seus recursos aproveitados. Na prática, ela tem sido vagarosamente destruída no seu maior potencial e pouco preservada, por conta de um descaso e por alguns lapsos de percepção sobre como devemos usar seus recursos naturais. De vez em quando surge um projeto para uso mais inteligente, como em 2019, no programa Investe Turismo, o qual previa projetos turísticos para Manaus, Novo Airão e Presidente Figueiredo. Será que alguém percebeu resultados expressivos desta política pública nestes lugares?

               Ne teoria, o Plano Regional de Desenvolvimento da Amazônia (PRDA): 2020-2023, editado pelo Governo Federal em 2020, tinha como objetivo principal “reduzir as desigualdades regionais”, por mais que não houvesse ações que quebrassem a assimetria ou alocassem mais recursos na Amazônia do que em outras regiões. Da mesma forma que no outro plano, o resultado parece o mesmo: pouca ou nenhuma percepção de transformação.

               Surge agora uma nova versão do PRDA, para o período 2024-2027. Finalmente, o plano começa a apresentar elementos de redução das desigualdades, com uma estrutura contemplando 276 projetos na Amazônia, dentre os quais, serão 45 no Amazonas, incluindo a recuperação da BR-319, BR-307, ZF-7, AM-010, Mobilidade Urbana em Manaus, Entreposto Pesqueiro, Aeródromos e diversos projetos que realmente possuem o potencial de transformação. Será que começaremos a sair da teoria para a prática?

               O total de projetos passa de R$ 4,398 bilhões. Assim, finalmente surge um Plano de ações mínimas para a Amazônia e para o Amazonas. São valores substanciais para quem não tinha nada ou quase nada e quando mais de R$ 1 bilhão foi desembolsado por empresas para enfrentar a seca e a falta de trânsito de navios. O valor parece menor quando colocados num panorama secular e a falta de infraestrutura, mas, mesmo com todas estas ressalvas, é fantástico voltarmos para o mapa de investimentos nacionais, pois faz muito tempo que nada de substancial ou sistêmico tem sido feito por aqui (alguma vez foi?!).

               Este plano tem o potencial de ser um divisor entre o descaso e a integração da Amazônia ao Brasil. Se os projetos forem integralmente executados, poderemos ter uma transformação profunda na região. O desafio está posto para toda a sociedade, primeiro em aprovar nas Casas Legislativas, pois se trata de uma mensagem enviada ao Congresso Nacional. A primeira etapa desta batalha será assegurar tantos recursos para todos os projetos e, quem sabe, integrar outros mais.

               Fazer a transição da teoria com a prática é o que mais ansiamos no Amazonas, pois, no estágio atual, o Brasil ainda não desbravou ou ocupou a região com a atenção voltada ao seu potencial. A lacuna que existe no projeto, apesar de ações junto ao INPA, é que não foi possível constatar um enfoque mais amplo para o desenvolvimento científico. Assim, a maior oportunidade de alterações, para melhorar, provavelmente será nesta temática, pois com recursos relativamente pequenos, frente ao todo, poderão ser transformadores do cenário e induzir o que mais interessa, que é usar a biodiversidade, por exemplo, transformando ao menos uma parcela das 1.450 plantas medicinais que temos em bioativos e, consequentemente, em mais saúde para o mundo.

Augusto Cesar Barreto Rocha – Professor da UFAM.

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para [email protected]. O artigo será publicado se atender aos critérios do Jornal GGN.

Augusto Cesar Barreto Rocha

Augusto César Barreto Rocha é Professor Associado da UFAM. Possui Doutorado em Engenharia de Transportes pela UFRJ (2009), mestrado em Engenharia de Produção pela UFSC (2002), especialização em Gestão da Inovação pela Universidade de Santiago de Compostela-Espanha (2000) e graduação em Processamento de Dados pela UFAM (1998).

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