Formação de policiais ou da Quinta Coluna?

Enviado por Desiludido

O Brasil e os mercenários da Blackwater

(Jornal do Brasil) – A Folha de São Paulo informa  que 22 agentes e policiais militares estiveram, por vários dias, em treinamento, nos Estados Unidos, em atividades “antiterroristas”. O curso foi ministrado pela Blackwater, hoje Academi, uma organização “terceirizada” de mercenários, que é conhecida, justamente, por ter auxiliado os Estados Unidos, em vários países do mundo, em atividades de terrorismo de estado. 

Ora, nossos agentes e soldados não tem absolutamente nada a aprender com os EUA a propósito da “luta contra o terror”. Primeiro, porque não possuímos – como eles, que a criaram, interessadamente – uma doutrina “antiterrorista”, e também porque não temos porque adotar uma no futuro. Nem consideramos como terroristas os povos e grupos que os norte-americanos acusam de terrorismo, como os iranianos ou os palestinos. 

O Brasil democrático – é duro ter que lembrar isso todo o tempo – não invade nem rouba territórios alheios, não apóia golpes em terceiros países, nem possui inimigos no mundo. A não ser, claro, aqueles – como é o caso justamente dos EUA – que querem voltar aos velhos tempos em que tinham quase que total domínio sobre o nosso destino. 

E que para isso ficam inventando histórias da carochinha para enganar o bando – sempre disponível – de néscios embasbacados, ao longo de anos, pelos seminários de “segurança” estilo Escola das Américas; tapinhas, nas costas, dos adidos militares “ocidentais”; e pelas séries policiais de TV e os filmes de espionagem norte-americanos. 

É incompreensível, para não dizer inaceitável – mesmo considerando-se toda a pressão advinda da oposição e da própria administração pública – que um governo que se diz nacionalista e de “centro-esquerda” aceite “ajuda”, em treinamento, de uma potência hegemônica estrangeira.

E, menos ainda, que forças brasileiras de segurança sejam “adestradas” por uma quadrilha de mercenários, pertencentes a uma “empresa” conhecida pela prática do assassinato e da tortura em países como o Iraque, em conflito, no qual, o Brasil esteve, desde o início, radicalmente contra a posição norte-americana. Afinal – mesmo que justificável fosse esse tipo de “treinamento” – a Blackwater é mais conhecida por sua estupidez e trapalhadas, do que por sua eventual competência em uma área em que se costuma valorizar mais a inteligência que a brutalidade e o gatilho.

Ela é apenas uma unidade de “seguranças”, e não uma tropa de elite.  Não se conhece uma única operação em que a Blackwatertenha detido algum importante “terrorista”, como são chamados os que se insurgem, normalmente em seu próprio solo, contra a OTAN e os Estados Unidos. Mas seus homens são sobejamente conhecidos por atirar em pessoas inocentes e por outras situações que não exigem nenhum tipo de coragem pessoal. 

Entre elas, ficou famosa uma simples missão de proteção de um comboio que levava pessoal do Departamento de Estado, para uma reunião com funcionários da Agência de Desenvolvimento Internacional dos Estados Unidos, no Iraque, no dia 16 de setembro de 2007. A incompetência dos homens da Blackwater Personal Security Detail transformou uma simples missão de escolta, em um tiroteio descontrolado, e não justificado, contra uma multidão desarmada de civis iraquianos, que deixou um saldo de 17 mortos e dezenas de feridos, na Praça Nisour, em Bagdá.

Entre outras falhas de segurança e de autocontrole e disciplina, um dos assassinos da empresa continuou atirando nos civis mesmo depois do fogo ter sido suspenso, e só deixou de disparar quando um “colega” se aproximou e, apontando a arma para sua cabeça, ameaçou abatê-lo, se continuasse a fazê-lo. O massacre indignou o governo e a população iraquiana, e o episódio foi determinante para a posterior saída das tropas norte-americanas, e da própria Blackwater, do país. 

Pressionado, o Departamento de Estado foi obrigado – só então – a baixar uma lei colocando sob a jurisdição dos tribunais norte-americanos crimes passíveis de punição cometidos por mercenários de empresas “terceirizadas”, em território estrangeiro; uma investigação da Câmara dos Deputados dos EUA, determinou que os homens da Blackwater estavam envolvidos em vários episódios de “uso excessivo de força”, com mortes, no Iraque, e que em 80% dos casos disparavam sem ter sido previamente atacados. 

