4 de junho de 2026

“Demora nenhuma” e “nhenhenhe”: Queiroga nega atraso em vacinação infantil

Enquanto o país é o segundo no mundo de mortes de crianças por Covid-19, governo minimiza e atua contra a vacinação infantil
Foto: Isaac Nóbrega/PR

Com um mês de atraso desde a liberação da Anvisa e as incisivas notas do governo federal, da Saúde e outras pastas contra a vacinação infantil, o ministro Marcelo Queiroga afirmou que não houve atraso na vacinação de crianças contra a Covid-19 e chamou debate de “nhenhenhe”.

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“Não há demora nenhuma, as vacinas chegaram de maneira tempestiva. Desafio qualquer um a provar que Pfizer entregaria uma dose de vacina antes do prazo que entreguei”, disse o ministro da Saúde.

A declaração, contudo, contraria os fatos. Sem nenhum apoio ou qualquer movimento do governo federal, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou no dia 16 de dezembro o uso da Pfizer em crianças a partir de 5 anos, a pedido do laboratório norte-americano.

A medida, que ocorreu quando quase 50 países de todo o mundo já terem dado início à vacinação de crianças, irritou diretamente Jair Bolsonaro, que iniciou ataques a tecnicos da Anvisa, chegando a intimidar que iria divulgar o nome “de quem” aprovou o imunizante em crianças.

Os ataques e críticas do governo federal seguiram durante todo o mês de dezembro e janeiro. Paralelamente, uma nota tecnica do Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos, no final de janeiro, criticou a vacinação de crianças e disponibilizou o Disque 100, canal de denúncias de violações, para negacionistas.

Na mesma semana, foi a vez da própria pasta da Saúde, de Queiroga, emitir uma nota técnica que contraria cientistas e a Organização Mundial da Saúde (OMS), afirmando que vacinas não tem confirmação de segurança.

O texto da Secretaria de Ciência, Tecnologia, Inovação e Insumos Estratégicos (SCTIE) do Ministério da Saúde (acesse aqui, página 24, tabela 1) ainda afirmava que a hidroxicloroquina supostamente havia demonstrado maior segurança do que o imunizante.

Ainda nesta terça (08), o ministro voltar a defender que não se pode obrigar a vacinar crianças. “Vacinar uma criança, não é igual vacinar um adulto”, afirmou, completando: “Ninguém vai pegar uma criança à força e aplicar uma vacina com a criança berrando.”

Diante da postura, a Comissão de Direitos Humanos do Senado aprovou a convocação do ministro para se explicar sobre o atraso da vacinação em crianças e sobre a nota da pasta. E a resposta de Queiroga foi que “não há demora nenhuma”.

“A posição do governo foi clara no sentido de ofertar as vacinas para os pais. É um direito dos pais vacinarem os seus filhos.”

Marcelo Queiroga também chamou de “nhenhenhe” o atraso na aplicação da vacina contra a Covid-19 em crianças de 5 a 11 anos. “Pra você conter essa pandemia é muito mais importante avançar na terceira dose de que ficar nesse ‘nhenhenhe’ de vocês aqui, que a gente tá atrasando dose de vacina.”

O Brasil é o segundo país no mundo onde há mais óbitos de crianças por Covid-19, segundo levantamento da Vital Strategies divulgado pela BBC em janeiro. “A vacinação desse público é estratégia importante para reduzir o número de mortes por conta da covid-19 nessa faixa etária, no Brasil, cujos indicadores são mais expressivos do que em outras nações”, lamentou recentemente a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).

Patricia Faermann

Jornalista, pós-graduada em Estudos Internacionais pela Universidade do Chile. Coordenadora de Projetos. Repórter e documentarista de Política, Justiça e América Latina do GGN desde 2013.

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1 Comentário
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  1. Carlos da Costa

    8 de fevereiro de 2022 5:38 pm

    Queiroga, PARECE Médico mas na realidade é negacionista e office_boy de Bolsonaro.

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