A falácia do Estado grande

Brasil Debate

Não, o Estado brasileiro NÃO é grande

Em só 1 ano, os sonegadores tomam para si, do patrimônio público, o equivalente a 20 anos de Bolsa Família. Então quem paga o imposto?

 

Que grande Estado é esse que não coleta esgoto de metade da população, que deixa 3 de cada 4 cidadãos à mercê de um sistema de saúde precário, e em que mais da metade dos escolarizados são analfabetos funcionais?
 

Quando se fala de tamanho do Estado no Brasil, frequentemente refere-se à carga tributária. E frequentemente quando se refere à carga tributária, fala-se da arrecadação fiscal como percentual do PIB. Mas serviço público não é custo variável; não fica mais barato quando o PIB decresce. O Estado continua pagando o mesmo número de professores, médicos, enfermeiros, policiais… Falar de carga tributária como percentual de PIB é como colocar o aluguel da padaria no custo do pãozinho.

A carga tributária média mensal brasileira é Int$403 per capita [1]. É a 5a menor entre as 20 maiores economias do mundo, depois de China, Índia, Indonésia e Irã.

grafico levy1

Mas mesmo como percentual do PIB, a arrecadação fiscal no Brasil é menor que a da Dinamarca, Bélgica, Suécia, França, Noruega, Finlândia, Áustria, Itália, Alemanha, Islândia, Holanda, Eslovênia, Hungria, Grã Bretanha, Espanha, Argentina, Portugal, Israel, Luxemburgo, Rep. Tcheca, Nova Zelândia e Bulgária.

grafico levy2

Frequentemente, quando se aponta que mesmo percentualmente a arrecadação fiscal brasileira não é alta comparada a estes países, contra-argumenta-se que no Brasil paga-se impostos escandinavos para receber serviços públicos africanos. Há um truque retórico aí. É como se quisesse dizer: “com serviços públicos assim, não vale a pena; prefiro não pagar”. Então ao invés de melhorar a qualidade dos serviços públicos, fica todo mundo sem, e cada um que se vire.

Leia também:  Argentina: Ajuste impossível ?, por José Luis Oreiro e Victor Dotta

Para dar um ar científico para o sofisma, aponta-se para o IRBES (Índice de Retorno de Bem Estar à Sociedade [2]) do IBPT (Instituto Brasileiro de Pesquisa Tributária). O índice é calculado como a soma de 85% do IDH e 15% da arrecadação em percentual do PIB. O que se conclui disso? Praticamente nada. Primeiro, quanto maior for a arrecadação fiscal, maior o retorno. Ou seja, um país que tributa 80% do seu PIB e tem IDH igual a 0,1, tem melhor “retorno” que um que tributa 10% e tem IDH de 0,2. Não faz o menor sentido.

Segundo, o IDH de um país tem muito mais a ver com a sua história do que com a sua arrecadação fiscal, especialmente em percentual do PIB uma vez que já vimos que serviços públicos são custo fixo, não variável. O Brasil, com sua história colonial, escravagista por 400 anos, a mais longa de toda a América, tem uma enorme dívida social. Sem falar que tem dimensões continentais, a 4ª maior população do mundo, e uma das mais diversas. Não dá para comparar com país escandinavo de loiros com olhos azuis. Há muito pouca correlação entre IDH e arrecadação fiscal, mas na pouca correlação que há, o Brasil está perfeitamente em linha.

grafico levy3

Argumenta-se então que o Estado brasileiro é inchado. Apontam-se os 39 ministérios e o número de cargos comissionados. Sem dúvida, há problemas. E problemas sérios. Mas a tese de que o Estado brasileiro é inchado não se verifica se olharmos para quantas pessoas trabalham no setor público. O Estado brasileiro emprega pouco mais que 10% do mercado de trabalho; na Noruega e na Dinamarca, pelo menos 1 de cada 3 trabalhadores são funcionários públicos. Mesmo o Chile, frequentemente citado como modelo de eficiência no setor público na América do Sul, emprega uma parcela do seu mercado 50% maior que o Brasil.

Leia também:  Setores menos produtivos ganham espaço no PIB brasileiro, por Paulo Gala

grafico levy4

Mas então para onde vai o imposto, se os serviços são tão ruins? A grande maioria retorna em transferências diretas para os próprios cidadãos. Já de início, quase um terço (31%) da arrecadação vai para pagar INSS e previdência. Juros são mais 14%, somando 45%. Do que sobra, há muito o que se melhorar na eficiência e no combate a desvios, mas é bom ter em mente que metade do que pagamos já tem endereço certo.

grafico levy5

Para quem vai o resto? Na educação, por exemplo, 30% do orçamento do MEC vai para o ensino superior:

Clique para contribuir!

grafico levy6

De fato, no Brasil se investe 5 vezes mais em um aluno do ensino superior do que em um da escola básica (Inep 2011 [3]). É tão mais que em outros países que nem cabe no gráfico:

grafico levy7

Entre inscritos no INSS, servidores públicos aposentados e universitários, começa a ficar claro para onde vai o dinheiro dos impostos no Brasil: a classe média. Foi precisamente o que concluíram Marcelo Medeiros e Pedro Souza (Ipea): a ação estatal responde por um terço da concentração de renda no Brasil. [4]

O outro ralo para onde vai o dinheiro é a “renúncia fiscal” da sonegação. O Sinprofaz (Sindicato Nacional dos Procuradores da Fazenda Nacional) estima que em 2014 sonegou-se R$500 bilhões. Em só 1 ano, os sonegadores tomam para si, do patrimônio público, o equivalente a 20 anos de Bolsa Família. Então quem paga o imposto?

grafico levy8

Quem ganha até 2 salários mínimos paga quase metade (49%) da sua renda em imposto; quem ganha mais de 30 paga pouco mais que um quarto (26%). Para quem ganha bem, o Brasil é praticamente um paraíso fiscal(especialmente dadas as oportunidades de evasão). E quem ganha pouco é quem realmente mais contribui do que tem, e que menos recebe em troca.