O deputado norte- americano, Henry Waxman, declarou, após produzir relatório sobre o tema, que a controvérsia sobre a Blackwater era uma infeliz demonstração dos “perigos do relaxamento excessivo”, na contratação de seguranças privados pelo sistema de defesa dos Estados Unidos. No mesmo ano, a ONU divulgou um estudo, declarando que a contratação de empresas privadas como a Blackwater não passa de nova forma de encobrir “atividades mercenárias”, o que é claramente  ilegal sob as leis internacionais. 

Os EUA – que se apresentam como os paladinos da defesa da Lei e da Ordem – não são signatários da Convenção das Nações Unidas de 1989, que proíbe o uso de mercenários. Também não aderiram ao protocolo adicional de 1977 à Convenção de Genebra, que classifica os mercenários como civis “que participam diretamente de combates, com o intuito de ganhos privados”. Para o governo brasileiro, o episódio do treinamento de forças de segurança nacionais por uma empresa ilegal, aos olhos da legislação internacional, sediada nos Estados Unidos, é uma vergonha.

Primeiro, porque se o governo tinha conhecimento disso no mais alto escalão, sabia do papelão que estava fazendo perante parte da opinião pública, e a parceiros do BRICS e da América do Sul. Em segundo lugar, porque se a decisão foi tomada de forma independente pela “Secretaria de Segurança para Grandes Eventos” é preciso reforçar, por lei, o conceito, de que a aceitação de “ajuda” de terceiros países para treinamento de policiais brasileiros de qualquer escalão ou organização, é assunto de segurança nacional e deve ser de  exclusiva atribuição da Presidência da República, ouvida a Comissão de Relações Externas, no Congresso. 

Não é preciso ser expert para saber que sob o manto desses programas de “cooperação”, os Estados Unidos não buscam nada mais do que cooptar – como fizeram no passado – técnica e ideologicamente nossos agentes e oficiais, para a defesa de seus interesses e de sua visão de mundo. Com a esperança, até, de obter apoio ou facilitação, eventualmente, para futuras ações de espionagem, em território brasileiro. 

Para efeito de comparação, o que não estaria ocorrendo, se, por decisão de uma comissão qualquer – sem eventual conhecimento do Itamaraty e da Presidência da República – no lugar de ir para Moyock, na Carolina do Norte, esse pessoal tivesse viajado para um centro de treinamento em Cuba, ou na Rússia?

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18 comentários

  1. Esquadrões da Morte

    Kiev decide contratar mercenários estrangeiros para domar insurgentes no leste da Ucrânia

    ITAR-TASS | Willy Loman | 25 Março 2014

    “O diretor da CIA, foi enviado para Kiev para lançar uma campanha de repressão militar no leste da Ucrânia e no sul, onde está a maior parte dos antigos territórios russos que foram estupidamente ligados à Ucrânia nos primeiros anos do regime soviético”, disse o ex-secretário assistente do Tesouro dos EUA Paul Craig Roberts à RIA Novosti nesta terça-feira.

    “Os esquadrões da morte são usados ​​rotineiramente quando táticas militares tradicionais não conseguem suprimir a oposição política, como é o caso no leste da Ucrânia.” – Kurt Nimmo

    Autoridades ucranianas pretendem atrair companhia militar privada Greystone limitada dos EUA para suprimir os protestos da população de maioria de língua russa no leste do país.

    De acordo com o Serviço de Segurança da Ucrânia, mercenários serão envolvidos em pesquisa política e proteção da segurança do Estado devido à incapacidade das agências ucranianas na aplicação da lei para coibir os líderes e ativistas do movimento pró-Rússia de forma independente. 

    Esta iniciativa foi apresentada pelos oligarcas Ihor Kolomoyskyi, coproprietário do PrivatBank da Ucrânia um e Serhiy Taruta, chefe do sindicato industrial de Donbass, uma bacia de carvão no leste da Ucrânia, uma vez que estes magnatas foram nomeados governadores da região Dnepropetrovsk, na região central da Ucrânia e região de Donetsk na Ucrânia oriental, respectivamente.

