Alianças e aumento da participação popular em pauta; assista

Flávio Dino, Gilberto Carvalho, Luis Nassif e Marcelo Auler discutem na TV GGN 20 horas grande pacto nacional pela democracia social

Foto: Antonioni Cassara/Mídia Ninja

Jornal GGN – A formação de uma aliança programática se faz necessária para o próximo governo Lula, assim como o aumento da participação do povo pobre nas decisões políticas.

Esses foram alguns dos temas abordados na TV GGN 20 horas desta segunda-feira (20/12), onde os jornalistas Luis Nassif e Marcelo Auler conversaram com o governador Flávio Dino (PSB) e o ex-ministro Gilberto Carvalho.

Primeiramente, Nassif começa apresentando os dados de covid-19 – sem os números brasileiros. “Até hoje aquele ministro que virou terraplanista (…) não acertaram ainda os problemas do Ministério da Saúde”.

“Segundo todas as avaliações, era um ataque simples de hacker, que seria resolvido em dois tempos. É um boicote claro”, ressalta Nassif.

Na análise global, o total de casos de covid-19 no mundo subiu 6,7% na média de sete dias, enquanto o avanço em 14 dias foi de 5%. Na análise de casos per capita, nove dos dez países com mais crescimento são europeus, e um único africano.

Na média de casos registrados nos últimos sete dias, os EUA lideram com 11,5% de todos os casos da semana, seguido de Reino Unido, França, Alemanha, Rússia, Espanha e Itália. “A onda está vindo com tudo na Europa”.

Quando se analisa a média de óbitos nos últimos sete dias, os EUA respondem por 11,8% de todos os registros, seguido por Rússia, Polônia, Alemanha e Ucrânia.

A formação de um grande pacto nacional

Luis Nassif e Marcelo Auler discutem dois temas que podem ser considerados centrais na campanha eleitoral de Lula: o grande pacto nacional em formação, e a bandeira da solidariedade.

“Está cheio de efeito-mola que você tem na opinião pública. Você vai acumulando frustrações, aquilo é como se fosse uma mola que você vai prendendo. Até que chega um momento que tem um fato qualquer que distende a mola. Daí explode”, pontua Nassif.

“No período anterior, era a mola do ódio que vem lá de trás, com a mídia batendo, discurso de ódio… Depois entram as frustrações com o crescimento, que eclode lá na Lava-Jato, naquele discurso de ódio de imputar todos os problemas à política”.

“Então, a partir daí, vem o bolsonarismo que é uma decorrência. E hoje, o que nós temos é um outro efeito: você tem a questão da solidariedade, a questão da humilhação que o país está passando diariamente com Bolsonaro (…)”, diz Nassif, citando como ponto o avanço da miséria pelo país.

Para discutir mais a respeito, Nassif e Auler conversam com o governador do Maranhão, Flávio Dino (PSB).

Para Dino, o jantar realizado neste domingo foi um evento de enorme importância, “porque a negação dialética do extremismo é o aliancismo. E a alegação dialética do ódio é você mostrar fraternidade e diálogo – negação dialética no sentido de negar e superar”

“Achei o evento carregado de simbolismos positivos, e espero que haja desdobramentos práticos na direção correta, em que simultaneamente tenhamos de um lado nitidez programática, no que se refere aos maiores problemas do país”, diz Dino.

“E, por outro lado, uma aliança ampla que sustente esse programa. É importante lembrar: nós temos que caminhar com dois eixos ao mesmo tempo, porque também você não pode transformar nosso campo político em algo amorfo”.

Na visão do governador maranhense, é necessário focar as questões prioritárias e, a partir daí, nuclear a exemplo do que nós já vimos em outras situações – e cita a vitória de Gabriel Boric na eleição presidencial do Chile como um exemplo de sucesso.

“A lição principal é que você não pode perder a sua base popular, a sua base social. Senão você – exatamente ocorre o que alertei há pouco: você perde a identidade, você fica frágil e, ao invés de você conduzir alianças, você vira refém dela”, afirma Dino.

“E, ao virar refém dela, você pode sofrer todo tipo de instabilidade. Então, eu acho que a lição principal é essa: o que que vai no comando – o que vai no comando é o programa, o projeto (…)”, diz Dino.

Como exemplo, Dino aponta a necessidade de se falar claramente o que será feito com a temática do acesso ao povo à energia. “Gás de cozinha, energia elétrica, gasolina. Esse é um item, tem que ter uma resposta clara a isso pois é uma questão que divide, inclusive, concepções de país, de projetos de desenvolvimento. Não é uma questão menor, é essencial para a economia popular e é essencial para a visão que você tem do tema da soberania nacional”.

