Vida após enchente: as orientações de um infectologista para higienizar as residências afetadas no RS

Na volta para casa, os gaúchos devem higienizar a casa com água e sabão, seguida de uma solução de água com água sanitária

Crédito: Rafa Neddermeyer/ Agência Brasil

Sem precedentes, as enchentes causadas por chuvas torrenciais e, consequentemente, a elevação do Rio Guaíba a recorde histórico pode causar ainda mais prejuízos em todo o estado do Rio Grande do Sul. Especialistas temem ondas de diarreias, leptospirose e hepatite A, tendo em vista a exposição prolongada da população à inundações. 

Em geral, enchentes são compostas pela mistura de águas pluviais, fluviais, do esgoto e de locais insalubres. Assim, é comum que contenham coliformes fecais e bactérias que vão desencadear diversas doenças, como explicou ao GGN o médico infectologista da Santa Casa de Araçatuba Fábio Bombarda.

Uma das principais preocupações está relacionada às diarreias agudas, provocadas justamente pelos coliformes fecais e bactérias, pelo contato com mucosas na pele e contaminação de alimentos e suas embalagens.  

A transmissão da hepatite A, também por conteúdo fecal, raramente resulta em casos graves, mas não deixa de ser preocupante, especialmente em casos em que o paciente não foi vacinado, é imunossuprimido ou criança. 

Por fim, a leptospirose também alerta os profissionais da saúde, tendo em vista que cerca de 10% dos casos podem evoluir para quadros graves  ou a óbito. 

Recomendações

Na volta para casa após as enchentes, os gaúchos devem higienizar a casa com água e sabão, seguida de uma solução de água com água sanitária. A proporção recomendada por Bombarda é de 4 partes de água para 1 parte de água sanitária. 

Para esta solução, se uma pessoa utilizar quatro litros de água, deverá acrescentar à solução um litro de água sanitária. 

Os cidadãos devem lavar o chão, paredes, utensílios domésticos, alimentos embalados e outros objetos que tiveram contato com a água de enchente como sabão e, em seguida, deixar a solução com água sanitária agir por 30 minutos.

Já objetos que apresentam absorção, como colchões, travesseiros, sofás e almofadas, devem ser descartados, pois apresentam a tendência de acumular bactérias mesmo depois de passarem por um processo de higienização. 

“Quando as pessoas voltam para casa, elas encontram primeiramente muito barro, muita sujeira e muita água parada. uma das primeiras coisas que a gente tem de observar é o aumento do risco de acidentes com animais peçonhentos”, continua o infectologista. 

Portanto, os gaúchos devem usar ainda luvas e botas, pois além de se proteger de animais peçonhentos, também evitam a transmissão de tétano a partir de ferimentos com cacos de vidro e objetos cortantes que podem estar na água ou na lama. 

As caixas d’água também devem ser drenadas e lavadas, inclusive com a solução de duas gotas de água sanitária para cada litro de água. E a população deve se atentar para a eliminação de água parada, a fim de prevenir a proliferação do aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue. 

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Camila Bezerra

Jornalista

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