    Uma fonte do Serviço de Segurança da Ucrânia, que participou de recente reunião extraordinária presidida pelo presidente interino nomeado pelo parlamento, Oleksandr Turchynov, relatou sobre este fato.

    “Turchynov acredita que as agências de aplicação da lei em regiões orientais não podem resolver a questão do movimento pró-russo e, por isso, eles decidiram contratar mercenários estrangeiros”, disse o oficial de segurança. “Nos debates sobre o plano de ação proposto por Kolomoyskyi ‘não há pretensão de reinventar a bicicleta (…)”.

    O serviço de segurança Greystone é registrado nas ilhas de Barbados do Caribe. 

    A empresa recruta pessoas de diferentes países através de sua subsidiária Satelles Solutions Inc.

    Ela promete aos seus clientes fornecer “os melhores militares do mundo para cumprir as tarefas em qualquer parte do mundo até operações de grande escala.”

    A companhia militar privada Greystone Limited, de raízes britânicas, foi criada há 47 anos, por veteranos dos comandos ingleses do Special Air Service – SAS como uma organização basicamente composta por mercenários em 1967.

    A empresa foi registrada como WatchGuard International e chamou a atenção para si mesma depois do fracasso na primeira operação em larga escala: um atentado contra a vida do líder líbio Muammar Gaddafi em 1971.

    Mais tarde, a organização realizou a segunda operação contando com comandos formados por aposentados dos US Navy SEALs, durante a guerra dos EUA no Iraque em 2003-2011, quando grandes empresas utilizaram, ativamente, os serviços da Greystone. 

    Agora a Greystone Limited é um dos ramos de um grande império mercenário dos Estados Unidos que muda os nomes constantemente.

    A Greystone Limited era conhecida como Blackwater até 2009, quando mudou o nome para Xe Services and Academy e agora,o nome foi, novamente alterado para  US Training Center.

    Os assassinatos, tiros em manifestantes e o contrabando de armas implicava má fama por todos os lados no Oriente Médio, Ásia, África e agora a Ucrânia é o seu próximo alvo.

    Não há informação exata sobre o volume do mercado de serviços militares privados, que é estimado em cerca de US $ 200 bilhões anualmente. 

    Altos funcionários norte-americanos – do Departamento de Estado dos EUA Bureau de Contraterrorismo, Centro de Contraterrorismo da CIA e os serviços de inteligência dos Estados Unidos – sempre ocuparam postos-chaves no império dos soldados da fortuna.

    jns | sab, 19/04/2014 – 12:45

    http://jornalggn.com.br/noticia/o-ressurgimento-do-neonazismo-na-ucrania-negado-pela-midia#comment-288225

  2. O presidente do Equador

    O presidente do Equador -Rafael Correa- havia proíbido financiamento e treinamento de agentes de policias equatorianos por parte dos norte-americanos.

    Tem hora que realmente dá vergonha de ser brasileiro. Nao aprendemos nunca, nem com os erros do passado.

  3. Blackwater

    Desuludido,

    “…Para efeito de comparação, o que não estaria ocorrendo, se, por decisão de uma comissão qualquer – sem eventual conhecimento do Itamaraty e da Presidência da República – no lugar de ir para Moyock, na Carolina do Norte, esse pessoal tivesse viajado para um centro de treinamento em Cuba, ou na Rússia?…”

    Quase ninguém gosta de fazer comparações de banana com banana, somente as de banana com laranja.

    E se a Rússia resolvesse se instalar miltarmente em Duba e no Canadá ? É a mesma coisa.

    De qualquer maneira, imagina-se que estes 22 só devem ter ido com o conhecimento do Estado brasileiro, e para isto deve ser necessária uma justificativa formalizada por alguém- quem formalizou esta idiotice, e a cópia da justificativa, onde está ? Será que o destino, Blackwater, empresa terceirizada, estava explicitado na papelada ? 

    Um abraço

     

  4. ARQUIVO CIABASE

     

    WATCH LIST

    Brasil, 1962-1964. 

    O Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais (IPES), com a ajuda de fontes norte-americanas, publicou e distribuiu cartilhas, panfletos e centenas de artigos para jornais e contratou militares aposentados para exercer influência sobre os integrantes do serviço ativo.

    Philip Siekman, membro do IPES em São Paulo, organizou ‘células de vigilantes’ armados com granadas caseira para combater esquerdistas no final de 1962.

