Jornal GGN – Um coletivo de 80 cientistas, o Observatório Covid-19 BR, divulga nota técnica crítica ao planejamento da imunização contra o novo coronavírus no país pelo Ministério da Saúde. O plano do governo foi qualificado como ‘rudimentar’ e a conclusão dos especialistas foi de que ‘ainda não temos um plano’.
Esses especialistas dos centros de pesquisa mais importantes do país veem com preocupação o estado atual de planejamento do governo. Suas conclusões são baseadas em informações disponíveis até agora de como o país pretende imunizar a população.
“É um esboço rudimentar, com tantas fragilidades e lacunas que dificilmente poderá ser seguido”, escreveram, em nota técnica divulgada hoje. “São marcantes a falta de ambição, de senso de urgência e de comprometimento em oferecer à população brasileira um plano de vacinação competente, factível, que contemple as diversas vacinas em teste no Brasil, com transparência e em articulação com estados e municípios”, diz o documento.
De acordo com a nota, um dos poucos aspectos que o plano do governo deixa claro é o de priorização do público a ser vacinado. Mas algumas populações vulneráveis, como moradores de rua por exemplo, também deveriam ter sido incluídas além do que foi listado (profissionais de saúde, idosos e indígenas).
Mas a maior crítica fica a cargo da falta de definição de quais vacinas serão usadas, para a falta de cronograma e, também, à exclusão de esferas estaduais e municipais na elaboração do plano. No SUS, iniciativas federais são executadas por agentes municipais.
Além disso, o Observatório diz ser estranho o governo não ter incluído no plano nacional a vacina CoronaVac, do Instituto Butantan. João Doria afirma ter um plano próprio de vacinação, o que os cientistas também criticam.
“Este plano existe publicamente apenas na forma de uma apresentação de PowerPoint e, como o plano federal, não se fez acompanhar de documento público que permita uma avaliação”, dizem.
Mais um ponto levantado é a questão da logística. “Além da produção da vacina para duas doses por indivíduo, a operacionalização da vacinação demanda outras questões logísticas fundamentais, como a aquisição de insumos diretamente ligados à aplicação da vacina (seringas e agulhas, por exemplo), o transporte e a conservação da vacina”, escrevem os pesquisadores.
A falta de transparência no processo, dizem os cientistas, compromete também aspectos éticos do plano.
“Além das várias fragilidades que apontamos, (…) a desarticulação com outros níveis federativos provoca imensa apreensão sobre sua adequação para o momento atual. Apesar de o início da vacinação estar próximo, vivemos um tempo de pandemia ainda repleto de incertezas”, afirma o grupo. “O propósito principal afinal é a preservação de vidas e de qualidade de vida. O plano de vacinação do governo federal não demonstra tal compromisso, por atos e por omissões”, completa.
Leia a not na íntegra.
Lúcio Vieira
9 de dezembro de 2020 10:24 amFosse o irresponsável, alguém com um mínimo de seriedade e respeito ao menos pelo cargo em que se meteu e desde o início da pandemia teria criado um gabinete especial para enfrentamento, mesmo que com o caráter consultivo, quantos ex-ministros da saúde, técnicos aposentados e médicos especialistas na área se prontificariam, inclusive seriam uma força de respeito para ajudar a manter unidade federal. Mas não, o irresponsável ainda considera que quem não está em seu infeliz (in)governo merece fazer parte dos desprezados, dos que vão morrer antes. Se não conseguem fazer planos para coisas menores, quanto mais para uma crise de complexidade.
Luiz Fernando Juncal Gomes
9 de dezembro de 2020 11:46 amThe Logistic Man
dezembro/2020 – The Logistic Man: ‘Compraremos as vacinas “SE” houver demanda’
março/2021 – Diante da demanda mínima de 300 milhões de doses, The Logistic Man dá nova entrevista: “fomos pegos de surpresa”.
PS.: Em 2014, um médico SANITARISTA concorreu a governador de São Paulo, Alexandre Padilha, que poderia ser reeleito em 2018, e hoje seria governador em exercício. Enquanto Alexandre Padilha, recém formado na Unicamp, cumpria o Projeto Rondon junto às comunidades ribeirinhas e indígenas nas várzeas e florestas de Santarém (PA), o atual governador promovia desfile de cachorrinhos em Campos do Jordão (SP).
Paga-se pelas (péssimas) escolhas. Sempre.