Sergio Moro na política e o boicote da grande mídia a Lula

O sociólogo Marcos Coimbra e a jornalista Eliara Santana conversaram com Luis Nassif e Marcelo Auler na TV GGN

Lula Marques

Jornal GGN – Os jornalistas Luis Nassif e Marcelo Auler receberam a jornalista Eliara Santana e Marcos Coimbra, sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi, na edição desta sexta-feira da TV GGN 20hs. Entre os temas, a filiação do ex-juiz ao Podemos e a cobertura da imprensa ao ex-presidente Lula.

Inicialmente, Nassif apresenta os destaques do TV GGN Jurídico, programa que vai ao ar todas as sextas às 18 horas. Nesta sexta-feira, a discussão foi em torno das candidaturas de Sergio Moro e Deltan Dallagnol

Na visão de Nassif, Moro tem uma grande probabilidade de não ser aceito pelos partidos, devido a sua falta de preparo para o jogo político. No caso de Dallagnol, a possibilidade a ser cogitada é a intenção do ex-procurador se livrar das investigações do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP).

“Ele (Dallagnol) teve um aumento de patrimônio muito expressivo (…) Ele já tinha comprado um andar, comprou outro apartamento de um andar em um leilão extrajudicial – indo contra a legislação”, diz Nassif, ressaltando que membros do Judiciário não podem participar de leilões judiciais na sua região de atuação.

“Outro ponto relevante: esse patrimônio foi acumulado com as palestras dele. E vocês se lembram que, na Lava-Jato, ele tentava correlacionar as palestras do Lula com benefícios que empresas tiveram no BNDES, embora não tivesse nenhuma relação”, ressalta Nassif.

“Ele (Dallagnol) tem, basta pegar a série de palestras dele e ver contratantes, patrocinadores cuja autuação foi amenizada pela Lava-Jato. O caso da Unimed é um caso típico”, ressalta Nassif. Veja mais na íntegra do TV GGN Justiça realizado nesta sexta-feira

Candidatura de Moro em 2022

Para discutir sobre a candidatura de Moro, Nassif e o jornalista Marcelo Auler conversam com o sociólogo Marcos Coimbra. O ex-juiz e ex-ministro da Justiça do governo Bolsonaro vai se filiar ao Podemos no próximo dia 10.

“O Moro está constando de pesquisas tem algum tempo, então não é propriamente uma vez que vai ser feito pesquisa com o nome dele”, afirma o sociólogo. “Todo mundo sabe que ele (Moro) quer ser, não quer dizer que ele tenha condições de ser, não quer dizer que ele tenha base social para ser, mas ele quer”, diz Coimbra.

“Ele (Moro) certamente deve achar que é um cara extraordinário, e que seria um crime ele privar o Brasil de si mesmo (…) Nunca escondeu que tem planos para consertar o Brasil ao modo dele, muito peculiar”, diz Coimbra.

“As pesquisas mostram que ele tem uma presença muito pequena no eleitorado e eu, sinceramente, não me surpreendo com isso”, pontua Marcos Coimbra, que também preside o Instituto Vox Populi. “Tradicionalmente o eleitor brasileiro, especialmente na escolha de um presidente, vem consistentemente mostrando que prefere quem é do ramo – existe quem é do ramo de um lado, do outro, de baixo, de cima, mas do ramo – que é exatamente o que o sr. Sergio Moro não é”.

Barbosa e Huck mais preparados que Moro, diz Coimbra

Coimbra citou como exemplo o apresentador Luciano Huck como alguém de fora da política que considerava ser candidato para disputar as eleições.

“Pessoalmente, pelo que já vi, um sujeito muito mais qualificado do que sr. Sergio Moro”, diz o sociólogo. “Não estou discutindo formação acadêmica – que, aliás, no caso do Moro, é completamente insignificante”, diz Coimbra. “O eleitor, quando olha para o Huck, diz assim: ‘gosto dele, é um cara bacana, faz um trabalho bom, mas não é do ramo’ (…)”.

O presidente da Vox Populi diz que isso já aconteceu anteriormente, e com alguém que Coimbra considerada mais qualificado do que o próprio Moro: Joaquim Barbosa, ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).