Leia também:  2019, o ano do Pibinho do Guedes, por Paulo Kliass

De grande o Estado brasileiro não tem nada. Ele só é injusto mesmo. E muito.

[1] Int$ são dólares internacionais, uma moeda de referência que re-equaliza as moedas pelo poder de compra de cada uma em seu país.

[2] Amaral, Gilberto L. do, João Eloi Olenike, Letícia Mary Fernandes do Amaral (2013), “Cálculo do IRBES (Índice de Retorno de Bem Estar à sociedade),” Instituto Brasileiro de Pesquisa Tributária, abril 2013.

[3] INEP (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira)

[4] Medeiros, Marcelo e Pedro H. G. F. de Souza (2012), “Gasto Público, Tributos e Desigualdade de Renda no Brasil,” XVII Prêmio Tesouro Nacional, 2012.

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor

Assine e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Assine agora

40 comentários

  1. É o mesmo estado

    que com  seus antigos DER’s nunca conseguiu conservar as estradas, mesmo as pedagiadas, mesmo com o recolhimento da TRU.

     É o mesmo estado que deixa equipamentos novos de saúde apodrecendo nos depósitos. Etc.

    O que não significa que a iniciativa privada irá dar conta das responsabilidades que são estatais.

    O problema são as pessoas descompromissadas com a coletividade e que abundam tanto no setor público como no setor privado.

    A solução seria – para daqui há vinte anos – a tal da educação de qualidade. Mas como? Se a televisão deseduca, se a família deseduca, se o jovem é visto apenas como consumidor e se nunca “combinam” com os estudantes como deveria ser feita a revolução do processo educacional/cultural.

  2. Errado

    O Estado é grande. Assim como é grande o Estado em todos os países com maior carga tributária aqui citados. Falácia mesmo é achar que a Suécia se tornou um país rico por causa do estado de bem estar social. Sinto informar, mas o estado de bem estar social só foi viável por lá pois a Suécia JÁ ERA um país rico.

    E, bem, como não dá pra “aumentar” o Estado no Brasil, acabo concordando com o argumento do texto. Ele é injusto.

    Uma grande injustiça, por exemplo, é o Estado brasileiro ser chamado a sustentar uma estatal de petróleo… E, para ficar no paradigma Ciro Gomes, “isso dá bilhão”.

    • Estatal de petróleo
      Voce prefere que o estado sustente banqueiro com selic estratosférica e que socialize prejuizo de banqueiro safado como no caso do PROER, certo?

      • Não

        Quem sustenta banqueiro com SELIC estratosférica é o mesmo governo que sustenta a Petrobras com aportes estratosféricos do Tesouro: o governo da Dilma.

        Seu coxinha golpista!

    • Verbas publicitárias para a

      Verbas publicitárias para a Globo “dá bilhão”.
      Verbas publicitárias para o Grupo Abril “dá bilhão”.

      Ou você está drogado, mal informado ou só é desonesto mesmo, pois é a Petrobras um dos pilares de sustentação do país. “Sustentar uma estatal de petróleo”. Não seja ridículo nem digno de pena.

    • A desinformação leva a opinar

      A desinformação leva a opinar sem base e o argumento torna-se falho. A Petrobrás sempre foi, é e será superavitária e continua sendo uma das maiores empresas do mundo, o que tem é muito “olho gordo” na riqueza do pré-sal..

      • É?

        Então pq o Tesouro teve que enfiar 100 bi na Petrobras nos últimos anos pra bancar seu plano de investimentos? Devia estar cheio de investidor querendo botar a grana pra recolher uma pazinha desse “superávit”!

        • Donde você criou essa cifra…

          Eu, também, posso afirmar que a Petrobras repassou 100 bilhões, anualmente, ao Tesouro Nacional.

          Estarei repetindo uma idiotice, tanto quanto você, pois, nunca existiu esses números.

          Essa informação você não tem como comprovar.

          Simples, assim! 

          • Perfeito!

            Esses zumbis da Veja e da Globo se especializaram em inventar números absurdos, tirados do nada, que depois passam pra outra meia dúzia de midiotas, cada um desse que passa pra mais meia dúzia, e assim sucessivamente. Em poucos dias qualquer aberração vira verdade absoluta nas “redes (de esgoto) sociais”. 

    • Verdade?

      Ozzy, você tem dados para mostrar que o que o Estado gasta com a Petrobras é maior do que o que ele recebe?

      Não estou falando só de impostos, embora a sonegação nas empresas públicas ou de capital misto seja geralmente inferior às mpresas privadas. Estou falando de dividendos, de benefícios indiretos na forma de treinamento e formação dos seus funcionários, de auxílio à comunidade, de criação de toda uma cadeia produtiva que não existiria se a empresa fosse privada,…

      Me apresente as contas, em cima delas poderemos discutir sem ficar no debate estéril.

  3. A falácia de sua conclusão
    A verdade é que o Estado Brasileiro é grande, sim, onde deveria ser mínimo e mínimo onde deveria ser grande. Trata-se de uma obesidade concentrada: quanto mais longe da população, mais inchadas e perdulärias são as estruturas estatais. Brasília exemplifica muito bem isso. O fenômeno se observa com muita nitidez no Judiciário, em que a hipertrofia da segunda instância contrasta com o raquitismo da primeira, sobretudo no interior. E o que dizer do nosso Legislativo? Algumas dezenas de deputados e servidores consomem um valor absurdo de recursos públicos, com seus supersalários, verbas de gabinete, auxílios etc…
    Já nas periferias, o que vemos é um Estado mínimo, para não dizer inexistente em muitos lugares…

  4. O estado brasileiro é

    O estado brasileiro é grande, porque a capacidade de pagar impostos do contribuinte esta esgotada.