    Em 1963 o IPES patrocinou palestras e viagens de estudantes aos EUA, financiou programas de treinamento de liderança para 2.600 empresários, estudantes, trabalhadores, subvencionou organizações e distribuiu 182.144 livros.

    Entre 1962-1964 o IPES, com base na sua própria estimativa, gastou entre 200-300 mil dólares em um “grupo de pesquisa” – uma rede de inteligência formada por militares aposentados  – que circulou uma carta identificando grupos e líderes comunistas. 

    (Black, J.K. (1977). United States Penetration of Brazil, p. 85)

    DEATH SQUADS

    Por volta de 1965, foram formados Esquadrões da Morte para reforçar os serviços de inteligência e a ação brasileira de contrainsurgência. 

    Os Esquadrões da Morte contavam com muitos policiais que faziam um serviço extra. 

    A USAID e a CIA sabiam e apoiavam a participação de policiais nas atividades dos grupos de extermínio. 

    (Counterspy 5/6 1979, p. 10)

    Os esquadrões da morte começaram a aparecer depois do golpe de 1964. 

    (Langguth, A.J. (1978). Hidden Terrors, p. 121)

    Os Esquadrões da Morte brasileiros e uruguaios eram intimamente ligados e compartilhavam de treinamentos coordenados pela CIA, em pelo menos duas ocasiões.

    (Counterspy 5/6 1979, p. 11)

    Após golpe apoiado pela CIA, militar usaram os Esquadrões da Morte para torturar e exterminar opositores políticos. 

    (Blum, W. (1986). The CIA A Forgotten History, p. 190)

     

    ***

     

    Ações dos Esquadrões da Morte em mais de 43 países

    Os detalhes sobre os relatórios preparados pela CIA para facilitar as ações de Esquadrões da Morte podem ser encontrados a o clicar sobre o nome do país onde houve envolvimento desta milícia.

    FONTE: [http://www.serendipity.li/cia/death_squads1.htm]

    O ex-oficial Ralph McGehee relata a ligação da CIA com os Esquadrões da Morte.

    McGehee jogou futebol na Universidade de Notre Dame

    Comandos mercenários foram contratados e geridos pela CIA em El Salvador, Guatemala, na Nicarágua pré-sandinista, na Europa (Operação Gladio), Haiti, Angola, Bolívia, Chile, Egito, Vietnã (Programa Phoenix), Timor Leste, Honduras, Indonésia, Iraque, Geórgia e muitos outros países.

    Os esquadrões da morte são usados ​​rotineiramente quando táticas militares tradicionais não conseguem suprimir a oposição política, como é o caso no leste da Ucrânia.

    A CIA montou a ANSESAL e outras redes de terror em El Salvador, Guatemala (ANSEGAT) e a organização paramilitar pré-sandinista na Nicarágua (ANSENIC). 

    A CIA criou, estruturou e treinou a polícia secreta na Coréia do Sul, Irã, Chile e Uruguai e em outros lugares criou organizações responsáveis ​​por incontáveis de milhares de torturas, desaparecimentos e mortes. (Spark, 4/1985, pp 2-4)

    A CIA patrocinou as atividades esquadrões da morte de forma de sumária desde 1953 até 1994. 

    A CIA admitiu que o  tenente-general Raoul Cedras e outros altos funcionários “estavam em sua folha de pagamento e estão ajudando a organizar a repressão violenta no Haiti”.

    Luis Moreno, um funcionário do Departamento de Estado, se gabou ter ajudado o Exército colombiano a criar um banco de dados de subversivos, terroristas e traficantes de drogas.

    Gunther Wagner

    O seu superior na supervisão do INS para o sudeste dos EUA é Gunther Wagner, um ex-soldado nazista e membro chave do extinto Departamento de Segurança Pública (OPS) que coordenou projetos de apoio aos contrainsurgentes e terroristas em dezenas de países. 