“No final de 2017, início de 2018, o Joaquim Barbosa esteve em todas as pesquisas”, explica Coimbra, ressaltando que a performance de Moro era bem semelhante à de Barbosa nas pesquisas de intenção de voto.

Segundo Coimbra, “(Barbosa tinha) 5%, 6% em pesquisas presenciais; 8%, 9% em pesquisas telefônicas porque sobre representa a parcela onde o Moro tem mais presença que é na classe média conservadora brasileira – justamente é uma das bases de apoio do bolsonarismo”.

Para o presidente da Vox Populi, “Moro é mais um desses que aparece de vez em quando na política brasileira, dizendo ‘eu não sou político mas vou consertar a política brasileira, porque sou um cara bem intencionado, qualificado, muito bom’ e aí ele tem que convencer o eleitor de que é isso mesmo”.

“Pessoas muito mais qualificadas que ele (Moro) tentaram e não conseguiram – eu acho, pessoalmente, que o Joaquim Barbosa era 10 vezes melhor candidato do que Moro”, afirma Marcos Coimbra.

“Joaquim Barbosa era um homem negro, que nasceu em uma situação de vida muito frágil, culto, trabalhou muito… Não estou discutindo se era bom ou mau do ponto de vista ideológico, isso não está em discussão – estou dizendo que o Joaquim Barbosa é 10 vezes melhor candidato nesse perfil do que o Moro, que é um janotinha, um sujeito que não tem nenhuma inserção popular, que não consegue dialogar com ninguém (…)”, afirma Coimbra.

Sobre candidatos antipolítica, Marcos Coimbra diz que não existe mais espaço para tal perfil. “Acho que o Bolsonaro ajudou a desmoralizar esse tipo de atitude, embora uma das coisas que fez o Bolsonaro acontecer era exatamente ele ser visto (…) As pessoas o haviam visto (Bolsonaro) na política, mas a trajetória política do Bolsonaro fazia parte da biografia dele. Ninguém dizia assim ‘ah não, o Bolsonaro é um médico que resolveu entrar na política (…)’.

“Sergio Moro é simplesmente um zero de biografia pessoal. Não tem nada a dizer para ninguém – o que ele pode dizer a respeito de Brasil, de economia, de política pública, de relações internacionais? Nada, é um ignorante, medíocre e exclusivamente inserido nesse lugar do salvador da pátria”, afirma Marcos Coimbra.

Boicote da grande mídia ao ex-presidente Lula

Já a jornalista Eliara Santana, especialista em linguagem da mídia, fala sobre o comportamento da mídia com o ex-presidente Lula depois dos exageros cometidos pela operação Lava-Jato

“O comportamento da mídia tem sido, no mínimo, execrável porque Lula, até o momento, não foi convidado para nenhuma entrevista”, explica Eliara. “E com a Lava-Jato, a mídia absolutamente… Essa parceria permaneceu e permanece. Por isso que eu acho que Moro pode ser um candidato midiático. Facilmente, novamente construído e construível, se pensarmos assim”, alerta a pesquisadora.

Segundo a jornalista, o comportamento da grande mídia em relação a Lula “é de manter aquela política do silenciamento (…) Acho que a grande imprensa brasileira silencia Lula absolutamente. Não há nenhuma entrevista, até o momento – até para questionar, para criticar, para debater, enfim. Lula não é colocado na pauta”, ressalta Eliara.

“E ele (Lula) já percorreu o mundo dando entrevista, ele já falou para os principais jornais do mundo inteiro, mas para a grande imprensa brasileira ele não é pauta. Ele não é uma fonte que merece ser ouvida”, analisa Eliara.

Para Eliara, já passou do momento da imprensa ignorar Lula. “Desde que ele fez aquele discurso, quando ele foi liberado, fez aquele discurso no sindicato, que foi o momento em que o Jornal Nacional, inclusive, deu espaço bastante interessante (12 minutos) de fala para Lula. Foi, de fato, inédito”.

“Desde aquele momento, ele não é fonte. Ele não foi ouvido. Ele tem a dizer, ele está percorrendo o mundo, ele é uma fonte que todo mundo procura. Não é possível que a imprensa brasileira não tenha interesse”, afirma Eliara Santana.

Acompanhe as entrevistas completas com Marcos Coimbra e Eliara Santana na íntegra da TV GGN 20hs desta sexta. Confira!

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