    O texto é desonesto porque não contextualiza isso, (fora contabilizar receita previdênciaria como carga tributária).

    O estado se financia principalmente pela expropriação da poupança interna (impostos,emprétimos,inflação), esta expropiação tem limites, o limite e a produtividade economica da sociedade, ultrapassar este limite eleva a sonegação e a ilegalidade.

    O estado brasileiro já ultrapassou este limite já faz alguns anos.  

     

     

    • No seu mundinho fechado você

      No seu mundinho fechado você acredita que tributo se resume a IR?

      Contribuições Previdenciárias – PIS, COFINS, CSLL, Contribuição patronal e do empregado  , por exemplo – também são tributos e, como não poderia deixar de ser, são as maiores fontes de receita para o INSS.
      Sim, Contribuições Previdenciárias são receitas para o INSS e também são tributos, portanto compõem a CARGA TRIBUTÁRIA.

      Acha que porque a carga tributária é pesada isso justifica a sonegação. Parabéns pra você e releia o texto; talvez você entenda alguma coisa.

      • Antes de afirmar que

        Antes de afirmar que contribuição previdenciária não era imposto eu li sobre.

        Mas não importa se é ou não tributo, TUDO que é recolhido pelo estado entra no calculo da carga tributária BRUTA.

        Já a Carga Tributária LIQUIDA = CTB – transferências de assistência, previdência e subsídios.

        A CTB aumentou no periodo, mas a CTL diminui com o passar do tempo.

        Não estou justificando a soneção, mas existe um limite do qual não adianta cobrar mais imposto nem aumentar fiscalização e punição que não se consegue tirar leite de pedra.

  5. Obesidade mórbida

    O Estado no Brasil não é grande, é obeso, come bem mais do que o trabalho que realiza. É disfuncional. Faltam professores, médicos, cientistas, sobram comissionados e terceirizados, batendo cabeça, batendo carimbo.

  6. Reclamam de uma carga
    Reclamam de uma carga tributária que sonegam. Lamentam uma CLT que sistematicamente descumprem. Fazem passeatas contra a corrupção quando não estão corrompendo fiscais da DRT e da Receita Federal. Falam do crime organizado enquanto se organizam para cometer crimes tributários, contra a economia popular e contra a organização do trabalho. Assim são os empresários brasileiros. Por isto não tenho dó deles.

    • Quem paga os impostos das

      Quem paga os impostos das empresas são os consumidores finais sempre.

      Empresa não paga imposto apenas repassa.

      • Por isso são os piores

        Por isso são os piores ladrões, roubam duas vezes. Roubam o consumidor por lhe cobrar algo que não repassará e roubam o erário por não lhe repassar o que é devido

        Enquanto os políticos, muitos dos quais não são santos, levam toda a culpa por todos os nossos problemas, tendo como pano de fundo a corrupção – estimada em R$ 67 bi no ano passado, os honoráveis bandidos deste país surrupiaram, também em 2014, R$500 bi.
        Aindá há piabas que defendam os tubarões sugerindo ser a sonegação um mecanismo de defesa contra a corrupção – “já que vão roubar mesmo, é melhor eu não pagar”. Sonegação = 7,5 * Corrupção. O erário é que deve se defender.

        Ahh! apesar de ser roubo de qualquer maneira, a corrupção está atrelada a alguma obra ou serviço. A sonegação não gera coisa alguma, somente um rombo gigantesco nos cofres públicos.

      • Quem paga o lucro das empresas também é o consumidor
        A empresa só “repassa”…
        Mas a “sagaz” Oneide (finge que) não sabe disso.
        Por isso nem imagina que (1) o lucro (estrangeiro) em cima da propria Oneide ao se automobilizar será “self-service à vontade”, como ela bem gosta. (2) Não se incomoda se, a empresa sonegar os impostos já repassados no preço, e também os impostos devidos de seus lucros
        Tudo bem empacotadinbo e enviado para suas matrizes lá fora (automobilisticas ou de qualquer outro setor).
        E neide acha uuoótimo!

  7. Carga tributária liquida

    Um conceito interessante eh o da carga tributaria líquida pois como diz o texto um terço da arrecadação  retorna ao setor privado na forma de aposentadorias e subsídios. Eh por este conceito que temos que medir o peso do Estado na economia.

     

  8. O texto mente.
     
    Mentira 1 :

    O texto mente.

     

    Mentira 1 : “Que são sonegados 500 bi por ano”. Mentira porca e cabeluda escrita por servidores que ganham 25 mil por mês mais aposentadoria integral, pagos por quem verdadeiramente gera riqueza – trabalhadores e empresários !  A sonegação vai pro preço dos produtos e não pro bolso dos empresários. Ela ajuda a equilibrar a competitividade das empresas. Ou seja, essa sonegação é teórica. Na prática não existe sonegção desse tamanho. Extinguir a sonegação significa diminuir a oferta de produtos e serviços em nosso mercado, aumentar os preços dos produtos e serviços e gerar desemprego.

     

    Mentira 2 : Que a carga tributária per capta é baixa. Manipulam um fato, para provar uma mentira. A carga per capta é baixa porque poucos verdadeiramente produzem riquezas em nossas paragens. Sem educação de qualidade e sem cultura empreendedora, nossos negócios e trabalhadores são pouco inovadores e competitivos, gerando pouca riqueza, e, consequentemente, tributos. Por aqui as poucas empresas e trabalhadores verdadeiramente competitivos pagam muito tributo. E enfrentam um pantano de obrigações acessórias criados por quem não produz.

     

    O texto, todavia acerta no problema : nossos tributos sustentam uma classe média improdutiva via juros aos rentistas, salários e aposentadorias públicas aos servidores e agentes politicos.

     

    E não aliviam a vida daqueles que sustentam o sistema : empresários e trabalhadores.

     

    Essa é a reforma a ser feita : menos estado meio. Mais estado fim.

