5 de junho de 2026

A relevância do tema segurança pública para a pauta eleitoral

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Jornal GGN – A preocupação com a segurança pública só perde para a saúde, no Brasil. O tema deveria ser levado aos debates presidenciais porque atinge o cidadão em cheio, com o aumento dos delitos e a baixa resolução dos crimes. A insegurança deveria ser tema recorrente entre os candidatos.

Mas se segurança é de responsabilidade dos governos estaduais, onde o governo federal poderia intervir? Sua tarefa primordial é induzir reformas e buscar instrumentos que melhorem a segurança e a interlocução com os governos estaduais.

Segundo a reportagem veiculada no El País, para o cidadão comum não importa de quem é a responsabilidade pela segurança, ele irá culpar todas as instâncias de governo por se sentir acuado. Leia a reportagem:

Enviado por Max

do El País

Brasil, um país sem uma política de segurança pública

Especialistas dizem que o Governo federal não é protagonista no combate à criminalidade

AFONSO BENITES

Há duas décadas as primeiras pesquisas de opinião identificaram que a segurança pública seria um dos temas que deveriam ser levados aos debates presidenciais no Brasil. Isso porque é um assunto que passou a preocupar os cidadãos, diante do aumento das taxas de roubos e homicídios, da baixa resolução dos crimes e do consequente aumento da sensação de insegurança.

Naquela época, a taxa de homicídios era de 20,2 para cada grupo de 100.000 habitantes. Ou seja, a cada dia 83 pessoas eram assassinadas no país. Depois de dois governos tucanos (Fernando Henrique Cardoso – 1995 a 2002) e quase três petistas (Lula da Silva – 2003 a 2010 e Dilma Rousseff – 2011 a 2014) a taxa saltou para 29, o que quer dizer que 154 assassinatos acontecem por dia.

Com exceção dessa elevação, pouco parece ter mudado, segundo analistas consultados pelo EL PAÍS e conforme os mais recentes levantamentos feito a esse respeito. Uma pesquisa do Instituto Datafolha divulgada no início deste mês mostrou que 25% dos brasileiros dizem que o problema que mais o aflige é a segurança pública. Só a saúde tem um índice maior, 32%.

Casos recentes de assassinatos, como uma chacina em janeiro no interior de São Paulo ou a rebelião em uma penitenciária do Paraná neste fim de semana, só reforçam essa percepção negativa que atinge governadores, prefeitos e o presidente da vez. “Para os cidadãos não importa se a lei diz que a responsabilidade pela segurança pública é do Estado. Para eles, todos são responsáveis e, de certa maneira, eles têm razão”, ponderou o coordenador do Núcleo de Estudos sobre Violência da Universidade de Brasília, Arthur Trindade Costa.

O governo federal se mostrou muito tímido na tarefa de induzir reformas e em buscar instrumentos que melhorem a segurança

Arthur Trindade Costa, professor da UnB

Pesquisador do tema há quase vinte anos, Costa diz que as ações precisariam de uma integração maior entre todos os entes e esse protagonismo deveria ser da União. “Até agora, o governo federal se mostrou muito tímido na tarefa de induzir reformas e em buscar instrumentos que melhorem a segurança”, avalia.

O que chama a atenção é a falta de continuidade de projetos nas trocas de governos. Um exemplo é o Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci), criado na gestão Lula, mantido nos primeiro anos de Rousseff, e extinto por ela mesma na segunda parte de seu mandato em troca do projeto Brasil Mais Seguro.

“Em muitos casos a participação do governo federal se resume em comprar viaturas e oferecer treinamento para os policiais. Isso não é uma política de segurança”, diz o sociólogo José Luiz Ratton, professor da Universidade Federal de Pernambuco e um dos idealizadores do Pacto Pela Vida, projeto do governo pernambucano que reduziu os homicídios em quase 60% em sete anos.

A vida vale muito pouco no Brasil

Pedro Bodê de Moraes, professor da UFPR

Obscuro

A falta de transparência na divulgação dos dados é outro fator que dificulta a criação de um plano nacional de segurança e de qualquer outro planejamento. Países como os Estados Unidos ou o Canadá produzem há quase um século anuários estatísticos detalhando onde ocorreram os principais crimes. O governo brasileiro nunca fez por si só nada parecido. Ao invés disso, financia alguns projetos específicos, como o anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública ou Mapa da Violência. São iniciativas importantes, mas sem o carimbo direto da União.

Sem informação, o índice de esclarecimento de crimes se reduz. Isso sem contar a falta de estrutura que influencia diretamente nesse quesito também. O estudo “Investigação sobre homicídios no Brasil”, lançado em maio de 2013, mostra que dependendo do Estado menos de 15% dos casos são solucionados. Um dos problemas é a falta de estrutura. Em algumas cidades do entorno do Distrito Federal, por exemplo, há quatro policiais para esclarecer qualquer crime. “Para se solucionar um homicídio, o ideal é que o policial esteja no local do assassinato em menos de 24 horas depois do ocorrido. Mas com essa quantidade de pessoal, isso não é possível”, afirma o pesquisador Trindade Costa.

Outro empecilho é a falta de empenho dos governantes. “O papel do gestor de segurança é fundamental. Os casos brasileiros em que houve um avanço tiveram a participação direta dos secretários ou governadores. Isso deveria ser replicado nacionalmente”, pondera o pesquisador Bráulio Silva, do Centro de Estudos de Criminalidade e Segurança Pública da Universidade Federal de Minas Gerais.

