5 de junho de 2026

Anvisa mantém suspensão de produtos Ypê por risco de contaminação

Agência barra venda de lotes com final 1, mas dispensa recolhimento obrigatório; um dos cinco diretores faltou à votação
Imagem: Divulgação/Ypê

▸ Anvisa mantém suspensão da fabricação e venda de lotes finais 1 da marca Ypê após falhas graves em fábrica de Amparo (SP).

▸ Fiscalização detectou 76 irregularidades, incluindo bactéria Pseudomonas aeruginosa em mais de 100 lotes, com risco a grupos vulneráveis.

▸ Ypê critica medidas da Anvisa, classifica decisões como arbitrárias.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

A Diretoria Colegiada da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) decidiu, em reunião extraordinária nesta sexta-feira (15), manter a suspensão da fabricação e comercialização de detergentes, sabões líquidos e desinfetantes da marca Ypê. A restrição foca em todos os lotes com numeração final 1 e ocorre após a detecção de falhas graves de higiene na unidade da Química Amparo, no interior paulista.

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A decisão foi consolidada por maioria de votos. Do colegiado de cinco membros, quatro participaram da sessão, o quinto diretor não compareceu. Embora o veto à venda tenha sido mantido, houve divergência sobre o destino dos produtos já distribuídos: os diretores Leandro Safatle, Daniela Marreco e Daniel Pereira votaram contra a obrigatoriedade do recolhimento dos itens que já estão nas prateleiras ou nas casas dos consumidores. Apenas o diretor Thiago Campos defendeu a retirada total do mercado.

Histórico de falhas e denúncia

A medida restabelece os efeitos da Resolução 1.834/2026, que havia sido suspensa temporariamente após recurso da empresa. A fiscalização, realizada na unidade de Amparo (SP), detectou 76 irregularidades no processo produtivo. Entre os problemas relatados estão sinais de corrosão em equipamentos, acúmulo de resíduos e falhas no controle de qualidade.

O ponto central da crise é a presença da bactéria Pseudomonas aeruginosa em mais de 100 lotes. O microrganismo foi identificado pela própria fabricante em novembro de 2025. Segundo a agência, o histórico recorrente de contaminação demonstra que os riscos sanitários ainda não foram superados pela empresa.

Aguardar certeza absoluta do dano, em matéria sanitária, significa agir tardiamente“, afirmou o diretor Thiago Campos durante o voto.

A investigação começou após denúncias feitas pela concorrente Unilever, que alertou as autoridades sobre possíveis problemas sanitários em outubro de 2025 e novamente em março deste ano. A marca não solicitou anonimato no processo.

Impactos na saúde pública

A Pseudomonas aeruginosa é classificada como uma bactéria oportunista, o que significa que o risco para pessoas saudáveis é considerado moderado. Contudo, o microrganismo representa perigo real para indivíduos imunossuprimidos, pacientes oncológicos, transplantados ou pessoas com lesões de pele e feridas abertas.

Nestes grupos, o contato pode desencadear infecções severas. Especialistas recomendam que consumidores interrompam o uso dos lotes afetados e busquem auxílio médico caso apresentem febre, secreções ou vermelhidão persistente na pele ou olhos.

A defesa da Ypê

Em nota, a Ypê criticou duramente as medidas adotadas pela Anvisa e classificou as decisões anteriores como “arbitrárias e desproporcionais“. A empresa afirmou ainda que as imagens de irregularidades divulgadas recentemente mostram áreas sem contato direto com os produtos fabricados.

A fabricante também destacou que solicitou a realização pública da reunião desta sexta-feira e abriu mão do sigilo do processo.

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Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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Ana Gabriela Sales

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

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