    • LUCRO BRASIL

      O Brasil tem o carro mais caro do mundo. Por quê? Os principais argumentos das montadoras para justificar o alto preço do automóvel vendido no Brasil são a alta carga tributária e a baixa escala de produção. Outro vilão seria o alto valor da mão de obra, mas os fabricantes não revelam quanto os salários – e os benefícios sociais – representam no preço final do carro. Muito menos os custos de produção, um segredo protegido por lei.

       A explicação dos fabricantes para vender no Brasil o carro mais caro do mundo é o chamado Custo Brasil, isto é, a alta carga tributária somada ao custo do capital, que onera a produção. Mas as histórias que você verá a seguir vão mostrar que o grande vilão dos preços é, sim, o Lucro Brasil. Em nenhum país do mundo onde a indústria automobilística tem um peso importante no PIB, o carro custa tão caro para o consumidor.
       A indústria culpa também o que chama de Terceira Folha pelo aumento do custo de produção: os gastos com funcionários, que deveriam ser papel do estado, mas que as empresas acabam tendo que assumir como condução, assistência médica e outros benefícios trabalhistas.
       Com um mercado interno de um milhão de unidades em 1978, as fábricas argumentavam que seria impossível produzir um carro barato. Era preciso aumentar a escala de produção para, assim, baratear os custos dos fornecedores e chegar a um preço final no nível dos demais países produtores.
       Pois bem: o Brasil fechou 2010 como o quinto maior produtor de veículos do mundo e como o quarto maior mercado consumidor, com 3,5 milhões de unidades vendidas no mercado interno e uma produção de 3,638 milhões de unidades.
       Três milhões e meio de carros não seria um volume suficiente para baratear o produto? Quanto será preciso produzir para que o consumidor brasileiro possa comprar um carro com preço equivalente ao dos demais países?
       Segundo Cledorvino Belini, presidente da Anfavea, é verdade que a produção aumentou, mas agora ela está distribuída em mais de 20 empresas, de modo que a escala continua baixa. Ele elegeu um novo patamar para que o volume possa propiciar uma redução do preço final: cinco milhões de carros.
       A carga tributária caiu
       O imposto, o eterno vilão, caiu nos últimos anos. Em 1997, o carro 1.0 pagava 26,2% de impostos, o carro com motor até 100hp recolhia 34,8% (gasolina) e 32,5% (álcool). Para motores mais potentes o imposto era de 36,9% para gasolina e 34,8% a álcool.
       Hoje – com os critérios ados – o carro 1.0 recolhe 27,1%, a faixa de 1.0 a 2.0 paga 30,4% para motor a gasolina e 29,2% para motor a álcool. E na faixa superior, acima de 2.0, o imposto é de 36,4% para carro a gasolina e 33,8% a álcool.
       Quer dizer: o carro popular teve um acréscimo de 0,9 ponto percentual na carga tributária, enquanto nas demais categorias o imposto diminuiu: o carro médio a gasolina paga 4,4 pontos percentuais a menos. O imposto da versão álcool/flex caiu de 32,5% para 29,2%. No segmento de luxo, o imposto também caiu: 0,5 ponto no carro e gasolina (de 36.9% para 36,4%) e 1 ponto percentual no álcool/flex. Carro 1997 2010 Motor 1.0 26,2% de impostos 27,1% de impostos Até 100hp (ou 2.0) 34,8% gasolina 30,4% gasolina   32,5% álcool 29,2% álcool Acima 2.0 36,9% gasolina 36,4% gasolina   34,8% a álcool 33,8% álcool
       Enquanto a carga tributária total do País, conforme o Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário, cresceu de 30,03% no ano 2000 para 35,04% em 2010, o imposto sobre veículo não acompanhou esse aumento.
       Isso sem contar as ações do governo que baixou o IPI (retirou, no caso dos carros 1.0) durante a crise econômica. A política de incentivos durou de dezembro de 2008 a abril de 2010, reduzindo o preço do carro em mais de 5% sem que esse benefício fosse totalmente repassado para o consumidor.
       As montadoras têm uma margem de lucro muito maior no Brasil do que em outros países. Uma pesquisa feita pelo banco de investimento Morgan Stanley, da Inglaterra, mostrou que algumas montadoras instaladas no Brasil são responsáveis por boa parte do lucro mundial das suas matrizes e que grande parte desse lucro vem da venda dos carros com aparência fora de estrada. Derivados de carros de passeio comuns, esses carros ganham uma maquiagem e um estilo aventureiro. Alguns têm suspensão elevada, pneus de uso misto, estribos laterais e para choque saliente. Outros têm faróis de milha e, alguns, o estepe na traseira, o que confere uma aparência mais esportiva.
       A margem de lucro é três vezes maior que em outros países
       O Banco Morgan concluiu que esses carros são altamente lucrativos, têm uma margem muito maior do que a dos carros dos quais são derivados. Os técnicos da instituição calcularam que o custo de produção desses carros, como o CrossFox, da Volks, e o Palio Adventure, da Fiat, é 5 a 7% acima do custo de produção dos modelos dos quais derivam: Fox e Palio Weekend. Mas são vendidos por 10% a 15% a mais.
       O Palio Adventure (que tem motor 1.8 e sistema locker), custa R$ 52,5 mil e a versão normal R$ 40,9 mil (motor 1.4), uma diferença de 28,5%. No caso do Doblò (que tem a mesma configuração), a versão Adventure custa 9,3% a mais.
       O analista Adam Jonas, responsável pela pesquisa, concluiu que, no geral, a margem de lucro das montadoras no Brasil chega a ser três vezes maior que a de outros países.
       O Honda City é um bom exemplo do que ocorre com o preço do carro no Brasil. Fabricado em Sumaré, no interior de São Paulo, ele é vendido no México por R$ 25,8 mil (versão LX). Neste preço está incluído o frete, de R$ 3,5 mil, e a margem de lucro da revenda, em torno de R$ 2 mil. Restam, portanto R$ 20,3 mil.
       Adicionando os custos de impostos e distribuição aos R$ 20,3 mil, teremos R$ 16.413,32 de carga tributária (de 29,2%) e R$ 3.979,66 de margem de lucro das concessionárias (10%). A soma dá R$ 40.692,00. Considerando que nos R$ 20,3 mil faturados para o México a montadora já tem a sua margem de lucro, o Lucro Brasil (adicional) é de R$ 15.518,00: R$ 56.210,00 (preço vendido no Brasil) menos R$ 40.692,00.
       Isso sem considerar que o carro que vai para o México tem mais equipamentos de série: freios a disco nas quatro rodas com ABS e EBD, airbag duplo, ar-condicionado, vidros, travas e retrovisores elétricos. O motor é o mesmo: 1.5 de 116cv.
       Será possível que a montadora tem um lucro adicional de R$ 15,5 mil num carro desses? O que a Honda fala sobre isso? Nada. Consultada, a montadora apenas diz que a empresa não fala sobre o assunto.