“Aí você tem as temáticas sociais todas – acesso a alimentos, segurança alimentar, você tem a temática da educação, serviços públicos de um modo geral, economia verde, transição energética, economia de baixo carbono…”, diz Dino.

“Você tem que ter cinco ou seis temas que sejam nucleares e, a partir daí, você chama todo mundo para a mesa. Quem vier, ótimo. E, a partir daí, você constrói uma base social. Você não pode fazer apenas um amontoado de gente”, ressalta o governador do Maranhão.

Formação de comitês e participação popular

Para Nassif, existem duas etapas quando o assunto é a formação de um pacto nacional: a questão política, a costura política e, depois, a questão administrativa – como que você vai, a partir do Estado brasileiro, promover essa grande conciliação.

“A Constituição deu um conjunto de ferramentas essenciais lá trás – conselhos de participação – a ideia dessas principais políticas públicas, você tem um conselho ligado à União, ligado a Estados, ligado a municípios”, diz Nassif.

“É o mais perfeito modelo que vi até agora de atuação federativa”, diz Nassif, convidando Gilberto Carvalho, ex-ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República no governo Dilma.

“Confesso que estou cada vez mais acreditando, e acho que nós precisamos como alternativa para a mudança desse país, radicalizar – radicalizar para valer essa questão da participação”, diz Carvalho.

“Tenho ouvido muita discussão sobre essa história de alianças, o nosso Lula tá fazendo o papel fundamental dele que é o papel de ampliar, de buscar apoios, de conversar com todo mundo. É o papel dele – ocorre que essas são as chamadas alianças necessárias. Lembro quando Zé Alencar foi apontado como nosso vice em 2002, o Lula em alguns eventos foi vaiado (…)”, diz Gilberto Carvalho. “E o Zé acabou sendo uma figura fundamental para nós”

“Portanto, eu não tenho problemas com as alianças necessárias, mas existe uma aliança essencial – que essa é muito difícil da gente construir”, diz o ex-ministro.

“Se as primeiras se constroem tomando café no hotel, essa outra é complexa porque exige dedicação, entrega, atitude de quem, de fato, quer mudar o país. Diferente da atitude que nós temos tomado”, afirma Carvalho, ressaltando que o início desse processo foi muito importante.

“De 2003 a 2016, de fato o PT, os governos do PT, foram governos que inovaram muito do ponto de vista da participação popular”, lembra Carvalho. “Nós tivemos 113 conferências dos mais diversos setores, criamos mais de 20 novos Conselhos, mas mais do que isso: aqueles Palácios estavam abertos por uma atitude inicial do Lula, mas que depois se institucionalizou a toda forma de diálogo”

“Desde o diálogo com o chamado Conselhão, onde os caras da economia, do sistema financeiro sentavam ao lado de sindicalistas, gente do movimento popular, até o pessoal que ia lá protestar, desde o pessoal indígena, moradores de rua, catadores (…) Enfim, esse diálogo foi fundamental para o governo. Muitas das melhores coisas que nós fizemos não estavam no nosso programa de governo, foram fruto dessa relação dialética, tensa, mas altamente criativa”, diz Carvalho.

Contudo, o ex-ministro afirma que o grande problema foi a participação “restrita a uma certa elite dos movimentos sociais, aquela franja da sociedade já consciente e organizada”, diz Carvalho.

“O grande desafio que se coloca para nós agora é como nós mobilizarmos e estabelecermos um processo de organização com a massa excluída”, diz Gilberto Carvalho.

“O que nos faltou em 16 foi o povão. Para o povão, aquela briga Temer e Dilma era briga branca, briga que não tinha nada a ver com eles, mal se sabia o que estava acontecendo lá”, diz Carvalho.  “Mal se sabia que, naquele momento, a gente estava destruindo a vida de milhões de brasileiros”.

“Então, o desafio que se coloca agora é muito mais radical. É o desafio de se criar centenas, milhares de comitês populares no meio do povo, para que durante a campanha enfrentem essa batalha e, depois, se transformem em comitês de defesa do nosso projeto”, diz Carvalho. “Caso contrário, nós faremos de novo um passeio pelo governo, dois, três governos e vamos ser derrubados de novo. Eu não tenho dúvida nenhuma disso”, afirma.

Veja mais das análises de Flávio Dino e Gilberto Carvalho, além de comentários sobre a eleição no Chile, na íntegra da TV GGN 20 horas. Clique abaixo e confira!

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