    Gunther Wagner trabalhou no Vietnã como parte da Operação Phoenix e na Nicarágua, onde ajudou a treinar a Guarda Nacional – o artigo também detalha massacres na Indonésia. [Haiti Information, 4/23/1994, pp. 3,4 ]

    Sete oficiais da CIA solicitaram transferências em 1960, em protesto contra o fato de um agente da CIA, Nestor Sanchez, trabalhar tão estreitamente com os esquadrões da morte. [Marshall, J., Scott P.D., and Hunter, J. (1987). The Iran-Contra Connection, p. 294][ CIA. 1994. Mary McGrory op-ed, “Clinton’s CIA Chance.” Excoriates CIA over Aldrich Ames, support for right-wing killers in El Salvador, Nicaraguan Contras and Haiti’s FRAPH and Cedras. Washington Post, 10/16/1994, C1,2]

    As informações são de Ralph McGehee, um ex-oficial da CIA que criticou publicamente a agência e criou os arquivos CIABASE que são disponibilizados na Internet há anos, usando fontes de domínio público, expondo as atividades da CIA.

    A sinopse do livro ‘Deadly Deceits’ de Ralph McGehee pode ser encontrada em:

    http://www.ahealedplanet.net/mcgehee.htm#synopsis

    RALPH MCGEHEE: http://www.ahealedplanet.net/mcgehee.htm

    ANSESAL: http://www.historyisaweapon.com/defcon1/nairnelsalvadorbtds.html

    FONTE: http://www.serendipity.li/cia/death_squads1.htm

    jns | sab, 19/04/2014 – 15:08

    http://jornalggn.com.br/noticia/o-ressurgimento-do-neonazismo-na-ucrania-negado-pela-midia#comment-288404

  5. Jeremy Scahill – Blackwater

    Leiam o livro de Scahill -tambem publicado no Brasil – intitulado Blackwater. O livro foca na participacao da empresa nas guerras do Iraque e Afeganistao, bem como a tendencia de recrutar ex-agentes de ditaduras sul-americanas para ingressar no seu rol de funcionarios (que na verdade sao mercenarios). Varios membros da guarda de Pinochet hoje trabalham para Erik Prince. Eh uma tendencia no minimo preocupante.

  6. SOA – Escuela de Golpes

    A Escola de Assassinos

    A School of the Americas (SOA) foi estabelecida no Panamá em 1946 para promover a estabilidade na região(?) e, como resultado das atividades de seus alunos, adquiriu o cabuloso apelido de ‘Escuela de Golpes’.

    Em 1984 a School of the Americas foi expulsa do Panamá sob os termos do Tratado do Canal do Panamá e, hoje, no paradisíaco local encontra-se em atividade um majestoso hotel.

    Desde de 2001 a ‘escola de assassinos’ está localizada em Fort Benning, Georgia, e o seu programa de treinamento oferece mais de 2.000 cursos em mais de 150 escolas e instalações militares, de acordo com um porta-voz do Comando Sul dos EUA .

    Os alunos do WHINSEC são selecionados pelo país de origem e os candidatos são avaliados pela Embaixada dos EUA naquele país antes de conceder os vistos.

    A maioria dos alunos vem da Colômbia, seguida pelo Chile, Honduras, El Salvador, República Dominicana, Bolívia, Peru e Panamá e o número anual de diplomados oscila entre 700 e 1.000.

    Outros países elegíveis para participar do WHINSEC incluem Barbados, Bolívia, Brasil, Costa Rica, Equador, México, Paraguai, Peru, São Vicente, Trinidad e Tobago e Uruguai.

    Muitos oficiais superiores norte-americanos, bem como agentes para a área externa e membros das Forças Especiais, também frequentam os cursos de língua espanhola.

    O presidente panamenho Jorge Illueca definiu a escola como “a maior base de desestabilização na América Latina” e um grande jornal a apelidou de “Escola de Assassinos”.

    O orwelliano Instituto do Hemisfério Ocidental para a Cooperação em Segurança – WHINSEC.

    A manifestação e a vigília anual do grupo chamado School of the Watch Americas contra escola do Fort Benning visa, em última análise, fechar o WHINSEC, que até 2001 era conhecida como a Escola das Américas .

    Os manifestantes reclamam que muitos dos membros militares estrangeiros treinados na escola voltam para casa como instrumentos de governos corruptos para oprimir a população.

    Milhares de manifestantes foram presos por desobediência civil desde o começo das manifestações em 1990 pela alegação que a escola ensina táticas de tortura e gera ditadores.