       Na Argentina, a versão básica, a LX com câmbio manual, airbag duplo e rodas de liga leve de 15 polegadas, custa a partir de US$ 20.100 (R$ 35.600), segundo o Auto Blog.
       Já o Hyundai ix35 é vendido na Argentina com o nome de Novo Tucson 2011 por R$ 56 mil, 37% a menos do que o consumidor brasileiro paga por ele: R$ 88 mil.
       Porque o mesmo carro é mais barato na Argentina e no Chile?
       A ACARA, Associacion de Concessionários de Automotores De La Republica Argentina, divulgou em fevereiro, no congresso dos distribuidores dos Estados Unidos (N.A.D.A), em São Francisco, os valores comercializados do Corolla nos três países. No Brasil o carro custa U$ 37.636,00, na Argentina U$ 21.658,00 e nos EUA U$ 15.450,00.
       O consumidor paraguaio paga pelo Kia Soul U$ 18 mil, metade do preço do mesmo carro vendido no Brasil. Ambos vêm da Coréia. Não há imposto que justifique tamanha diferença de preço.
       Outro exemplo de causar revolta: o Jetta é vendido no México por R$ 32,5 mil. No Brasil esse carro custa R$ 65,7 mil.
       Quer mais? O Gol I-Motion com airbags e ABS fabricado no Brasil é vendido no Chile por R$ 29 mil. Aqui custa R$ 46 mil.
       A Volkswagen não explica a diferença de preço entre os dois países. Solicitada pela reportagem, enviou o seguinte comunicado:
       As principais razões para a diferença de preços do veículo no Chile e no Brasil podem ser atribuídas à diferença tributária e tarifária entre os dois países e também à variação cambial.
       Questionada, a empresa enviou nova explicação:
       As condições relacionadas aos contratos de exportação são temas estratégicos e abordados exclusivamente entre as partes envolvidas.
       Nenhum dirigente contesta o fato de o carro brasileiro ser caro, mesmo considerando o preço FOB: o custo de produção, sem a carga tributária.
       Mas o assunto é tão evitado que até mesmo consultores independentes não arriscam a falar, como o nosso entrevistado, um ex-utivo de uma grande montadora, hoje sócio de uma consultoria, e que pediu para não ser identificado.
       Ele explicou que no segmento B do mercado, onde estão os carros de entrada, Corsa, Palio, Fiesta, Gol, a margem de lucro não é tão grande, porque as fábricas ganham no volume de venda e na lealdade à marca. Mas nos segmentos superiores o lucro é bem maior.
       O que faz a fábrica ter um lucro maior no Brasil do que no México, segundo consultor, é o fato do México ter um mercado mais competitivo.
       City é mais barato no México do que no Brasil por causa do drawback
       Um dirigente da Honda, ouvido em off, responsabilizou o drawback, para explicar a diferença de preço do City vendido no Brasil e no México. O drawback é a devolução do imposto cobrado pelo Brasil na importação de peças e componentes importados para a produção do carro. Quando esse carro é exportado, o imposto que incidiu sobre esses componentes é devolvido, de forma que o valor base de exportação é menor do que o custo industrial, isto é: o City é exportado para o México por um valor menor do que os R$ 20,3 mil. Mas quanto é o valor dos impostos das peças importadas usadas no City feito em Sumaré? A fonte da Honda não responde, assim como outros dirigentes da indústria se negam a falar do assunto.
       Ora, quanto poderá ser o custo dos equipamentos importados no City? Com certeza é menor do que a diferença de preço entre o carro vendido no Brasil e no México (R$ 15 mil).
       A propósito, não se deve considerar que o dólar baixo em relação ao real barateou esses componentes?
       A conta não bate e as montadoras não ajudam a resolver a equação. O que acontece com o Honda City é apenas um exemplo do que se passa na indústria automobilística. Apesar da grande concorrência, nenhuma das montadoras ousa baixar os preços dos seus produtos. Uma vez estabelecido, ninguém quer abrir mão do apetitoso Lucro Brasil.
       Ouvido pela AutoInforme, quando esteve em visita a Manaus, o presidente mundial da Honda, Takanobu Ito, respondeu que, retirando os impostos, o preço do carro do Brasil é mais caro que em outros países porque aqui se pratica um preço mais próximo da realidade. Lá fora é mais sacrificado vender automóveis.
       Ele disse que o fator câmbio pesa na composição do preço do carro Brasil, mas lembrou que o que conta é o valor percebido. O que vale é o preço que o mercado paga.
       E porque o consumidor brasileiro paga mais do que os outros?
       Eu também queria entender – respondeu Takanobu Ito – a verdade é que o Brasil tem um custo de vida muito alto. Até o McDonald aqui é o mais caro do mundo.
       Se a moeda for o Big Mac – confirmou Sérgio Habib, que foi presidente da Citroën e hoje é importador da chinesa JAC – o custo de vida do brasileiro é o mais caro do mundo. O sanduíche custa U$ 3,60 lá e R$ 14,00 aqui. Sérgio Habib investigou o mercado chinês durante um ano e meio à procura por uma marca que pudesse representar no Brasil. E descobriu que o governo chinês não dá subsídio à indústria automobilística que o salário dos engenheiros e dos operários chineses não são menores do que os dos brasileiros.
       Tem muita coisa torta no Brasil – concluiu o empresário, não é o carro. Um galpão na China custa R$ 400,00 o metro quadrado, no Brasil custa R$ 1,2 mil. O frete de Xangai e Pequim custa U$ 160,00 e de São Paulo a Salvador R$ 1,8 mil.
       Para o presidente da PSA Peugeot Citroën, Carlos Gomes, os preços dos carros no Brasil são determinados pela Fiat e pela Volkswagen. As demais montadoras seguem o patamar traçado pelas líderes, donas dos maiores volumes de venda e referência do mercado, disse.
       Fazendo uma comparação grosseira, ele citou o mercado da moda, talvez o que mais dita preço e o que mais distorce a relação custo e preço:
       Me diga, por que a Louis Vuitton deveria baixar os preços das suas bolsas?, questionou.
       Ele se refere ao valor percebido pelo cliente. É isso que vale.
       O preço não tem nada a ver com o custo do produto. Quem define o preço é o mercado, disse um utivo da Mercedes-Benz, para explicar porque o brasileiro paga R$ 265.00,00 por uma ML 350, que nos Estados Unidos custa o equivalente a R$ 75 mil.
       Por que baixar o preço se o consumidor paga?, explicou o utivo.
       Em 2003, quando foi lançado, o EcoEsport, da Ford, não tinha concorrente. Era um carro diferente, inusitado. A Ford cobrou caro a exclusividade: segundo informações de uma fonte que tinha grande ligação com a empresa na época, e conhecia os custos do produto, o carro tinha uma margem líquida de US$ 5 mil.
