21 de maio de 2026

Quem é o médico Francisco Cardoso, defensor da cloroquina eleito para o CFM?

O infectologista defendeu no Senado a autonomia médica para a escolha do tratamento de pacientes; "Que os cientistas pesquisem e publiquem"
Crédito: Reprodução/ Facebook

“Paciente sempre em primeiro lugar”. Este é o lema do infectologista Francisco Cardoso, que defendeu o uso da cloroquina no tratamento contra Covid-19 e foi eleito como novo conselheiro dos médicos do estado de São Paulo no Conselho Federal de Medicina (CFM), autarquia que possui atribuições constitucionais de fiscalização e normatização da prática médica no Brasil.

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Cardoso ficou conhecido por, em 2021, na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid no Senado, defender o uso da cloroquina e da hidroxicloroquina devido ao melhor desempenho inicial contra a Covid entre diversos remédios testados.

“Não cabe a demais entes deste país definirem que tipo de tratamento pode ou não ser dado, seja na Covid-19, seja em qualquer outra doença. se permitirmos que isso ocorra, será o fim da civilização e o início da barbárie na saúde. Em minha vivência na Covid-19, já atendi a mais de mil casos muito graves, com poucos óbitos, graças a Deus”, iniciou o infectologista.

“Nós temos resultados, excelentíssimos senadores, não é opinião, são fatos se o remédio funciona, se ele deve ser aplicado ou não de acordo com cada caso clinico, dentro da autonomia médica, compete aos médicos, sobre a guarda do CFM e dos conselhos regionais de medicina. Se nesse momento eu não consigo descrever com precisão sobre o calibre de ação, isso é secundário. Que os cientistas pesquisem e publiquem. Nós médicos estamos aqui para atender as pessoas e salvar vidas. Nada pode nos desviar desse destino”, emendou Cardoso. 

Mas a Organização Mundial da Saúde (OMS) já tinha concluído a ineficácia de ambos os medicamentos no combate ao vírus. 

Atualmente, no próprio site, o infectologista oferece tratamentos descritos por ele como inovadores e duradouros para os sintomas pós-Covid, além de se apresentar como um especialista comprometido em recuperar a saúde e a vitalidade dos pacientes de forma holística e personalizada.

Condenação

Em 2022, o infectologista tentou disputar a diretoria da Associação Médica Brasileira, período em que divulgou inverdades e truculências e, por isso, recebeu “uma punição exemplar na Justiça”, segundo informe da Associação Paulista de Medicina.

Em 2022, o Francisco Eduardo Cardoso Alves foi condenado a três meses de prisão por propagar informações falsas e injúrias em 2020, de acordo com o veredito do juiz de Direito José Fernando Steinberg. 

“Fica o lamentável registro, por ser uma afronta aos médicos de São Paulo: a ação correu no Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, por meio da Vara do Juizado Especial Criminal do Foro Central Criminal Barra Funda, movida pelo atual presidente da Associação Médica Brasileira, César Eduardo Fernandes, questionando ataques e informações inverídicas plantadas na rede social Facebook pelo então membro da Chapa 1, Francisco Eduardo Cardoso Alves, durante o processo eleitoral para a Diretoria da AMB, em 2020”, publicou a APM no próprio site.

Influenciador e militante

No Instagram, o médico bolsonarista reúne 370 mil seguidores, replica todas as pautas que mais geram engajamento entre os conservadores: faz publicações em que defende o posicionamento pró-vida, critica o regime de cotas definido por Lula no programa Mais Médicos, reposta publicações contra a descriminalização das drogas.

Cardoso também é presença constante em podcasts declaradamente bolsonaristas, entre eles o de Paulo Muzy, que recebeu, junto com Renato Cariani, o ex-presidente Jair Bolsonaro em período eleitoral. 

O infectologista recebeu até o apoio de Luciano Hang, da Havan, na recente candidatura ao CFM. No vídeo, o empresário chama Cardoso de amigo e “o cara”.

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

2 Comentários
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  1. evandro condé

    9 de agosto de 2024 9:07 am

    Uai, acho que a bula é fruto de pesquisa. Pelo visto, para o dito cujo, vale o achosmo.

  2. Moacir Rodrigues de Pontes

    9 de agosto de 2024 5:47 pm

    Foi eleito porque teve o apoio da maioria dos médicos votantes… Parece que já não mais se fazem médicos como antigamente… Seria também o “novo normal”?

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