    O protestos, realizados no portão da frente do Fort Benning, atraiam cerca de 20.000 pessoas, mas, após muitos governos na América Latina terem mudado o perfil militar para civil, registrou, nos últimos anos, a redução do tom agressivo dos seus manifestantes.

    O protesto anual contra o WHINSEC em 2005 (Mike Haskey / The Columbus Ledger- Enquirer via AP)

    Os manifestantes escolheram o dia 16 de novembro para esta vigília, pois nessa data, em 1989, funcionários do governo em San Salvador, El Salvador assassinaram padres jesuítas que estavam trabalhando pela paz e a democracia na América Latina.

    Desde 1946, a SOA treinou mais de 65 mil soldados latino-americanos em técnicas de contrainsurgência, treinamento para atiradores, comando e guerra psicológica, inteligência militar e táticas de interrogatório e os seus graduados têm consistentemente usado as suas habilidades adquiridas para travar guerras contras as populações dos seus países de origem. 

    Estão entre os seus alvos os educadores, sindicalistas, religiosos, líderes estudantis e outros ativistas que trabalham pelos direitos dos menos favorecidos. 

    Centenas de milhares de latino-americanos foram torturados, violados, assassinados, massacrados, “desapareceram” ou foram forçados a passar para a condição de refugiados por aqueles treinados na sinistra instalação americana. 

    Sob jurisdição do Departamento de Defesa, esta escola é financiada pelo dinheiro dos contribuintes dos EUA e todo o treinamento é realizado na língua espanhola, por instrutores, na sua maioria, oriundos da América Latina. 

    Segundo a própria SOA, mais de 65.000 membros de diferentes grupos militares latino-americanos participaram dos seus cursos desde a sua criação em 1946.

    O Pentágono admitiu que manuais de treinamento da SOA continham instruções sobre tortura, a extorsão e outras violações dos direitos humanos.

    Whinsec Hemisphere Institute for Security Cooperation – Ft. Benning, Georgia

    Alguns dos piores e mais notórios violadores dos direitos humanos na história da América Latina estão incluidos entre os graduados SOA / WHINSEC. 

    Não importa qual nome é referenciado, SOA ou WHINSEC, a escola é sinônimo de tortura e impunidade e os seus alunos  produziram golpes militares e são responsáveis ​​por massacres de centenas de milhares de pessoas. 

    Alguns dos graduados mais notórios deste centro de treinamento são os ditadores Manuel Noriega e Omar Torrijos do Panamá, Leopoldo Galtieri e Roberto Viola da Argentina, Juan Velasco Alvarado do Peru, Guillermo Rodriguez, do Equador e Hugo Suarez Banzar da Bolívia. 

    Os graduados SOA foram responsáveis ​​pelo massacre de Uraba na Colômbia; o massacre de 900 civis em de El Mozote, em El Salvador; o assassinato do arcebispo Oscar Romero e o massacre de seis padres jesuítas em El Salvador junto com a governanta Celina Ramos e a sua filha Elba Ramos, de 14 anos de idade, além de centenas de outros abusos dos direitos humanos e são, também, suspeitos do assassinato de Dom Gerardi na Cidade da Guatemala, em 1998.

    O manual secreto do Exército dos EUA, usados ​​para treinar militares latino-americanos entre 1982 a1991, defendim as execuções, torturas, chantagens e outras formas de coerção contra os insurgentes, de acordo com os documentos recentes revelados pelo Pentágono. 

    O manual ensina recrutar informantes e controlar os agentes de contrainteligência usando “o medo, o pagamento de prêmios por inimigo morto, espancamentos, cárcere privado, execuções e o uso de soro da verdade”, de acordo com um resumo do documento secreto do Departamento de Defesa sobre os manuais compilados durante uma investigação realizada em 1992 e também lançados recentemente.

    Conteudo e imagens da Internet

    jns | ter, 25/03/2014 – 20:53

    http://jornalggn.com.br/noticia/o-caos-politico-que-precedeu-o-golpe-de-64#comment-260372

  7. Cuidado com os comentários!

    Cuidado com os comentários! Observem que a matéria fala de agentes e policiais militares. Isso define que alguém, de alguma corporação federal foi fazer treinamento com essa empresa? Ou foram integrantes de corporações estaduais? Com qual objetivo declarado?