       A montadora põe o preço lá em cima. Se colar, colou
       Quando um carro não tem concorrente direto, a montadora joga o preço lá pra cima, disse um dirigente do setor. É usual, até, a fábrica lançar o carro a um preço acima do pretendido, para tentar posicionar o produto num patamar mais alto. Se colar, colou. Caso contrário, passa a dar bônus à concessionárias até reposicionar o modelo num preço que o consumidor está disposto a pagar.
       Um exemplo recente revela esse comportamento do mercado. A Kia fez um pedido à matriz coreana de dois mil Sportage por mês, um volume que, segundo seus dirigentes, o mercado brasileiro poderia absorver. E já tinha fixado o preço: R$ 75 mil. Às vésperas do lançamento soube que a cota para o Brasil tinha sido limitada a mil unidades. A importadora, então, reposicionou o carro num patamar superior, para R$ 86 mil. E, como já foi dito aqui: pra que vender por R$ 75 mil se tem fila de espera pra comprar por R$ 86 mil? A versão com câmbio automático, vendida a R$ 93 mil, tem fila de espera e seu preço sobe para R$ 100 mil no mercado paralelo.
       Cledorvino Belini, que também é presidente da Fiat Automóveis e membro do Conselho Mundial do Grupo Fiat, responsabiliza os custos dos insumos pelo alto preço do carro feito no Brasil. Disse que o aço custa 50% mais caro no Brasil em relação a outros países e que a energia no País é uma das mais caras do mundo.
       A Anfavea está fazendo um Estudo de Competitividade para mostrar ao governo o que considera uma injusta concorrência da indústria instalada no Brasil em relação aos importadores.
       Os fabricantes consideram que o custo dos insumos encarece e prejudica a competitividade da indústria nacional. O aço comprado no Brasil é 40% mais caro do que o importado da China, que usa minério de ferro brasileiro para a produção, revelou Belini. Ele apontou também os custos com a logística como um problema da indústria nacional e criticou a oneração do capital. É preciso que o governo desonere o capital nos três setores: cadeia produtiva, na infraestrutura e na exportação de tributos, disse.
       Com a crise, o setor mostrou que tem (muita) gordura pra queimar. O preço de alguns carros baixou de R$ 100 mil para R$ 80 mil. Carros mais caros tiveram descontos ainda maiores.
       São comuns descontos de R$ 5 mil, 10 mil. Como isso é possível se não há uma margem tão elástica pra trabalhar?
       A GM vendeu um lote do Corsa Classic com desconto de 35% para uma locadora paulista, segundo um utivo da locadora em questão. Opreço unitário foi de R$ 19 mil!
       As montadoras tradicionais tentam evitar o óbvio, que é a perda de participação para as novas montadoras, disse José Carlos Gandini, presidente da Kia e da Abeiva, a associação dos importadores de veículos. O dólar é o mesmo pra todo mundo. As montadoras também compram componentes lá fora, e muito. Além disso, os importados já pagam uma alíquota de 35%, por isso não se trata de uma concorrência desleal, ao contrário, as grandes montadoras não querem é abrir mão da margem de lucro.
       Míni no tamanho, big no preço
       Míni, Fiat 500, Smart, são conceitos diferentes de um carro comum: embora menores do que os carros da categoria dos pequenos, eles proporcionam mais conforto, sem contar o cuidado e o requinte com que são construídos. São carros chiques, equipados, destinados a um público que quer se exibir, que quer estar na moda. Que paga R$ 60 mil por um carro menor do que o Celta que custa R$ 30 mil e já é caro.
       Onde estão os R$ 30 mil que o consumidor está pagando a mais pelo Smart e o Cinquecento e os R$ 70 mil a mais pelo Míni Cooper?
       A Mercedes-Benz, importadora do Smart, fez as contas a nosso pedido dos acessórios do minicarro. Ele tem quatro airbags, ar-condicionado digital, freios ABS com EBD, controle de tração e controle de estabilidade. Segundo a empresa, o custo desse pacote seria em torno de R$ 20 mil, considerando os preços de equipamentos para a linha Mercedes, uma vez que o Smart já vem completo e não dispõe dos preços desses equipamentos separados.
       Mesmo considerando esses preços ainda não se justifica os R$ 62 mil para um carro que leva apenas duas pessoas.
       A Fiat vende o Cinquencento por R$ 62 mil, exatamente, e não por acaso, o mesmo preço do Smart. O carro tem sete airbags, banco de couro, ar-condicionado digital, teto solar, controle de tração, mas é menor que o Celta. Esse pacote custaria, somando os valores dos equipamentos, conforme preços divulgados pela Fiat, R$ 24 mil. Portanto, no preço cobrado, de R$ 62 mil, tem uma margem de lucro muito maior do que a de um carro comum.
       E quem comprar o minúsculo Míni Cooper vai pagar a pequena fortuna de R$ 105 mil.
       Claro que tamanho não é documento, especialmente quando se fala de carro. Você poderia dizer que a Ferrari é do tamanho de uma Kombi. Mas o fato é que as montadoras posicionam seus produtos num determinado patamar sem levar em conta o tamanho, o tipo de uso ou o custo do produto, mas apenas o preço que o mercado paga, optando por vender mais caro em vez de priorizar o volume, ganhando na margem de lucro.
       Essa política pode ser válida para uma bolsa da Louis Vuitton, um produto supérfluo destinado a uma pequena parcela da elite da sociedade, ou mesmo para uma Ferrari, pra não sair do mundo do automóvel. Mas não deveria ser para um carro comum.
       Além disso, existem exemplos de carro muito bem equipado a preços bem mais baixos. O chinês QQ, da Chery, vem a preço de popular mesmo recheado de equipamentos, alguns deles inexistentes mesmo em carros de categoria superior, como airbag duplo e ABS, além de CD Player, sensor de estacionamento. O carro custa R$ 22.990,00, isso porque o importador sofreu pressão das concessionárias para não baixar o preço ainda mais. A idéia original – disse o presidente da Chery no Brasil, Luiz Curi – era vender o QQ por R$ 19,9 mil. Segundo Curi, o preço do QQ poderá chegar a menos de R$ 20 mil na versão 1.0 flex, que chega no ano que vem. Hoje o carro tem motor 1.1 litro e por isso recolhe o dobro do IPI do 1000cc, ou 13%, isso além dos 35% de Imposto Importação.
       As fábricas reduzem os custos com o aumento da produção, espremem os fornecedores, que reclamam das margens limitadas, o governo reduz imposto, como fez durante a crise, as vendas explodem e o Brasil se torna o quarto maior mercado do mundo.
       E o Lucro Brasil permanece inado, obrigando o consumidor a comprar o carro mais caro do mundo.