Nas eleições deste ano o tema voltou a fazer parte dos programas de governo dos principais candidatos. As equipes das campanhas do PSDB, de Aécio Neves, e do PSB, de Marina Silva, já deixaram claro que vão tentar repetir as ações que seus partidos tomaram em dois Estados que governaram, Minas Gerais e Pernambuco. Já o PT, de Dilma Rousseff, não deixou claro se manterá a atual política de financiamento eventual dos Estados, sem uma intervenção direta, ou se implantará algo mais profundo.

Para o sociólogo Pedro Bodê de Moraes, da Universidade Federal do Paraná, sem uma política de segurança que privilegie a redução principalmente dos homicídios, o Governo vai passar um duro recado à sociedade: “A vida vale muito pouco no Brasil”.

Lourdes Nassif

Redatora-chefe no GGN

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8 Comentários
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  1. Lionel Rupaud

    27 de agosto de 2014 1:19 pm

    Fato é que os anos Lula e Dilma nada fizeram de fato

    nesta área. Os ministros da justiça pareceram mais interessados por seus futuros empregos ou negócios no judiciário. E o que foi feito de positivo na Policia Federal foi jugado no lixo pelo medo de Lula enfrentar o Gilmar Dantas e pela total falta de apetite para o exercício do poder e da política pela atual ministro da justiça cujo nome já esqueci.

  2. Assis Ribeiro

    27 de agosto de 2014 1:36 pm

    Sem inserir o Brasil

    Sem inserir o Brasil definitivamente na classe média todos os esforços serão inúteis.

    Não se diga que foi falta de avanço, de investimentos, treinamento, capacitação e melhoria técnicas. Isso é demonstrar total falta de conhecimento no que se fez nas polícias estaduais, federal e na articulação entre elas.

    Educação e acesso ao estado é a única possibilidade de transformar o povo em cidadão, e premissa obrigatória para avanços no setor da segurança pública.

    Isso passa pelas reformas de base tentadas no passado e que derrubaram presidente e que passa longe dos debates sérios atuais sejam dos candidatos, seja dos demais formadores de opinião.

    Isso que dizer, acabar com a nossa formação com base na casa grande e senzala.

    1. Francy Lisboa

      27 de agosto de 2014 1:38 pm

      Na mosca Assis.
      Naoa dinata

      Na mosca Assis.

      Naoa dinata ficar demonizando ou romatizando que se degladia no morro e nas perifierias, eh precio que haja cultura de paz, mas isso eh soh mais uma das falacias, mlehor, mitos que cercam a socieade brasileira. Episodios se repetem e a internet soh veio para confirmar que a maioria dos brasileiros tem tendecias medievais quando fala em combater o crime.

      Eh maioria SIM. As policias de uma forma geral, e isso podemos generalizar sem problemas, odeiam as esquerdas, desde o PT, mais moderado, ateh, claro, o PSOL e outros radicais. Ha um sentimento de ojeriza em relacao a quem simplesmente nao quer que a punicao seja olho por olho, mas sim que ela venha na forma da Lei. Esse sentimento de matanca eh mais exacerbao nas camadas populares, com pessoas que mal escutam uma denuncia de estupro, e jah pensam que se deveria pegar um abo de vassoura e enfiar vcs sabem onde.

      As classes mais abastadas tbm nao ficam longe, expressam seu atraso ao fazer passeata quando o juniro morre, mas relativiza quando o dancariono DG foi cruelmente assassinado, ao dizer que “ele era amigo de traficante”. Mais uma coisa para vanacarmos e soh mesmo com politicas publicas para superar pensamentos atrasados em relacao aos direitos humanos.

       

  3. drigoeira

    27 de agosto de 2014 1:56 pm

    Segurança pública tem que ser…

    Tolerância zero!

    Eliminar o sinal de rede de celular nos presídios.

    Separar os presos por crimes cometidos. Presos reincidentes perdem o direito da visita de parentes.  

    Remunerar o policial por desempenho. Contratar mais policiais, proibição dos bicos.

    Criar uma rede de proteção nas cidades pela instalação de câmeras e radares inteligentes na entrada e saída das cidades, registrando o transito de veículos com documentações irregulares e envio do sinal para as polícias irem ao encalso do mesmo e apreensão do veículo.

    Remunerar o judiciário por desempenho.

    1. Klaus BF

      27 de agosto de 2014 5:59 pm

      As penas!

      E o judiciário? Nadinha?

    2. Nicolas Crabbé

      28 de agosto de 2014 11:03 am

      1984…

      Big Brother is watching you…

  4. Bruno Cabral

    27 de agosto de 2014 2:10 pm

    Insegurança

    Falar em baixa resolução de crimes sem levar em conta a impunidade causada pela demora da justiça (com j minúsculo) é tentar tapar o sol com a peneira.

    A polícia precisa se modernizar, usar perícia cientifica, sim, mas a justiça também precisa ser mais célere. Somente com a real ameaça da compensação judicial é que a taxa de crimes irá diminuir, pois os poderosos tem certeza que não serão pegos e os que estão abaixo da lei já sabem que o mundo é cão e que se forem presos não terão oportunidade de se ressocializarem, então fica tudo por isso mesmo.

  5. Nicolas Crabbé

    28 de agosto de 2014 11:42 am

    “A vida vale muito pouco no Brasil”

    Isso é fato.

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