4 de junho de 2026

Calor intenso pode elevar risco de AVC durante o verão, alerta especialista

Altas temperaturas provocam desidratação natural do organismo, o que torna o sangue mais espesso e aumenta a chance de formação de coágulos

Casos de AVC aumentam no verão devido à desidratação, que espessa o sangue e favorece coágulos, alerta neurocirurgião do RJ.
Calor dilata vasos, reduz pressão e pode causar arritmias, aumentando risco de AVC isquêmico por coágulos no coração.
Hospital Quali Ipanema atende o dobro de casos no verão; prevenção inclui controle da pressão, abandono do tabagismo e hidratação.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

O número de casos de acidente vascular cerebral (AVC) tende a crescer nos meses mais quentes do ano, segundo o neurocirurgião e neurorradiologista intervencionista Orlando Maia, do Hospital Quali Ipanema, no Rio de Janeiro. Em entrevista à Agência Brasil, o médico explicou que o calor favorece uma série de condições que aumentam a probabilidade de ocorrência da doença.

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De acordo com o especialista, as altas temperaturas provocam desidratação natural do organismo, o que torna o sangue mais espesso e aumenta a chance de formação de coágulos. “Como o AVC está diretamente ligado à formação de coágulos, esse processo eleva significativamente o risco”, afirmou.

O AVC pode ser classificado em dois tipos. O hemorrágico, que corresponde a cerca de 20% dos casos, ocorre quando há o rompimento de um vaso cerebral. Já o isquêmico, responsável pela maioria das ocorrências, é provocado pela obstrução de um vaso sanguíneo por um coágulo. Segundo Maia, a desidratação típica do verão favorece a trombose e, consequentemente, o AVC isquêmico.

Pressão arterial e arritmia

Outro fator relevante é a alteração da pressão arterial. Com o calor, os vasos sanguíneos se dilatam para ajudar o corpo a regular a temperatura, o que tende a reduzir a pressão. Esse mecanismo pode favorecer tanto a formação de coágulos quanto o surgimento de arritmias cardíacas, caracterizadas por batimentos fora do ritmo normal.

Quando ocorre uma arritmia, aumenta a possibilidade de formação de coágulos no coração. Como cerca de 30% do sangue bombeado segue para o cérebro, esses coágulos podem alcançar rapidamente a região cerebral e causar um AVC.

O médico destaca ainda que, durante o verão, muitas pessoas relaxam nos cuidados com a saúde por causa das férias, o que leva ao aumento do consumo de bebidas alcoólicas. O álcool intensifica a desidratação e também eleva o risco de arritmia. Além disso, é comum que pacientes esqueçam de tomar medicamentos de uso contínuo, o que contribui para elevar o risco da doença.

Doenças de verão e tabagismo

Problemas típicos da estação, como gastroenterites associadas ao calor, diarreia, insolação e esforço físico excessivo, também contribuem para o aumento dos casos. “Todos esses fatores combinados fazem com que a pessoa tenha maior predisposição a um AVC no verão”, explicou Maia.

O tabagismo é outro agravante importante. Segundo o médico, o cigarro está entre as principais causas externas de AVC. A nicotina compromete a elasticidade dos vasos sanguíneos, favorecendo tanto o AVC hemorrágico quanto o isquêmico, além de estimular processos inflamatórios que facilitam o acúmulo de placas de colesterol e o entupimento das artérias.

Aliado ao estilo de vida moderno e ao controle inadequado de doenças crônicas, o fumo tem contribuído para o aumento de casos de AVC em pessoas cada vez mais jovens, inclusive com menos de 45 anos.

Frequência e impacto da doença

No verão, o Hospital Quali Ipanema chega a atender cerca de 30 pacientes por mês com AVC, o dobro do registrado em outras épocas do ano. Para Orlando Maia, o AVC é uma das doenças mais frequentes no mundo. “Uma em cada seis pessoas terá um AVC ao longo da vida”, alertou, destacando a importância de observar o histórico familiar e de pessoas próximas.

O AVC figura entre as principais causas de morte e incapacidade. Mesmo quando não é fatal, pode deixar sequelas graves. “É uma doença que afeta não apenas o paciente, mas toda a família, porque exige cuidados contínuos”, afirmou. As sequelas podem incluir dificuldades para andar, falar, enxergar ou se alimentar sozinho, dependendo da área do cérebro atingida.

Prevenção e tratamento

Segundo o especialista, grande parte dos casos pode ser evitada. A prevenção envolve hábitos de vida saudáveis, como prática regular de atividade física, alimentação equilibrada, controle da pressão arterial, uso correto de medicamentos e abandono do tabagismo.

O tratamento também evoluiu significativamente. Hoje, há duas principais abordagens terapêuticas. A primeira é a administração intravenosa de um medicamento capaz de dissolver o coágulo, desde que aplicado até quatro horas e meia após o início dos sintomas. Na maioria dos casos, essa intervenção é eficaz.

Quando o medicamento não é indicado ou não surte efeito, é possível realizar um procedimento com cateter introduzido pela virilha para aspirar o coágulo e restabelecer a circulação. Em situações específicas, essa técnica pode ser utilizada até 24 horas após o início dos sintomas.

Atenção aos sinais

Os principais sinais de AVC incluem paralisia súbita de um lado do corpo, dificuldade para falar, perda de visão em um dos lados, tontura intensa ou perda repentina da consciência. “O AVC geralmente acontece de forma abrupta. Diante desses sintomas, não se deve esperar. É uma emergência médica, e a pessoa precisa ser levada imediatamente a um hospital”, reforçou o médico.

*Com informações da Agência Brasil.

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