          

      • Também concordo que deveria

        Também concordo que deveria virar um post.

        É impressionante. O brasil tem mesmo problemas com obviedades. Falammaté dormindo do tal custo brasil, mas não dão uma palavra sobre o lucro brasil. Ora, o lucro é O principal elemento da formação de preços: O principal; caso contrário o bem sequer é produzido.

        E aqui no Brasil é uma questão estrutural majorar as taxas de lucro pra gastar ou enviar pra fora.

    • A velha mentira liberal de que o estado não produz…

      Bombeiros não produzem? Policiais não produzem? Médicos não produzem? O Judiciário não produz?

      A miríade de serviços feitos pelo estado não é produto?

      Só quem não entende nada de economia pode dizer um absurdo destes. Ou quem entende e quer enganar os outros.

  9. Sempre tive uma teoria que

    Sempre tive uma teoria que uso para termos de comparação, entre uma jovem família de pobres e uma jovem família de ricos. 
    No caso da jovem família de ricos, eles ganham de seus pais, um apartamento todo mobiliado quando casam, quando não, também um carro, e toda a sua renda, seja qual for, é para manter e aumentar esse patrimônio que já foi herdado. Não há, evidentemente, nenhum problema nisso, seus pais trabalharam, pagaram seus impostos e puderam fazer isso pelos seus filhos. Mas como acontece com a jovem família pobre?
    Eles casam, tem de achar um imóvel que se encaixe em seu orçamento, para alugar, quando compram consome 30% de sua renda famliar, e ainda tem de comprar todos os móveis, na maioria das vezes a prestação, e o que sobra, vai para alimentação, roupas (quando dá) e um ou outro meio de se divertir, normalmente gratuitos ou bem baratos. 
     

    Em suma, o que isso tem a ver com o texto acima? Vamos dizer que os países ditos desenvolvidos são a jovem família rica, e o Brasil, a jovem família pobre.
    Os países desenvolvidos têm de usar seus impostos para manter a infraestrutura que já têm, o que tem de novo para criar, o que sobra é suficiente.

    Já no caso do Brasil, um país em desenvolvimento, praticamente tem que fazer tudo, porque passamos 30 anos de ditadura, e quando esta acabou, quem entrou também não fez todo o dever de casa. Então, faltam ferrovias, portos, aeroportos, rodovias, transporte público adequado, bons hospitais, boas escolas, não bastasse tudo isso, que o dinheiro que sobra não dá pra transformar em perfeitos em 20 anos, temos gestores incompetentes, nos municípios, estados, secretarias, instituições públicas, quando não, pior, corruptos.
    Com tudo isso fica difícil ver os resultados de forma efetiva, os ricos do Brasil querem que os impostos se revertam para eles, os pobres também, natural isso, no entanto, quem ganha nessa quebra de braços são os ricos, estou errado?
    Olhem os serviços e a infraestrutura dos bairros nobres e a dos bairros ricos?

