21 de junho de 2026

Dupla carga de má alimentação compromete o desenvolvimento de crianças da Amazônia

Em situação de vulnerabilidade, menores de 6 anos apresentam baixa estatura para a idade e obesidade, que acarretam outros problemas de saúde
Crédito: Fiocruz

Um estudo coordenado pela Fiocruz Amazônia, publicado pela revista científica Frontiers Public Health, analisou a dupla carga de má nutrição em crianças das zonas rural e urbana em municípios do Amazonas e constatou que a má alimentação compromete o desenvolvimento e gera efeitos negativos até a vida adulta.

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“O foco do artigo foi no conceito de dupla carga de má nutrição, ou seja, quando uma criança tem, ao mesmo tempo, excesso de peso e baixa estatura para a idade. Em outras palavras, gordinha e baixinha, ao mesmo tempo. Além do diagnóstico nutricional inédito do problema, inovamos na análise dos dados, pois usamos modelos que ajudaram a superar um conhecido problema em populações de menor porte, o de estimar eventos cuja ocorrência populacional é baixa em termos proporcionais”, explica o epidemiologista e pesquisador da Fiocruz Amazônia Jesem Orellana.

No artigo científico, a dupla carga latente de má nutrição (DCLMN) ocorre, majoritariamente, especialmente em países de baixa e média renda (LMICs) e que tende ao agravamento com o aprofundamento da crise climática. 

A condição está relacionada ainda ao risco aumentado de doenças não transmissíveis, além de  complicações no parto e custos de saúde relacionados à obesidade na idade adulta.

A iniciativa não é comum na Amazônia, tendo em vista os altos custos operacionais para realizar a pesquisa, além da segurança dos pesquisadores, tendo em vista que a região tem, cada vez mais, a presença de piratas de rio, grileiros e garimpeiros ilegais.

Para realizar o levantamento, participaram crianças em domicílios selecionados aleatoriamente em cada cidade e um total de 60 comunidades ribeirinhas. 

Como resultado, a pesquisa apontou que a prevalência rural de DCLMN foi significativamente maior em Jutai (3,3%; IC: 1,5% a 6,7%), em comparação com Maués e Caapiranga. A probabilidade de a prevalência rural de DCLMN exceder 1% foi muito alta em Jutai (99,7%) e alta em Ipixuna (63,2%). As probabilidades de a DCLMN superar o valor de 1% variaram amplamente entre as subpopulações urbanas, com valores indo de 6,7% em Maués a 41,2% em Caapiranga. Por outro lado, a probabilidade de a DCLMN superar os 3,0% foi alta na zona rural de Jutaí (59,7%).

*Com informações da Agência Fiocruz.

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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