Covid-19 – A brutal diferença que há entre 1,7% e 2%, por Felipe A. P. L. Costa

Até o último domingo de agosto (30/8), a uma taxa de crescimento diário de 1,7%, o país saltaria dos atuais 2.419.091 para 4.365.756 casos. Em 2%, saltaríamos de 2.419.091 para 4.925.873 casos.

Covid-19 – A brutal diferença que há entre 1,7% e 2%.

por Felipe A. P. L. Costa [*]

RESUMO. Após oito semanas de quedas sucessivas, a média semanal na taxa de crescimento diário no número de novos casos saltou de 1,7% para 2%. É uma péssima notícia. No contexto deste artigo, a diferença entre 1,7% e 2% é brutal. De hoje até 30/8, por exemplo, seriam 560.117 casos e 14.949 mortes a mais. É imperativo e urgente, portanto, retomar a trajetória declinante de antes.

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No início da noite, o Ministério da Saúde divulgou as estatísticas deste domingo (26): 24.578 casos e 555 mortes. No cômputo geral, já seriam 2.419.091 casos e 87.004 mortes.

Ao longo da semana encerrada hoje (20-26/7), foram acumulados mais 320.702 casos e 7.516 mortes.

Feitas as contas – para detalhes metodológicos, ver o artigo ‘Há luz no fim do túnel?’ –, constatamos que a média semanal na taxa de crescimento diário no número de novos casos ficou em 2,05%.

É uma péssima notícia. (Estávamos em 1,7% na semana anterior e a expectativa era de queda ao longo da última semana.)

A última vez que a média semanal subiu foi na semana encerrada em 24/5, quando passou de 5,8% (11-17/5) para 6,03% (18-24/5).

De lá para cá, foram oito quedas sucessivas: de 6,03% o valor caiu para 5,1% (25-31/5) e daí para 4,3% (1-7/6), 3,3% (8-14/6), 3,2% (15-21/6), 3,1% (22-28/6), 2,5% (29/6-5/7), 2,2% (6-12/7) e 1,7% (13-19/7) (ver a figura que acompanha este artigo).

Leia também:  A dolorosa verdade sobre Covid e economia: Trump é o culpado

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FIGURA. A figura que acompanha este artigo ilustra o comportamento da taxa de crescimento diário (pontos em rosa claro) no número de casos da Covid-19 em todo o país (eixo vertical; β expresso em porcentagem), entre 21/3 e 26/7. Há muita oscilação nos valores diários (refletindo inércia e desarranjos metodológicos). Para reduzir os ruídos de tal oscilação, calculei uma média semanal na taxa de crescimento (pontos em azul escuro). (Para detalhes, ver o artigo ‘Há luz no fim do túnel?’.) Os resultados (linha tracejada em azul escuro) são bastante significativos, indicando que (ainda) há uma tendência consistente de queda no valor da taxa de crescimento.

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No contexto deste artigo, a diferença entre 1,7% e 2% é brutal. Tanto em número de casos, como, sobretudo, em número de mortes.

Senão, vejamos.

Até o último domingo de agosto (30/8), a uma taxa de crescimento diário de 1,7%, o país saltaria dos atuais 2.419.091 para 4.365.756 casos.

Se a taxa permanecer em 2%, a tragédia pode vir a ser ainda maior: saltaríamos de 2.419.091 para 4.925.873 casos.

Seriam 560.117 casos a mais (= 4.925.873 – 4.365.756) até 30/8.

Considerando uma taxa de letalidade de 2,7% (a média das últimas quatro semanas), a diferença implicaria em 14.949 mortes adicionais.

Como eu disse, é uma diferença brutal.

É imperativo e urgente, portanto, retomar a trajetória declinante de antes.

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Nota.

[*] Para detalhes e informações sobre o livro mais recente do autor, O que é darwinismo (2019), inclusive sobre o modo de aquisição por via postal, faça contato pelo endereço [email protected]. Para conhecer outros livros e artigos, ver aqui.

Leia também:  França corre o risco de perder o controle do coronavírus: conselho de ciência

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1 comentário

  1. Alguém, né, Nassif, precisa ficar de olho na valorização das empresas desenvolvedoras das vacinas. É só anunciarem qualquer encurtamento no prazo de comercialização para o preço de suas ações dispararem.
    A questão não é quem está comprando (os otários de sempre), mas, quem está vendendo ações que – a se comprovar a urgência com que chegarão ao comércio – se valorizarão mais do que qualquer diamante.
    Então, onde estão as “corregedorias” das bolsas pelo planeta? Comprando ou vendendo?

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