  8. Todo esse barulho porque 22

    Todo esse barulho porque 22 PMs e PCs foram fazer um curso mequetrefe de 20 dias? Sério mesmo que o articulista está preocupado com a “influencia” que eles possam exercer na tropa?

    Só a PM de SP tem cerca de 180 mil homens. A Civil, cerca de 40 mil.

    Vão ter que gastar saliva esses 22, hein? 

    A direita tem seus lunáticos que enxergam comunistas embaixo da própria cama. A esquerda também parece ter os seus homólogos…

    • Se o curso é mequetrefe,

      Se o curso é mequetrefe, então é despesa inútil e deve ser descontada do ordenador da despesa pelo TCE do estado ac rescida de multa.

      E o curso pode ser mequetrefe, mas as conversas e propostas feitas fora de aula serem profundamente contrárias aos nossos interesses.

      Lendo a RT descobri por acaso que oficiais do exército russo só podem fazer viagens de férias a alguns países do estrangeiro. Por razões de segurança oficiais de áreas sensíveis da Rússia não podem visitar locais como o Brasil por exemplo.

      Os caras passam a conversa e fazem propostas de recrutamente, isso é óbvio.  Toda guerra americana começa com os cash squads, com o bombardeio de dinheiro.

      E esse curso mequetrefe é uma boa oportunidade, mesmo sendo um desperdício de dinheiro público.

  9. Prezado Nassif
    É bom se

    Prezado Nassif

    É bom se informar sobre os novos nomes :http://pt.wikipedia.org/wiki/Academi

    A Academi (antiga Blackwater) é uma empresa de mercenários com sede em Moyock na Carolina do Norte, Estados Unidos. É formada por vários tipos de paramilitares, por ex-integrantes dos Seals e outras chamadas forças de elite. A companhia fornece mercenários e vários outros serviços paramilitares. Foi fundada em 1996 por Erik Prince, que em agosto de 2009, em depoimentos sob juramento de ex-funcionários, foi acusado de assassinar ou facilitar o assassinato de indivíduos que vinham colaborando com as autoridades federais americanas que investigam o envolvimento da Companhia em vários escândalos. A Blackwater está atuando como força auxiliar (e de segurança) no Iraque e Afeganistão, e está envolvida em várias controvérsias e investigações.

    A empresa de Erik Prince tem uma divisão para praticamente qualquer atividade. Uma divisão de aviação – Aviation Worldwide ou Presidential Airways. Uma divisão com atividades na Colômbia e em vários países – [Greystone], uma divisão de “serviços de inteligência” – a Total Intelligence Solutions e tem também uma divisão responsável pelos serviços secretos que a companhia faz juntamente com a CIA, denominada Blackwater Select, segundo revelações do New York Times em 20 de agosto de 2009.

    O livro Blackwater – A Ascensão do Exército Mercenário Mais Poderoso do Mundo é o livro publicado no Brasil (2008) pela Companhia das Letras, escrito pelo pesquisador e repórter investigativo Jeremy Scahill, que pela primeira vez expôs as ligações da empresa Blackwater USA com algumas atividades da CIA. Foi publicado originalmente em 2006, com título em inglês “Blackwater: The Rise of the World’s Most Powerful Mercenary Army”. Documenta as atividades da empresa e apresenta informações sobre as relações de Alvin “Buzzy” Krongard (ex-diretor executivo da CIA) com Erik Prince. A ascensão meteórica da Companhia é também detalhadamente abordada por Scahill, bem como as ligações de Erik Prince com a extrema direita cristã. Um ex-funcionário da empresa disse em depoimento que Prince vê-se como um guerreiro cristão com a missão de eliminar os muçulmanos e a fé islâmica do planeta.

    A Blackwater USA assumiu essa privilegiada posição em poucos anos através dos inúmeros contratos com o governo americano, facilitados pelo envolvimento na companhia de vários executivos do governo e seus negócios ganharam considerável impulso com os atentados de 11 de setembro (2001) e com a chamada “Guerra ao Terror“.

    • De medicina por exemplo

      Tem milhares de brasileiros estudando por lá. Junto a eles, outros milhares de cubanos mesmo estão vindo ao Brasil para tratar gente que o médico brasileiro tem medo de sujar as mãos.

      O único que tem aqui de “blackwater” é a cura de doenças derivadas da falta de obras sanitárias e de tratamento de esgoto.

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