4 de junho de 2026

Dois meses após transplante, morre o primeiro paciente a receber rim de porco

Procedimento representou marco na medicina e foi comandado por brasileiro; em 2021, transplante foi testado em pacientes com morte cerebral
Crédito: Hospital Geral de Massachusetts

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Richard Slayman, de 62 anos, morreu no último sábado (11), nos Estados Unidos, mas a causa da morte não foi divulgada. Ele foi o primeiro ser humano a receber um rim de um porco modificado geneticamente em março. 

A cirurgia foi comandada pelo médico brasileiro Leonardo Riella, no Hospital Geral de Massachusetts. A equipe médica, no entanto, afirmaram em comunicado que não há indícios de que a morte esteja relacionada com o transplante e que o rim de porco deveria durar, pelo menos, dois anos.

Após a cirurgia, Slayman afirmou que estava vivendo um dos momentos mais felizes da vida. A família agradeceu os enormes esforços dos médicos, pois o xenotransplante lhes deu mais sete semanas para conviver com o paciente.

Entenda o transplante

Conhecida por xenotransplante, o procedimento consiste em usar órgãos de porcos porque são semelhantes aos dos humanos. Porém, há uma modificação genética, em que são retirados os genes suínos que levariam à rejeição do órgão animal pelo corpo humano. 

Neste procedimento, os pesquisadores inseriram ainda genes humanos nos rins, para melhorar a compatibilidade entre órgão e corpo e eliminar o risco de infecção. A cirurgia levou quatro horas.

Richard Slayman, o paciente transplantado, tem 62 anos, sofre de doença renal grave e, há sete anos, tinha de fazer sessões de diálise. 

O transplante de um rim de porco modificado para um paciente vivo foi um marco na medicina.  Em 2021, um grupo de pesquisadores de Nova York realizou o procedimento em um paciente com morte cerebral. 

No Brasil, 90% das pessoas na fila por um transplante precisam de um rim. Se bem sucedido, o procedimento pode representar uma esperança para milhares de pacientes. 

“Toda semana, temos que retirar pacientes da lista de espera porque ficam muito doentes para fazer um transplante durante a diálise. A disponibilidade oportuna de um rim poderia dar a oportunidade a milhares de pessoas de obter um tratamento muito melhor para a insuficiência renal do que a diálise”, declarou Riella.

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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