5 de junho de 2026

Pesquisadores criam medicamento biotecnológico “do zero” para tratar câncer

Jornal GGN – Uma equipe de pesquisadores do Instituto Sloan Kettering de Pesquisa de Câncer, em Nova York, nos Estados Unidos, conseguiu sintetizar um tipo de medicamento biotecnológico “do zero”, sem a necessidade de utilizar células vivas. O trabalho, publicado em edição recente da revista Science, abre caminho para o desenvolvimento de novos tratamentos contra o câncer.

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Os medicamentos modernos para tratar a doença tendem a cair em duas categorias principais: aqueles que são feitos de moléculas pequenas e surgem a partir de reações químicas e os que são criados usando células vivas. A primeira categoria é bem compreendida e constitui a maior parte dos medicamentos no mercado. A segunda é mais complicada, uma vez que geralmente envolve a imitação de proteínas normalmente encontradas no corpo.

Um exemplo desse segundo grupo é a droga EPO (eritropoietina), criada a partir de células de ovário de hamsters, que tem a finalidade de estimular a produção de células vermelhas do sangue. A EPO também acabou ficando conhecida por ser usada por ciclistas durante o Tour de France. Normalmente, ela é indicada para tratar a anemia.

No novo trabalho, os pesquisadores desenvolveram uma maneira de criar a EPO literalmente do zero, sem o uso de células vivas. Na natureza, ela existe em muitas formas e, em seres humanos, é criada naturalmente pelos rins.

Sintetização

Para criá-la em laboratório, a equipe usou quatro entradas de metodologia sintética, que permitiram a construção da cadeia que compõe a proteína, com grandes açúcares incorporados. O resultado: um fármaco que, quando testado em laboratório, foi usado para induzir a criação de células vermelhas do sangue em ratos.

Sintetizar a glicoproteína, em vez de realizar o cultivo, tem uma vantagem principal: é possível criar uma versão exata do produto. Quando a EPO é cultivada, por exemplo, muitas variantes diferentes podem ocorrer por causa da sua natureza biológica, o que significa que cada dose é ligeiramente diferente da maioria das outras. Ao ser sintetizada, contudo, a droga possui uma única variante cada vez que é produzida. Talvez mais importante, segundo os pesquisadores, é que o método também permite o desenvolvimento de variantes individuais, dependendo da necessidade.

O processo utilizado pela equipe nesta nova pesquisa ainda precisa passar por testes adicionais. Mas os resultados obtidos sugerem que, no futuro, as empresas farmacêuticas não terão mais que contar com os caprichos de células vivas para a fabricação de tratamentos baseados em proteínas.

Com informações do Phys.org

Redação

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

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