    O Brasil ainda é um país que privilegia demais a classe mais abastada, por exemplo, servidores públicos que ganham mais de 6 mil reais por mês, normalmente, têm, auxílio saúde com dedução no imposto de renda, ou subsídio para pagar o plano de saúde, o que acaba saindo de graça, auxílio creche, auxílio educação para pagar sua própria faculdade, pós graduação. E depois a elite ainda diz que não tem benefícios com os impostos?

    Acredito que devemos dar uma guinada à esquerda para acelerarmos as melhorias nesse país, há muitos subsídios aos ricos e os pobres continuam recebendo o que acham que lhes cabe, migalhas.

  10. Pra mim empresário brasileiro

    Pra mim empresário brasileiro  é pior que ladrão. Ladrão pelo menos tem e segue um código de ética. Empresário brasileiro fala muito em ética e gosta de cobrar nos outros, quanto a praticar….  é outra história.

  11. Grande sim
    O Estado brasileiro é grande e inchado sim. É ineficiente, lento, burocrático. O fato é que mesmo que fosse mais eficiente, ainda sim deveria ser pequeno. É errado afirmar que a sonegação é dinheiro desviado que sai da economia, o dinheiro sonegado continua na economia, pagando comida, escola, construindo casas e pagando salários. Quantas vendinhas de bairro conheço que sonegam mais da metade dos impostos e não mantém os donos ricos, serviram simplesmente para botar mais comida na mesa, pagar educação, contratar mais um funcionário. Para mim, Bolsa Familia não é auxílio, é imposto negativo, isto é, o dinheiro que a população mais pobre recebe da renúncia de impostos. Se levarmos o bolsa família para uma população maior ainda, de forma decrescente à renda, desde que tirado da diminuição do estado e não de aumento da arrecadação, teríamos um país muito mais rico.

    • Aqui estão os dados de estados inchados

      Você teria dados para provar seus pontos de vista?

      Aqui estão dados da OECD sobre tamanho de estados:

      Como se pode ver, quanto mais desenvolvido um país, mais servidores públicos ele tem. E que o Brasil realmente tem um estado magérrimo.

      Engraçado é que muitas vezes os que pedem o estado mínimo são os mesmos que reclamam que o estado não faz nada…

       

    • Roubar também desenvolve a economia

      E, segundo o raciocínio da “sonegação do bem”, podemos dizer que roubar também desenvovle a economia.

      Também gostaria de saber como o grosso da sonegação, que vai para paraísos fiscais, desenvolve nossa economia.

  12.  homson ReutersGoverno volta
     homson Reuters

    Governo volta a cobrar PIS/Cofins de ganhos financeiros de empresas

    quinta-feira, 2 de abril de 2015 17:31 BRT  [] Texto [+] 1 de 1Versão na íntegra

    Por Luciana Otoni

    BRASÍLIA (Reuters) – O governo federal voltará a cobrar PIS e Cofins em ganhos financeiros de grandes e médias empresas, com exceção de bancos, 10 anos depois de os tributos terem sido zerados, em uma medida que vai gerar arrecadação anual de cerca de 6,5 bilhões de reais.

    A cobrança do PIS/Cofins sobre receita financeira, incluindo operações de hedge (proteção), será restabelecida a uma alíquota conjunta de 4,65 por cento, conforme decreto publicado em edição extra do Diário Oficial da União (DOU) na quarta-feira.

    A decisão acontece no momento em que o governo realiza forte ajuste fiscal para reequilibrar as contas públicas, e que a arrecadação federal continua fraca por conta da baixa atividade econômica e grandes desonerações.

    A medida atingirá, segundo informou a Receita Federal, cerca de 80 mil empresas não financeiras com faturamento anual superior a 78 milhões de reais, que são pessoas jurídicas que recolhem os dois tributos no regime da não cumulatividade.

    Os tributos voltarão a ser cobrados a partir de 1º de julho, respeitando a norma da noventena. A Receita Federal estima que a medida irá gerar uma arrecadação neste ano de 2,7 bilhões de reais.

    O montante a ser arrecadado este ano é bem próximo ao custo que o governo terá com eventual regulamentação da troca do indexador da dívida de Estados e municípios com a União, uma negociação que está em curso entre o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, Estados, municípios e Senado Federal. [L2N0WX308]

    As alíquotas dos dois tributos estavam zeradas desde 2004 e voltam conjuntamente ao patamar de 4,65 por cento –a alíquota cheia é de 9,25 por cento– em um momento em que os juros básicos da economia estão subindo, o que aumenta a possibilidade de maiores ganhos com aplicações financeiras.

    Na avaliação do tributarista Marcus Vinícius Gonçalves, sócio da área de impostos da KPMG, a medida é negativa pois abrange as operações de hedge das empresas contra a variação cambial.

    “A volta da cobrança é preocupante porque atinge as operações de hedge, que são comuns em empresas de maior porte, a maioria com operações no comércio exterior. Com isso, a operação de proteção contra oscilação cambial perde uma parte de sua eficácia.”

    O decreto publicado afirma ainda que ficam mantidas as alíquotas de 1,65 por cento do PIS/Pasep e de 7,6 por cento do Cofins aplicáveis aos juros sobre o capital próprio. De acordo com a Receita, o governo considerou melhor reafirmar essa cobrança para deixar claro que em relação a essa incidência não há alteração.

    (Reportagem de Luciana Otoni e Priscila Jordão)

     

  13. Engraçado,que os países que

    Engraçado,que os países que possuem carga tributária maior que o Brasil,mostrada na matéria,são todos países de primeiro mundo,não vi um pobre ali.

    País pobre tem que ter carga tributária baixa.

    Dinheiro na mão do Estado,é dinheiro improdutivo.

    67% do PIB brasileiro está nas mãos do Estado.

    Como queremos enriquecer assim?

  14. + comentários

Deixe uma mensagem

Por favor digite seu comentário
Por favor digite seu nome