O médico brasileiro Leonardo Riella foi o responsável pelo primeiro transplante de rim de um porco, geneticamente modificado, para um paciente humano vivo. O paciente se recupera bem e, se confirmada a eficácia da intervenção, a descoberta pode reduzir em 90% a fila de espera por um transplante no Brasil.
Marco na medicina, a cirurgia é inédita e foi realizada no Massachussets General Hospital, em Boston, nos Estados Unidos, onde Riella atua. É a primeira vez que o transplante foi feito em um paciente vivo. Em 2021, um grupo de pesquisadores de Nova York realizou o procedimento em um paciente com morte cerebral.
No Brasil, 90% das pessoas na fila por um transplante precisam de um rim. Se bem sucedido, o procedimento pode representar uma esperança para milhares de pacientes.
“Toda semana, temos que retirar pacientes da lista de espera porque ficam muito doentes para fazer um transplante durante a diálise. A disponibilidade oportuna de um rim poderia dar a oportunidade a milhares de pessoas de obter um tratamento muito melhor para a insuficiência renal do que a diálise”, declarou Riella.

Entenda o procedimento
Conhecida por xenotransplante, o procedimento consiste em usar órgãos de porcos porque são semelhantes aos dos humanos. Porém, há uma modificação genética, em que são retirados os genes suínos que levariam à rejeição do órgão animal pelo corpo humano.
Neste procedimento, os pesquisadores inseriram ainda genes humanos nos rins, para melhorar a compatibilidade entre órgão e corpo e eliminar o risco de infecção. A cirurgia levou quatro horas.
Richard Slayman, o paciente transplantado, tem 62 anos, sofre de doença renal grave e, há sete anos, tinha de fazer sessões de diálise.
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