O jornalista Luis Nassif recebeu, nesta terça-feira (5) o ex-presidente nacional do PT, José Genoíno, no programa TVGGN 20 Horas (assista abaixo) para comentar a principal polêmica do dia: afinal, o voto dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) deveria ser secreto?
A tese foi defendida pelo presidente Lula (PT), a fim de aliviar a pressão da opinião pública sobre os julgamentos, tendo em vista as críticas que o ministro Cristiano Zanin, indicado pelo presidente, está recebendo por votar contra pautas progressistas na Corte.
“Os ministros falam nos autos, não ficam dando opinião, não ficam fazendo comentários. As autoridades falam nas suas competências. No entanto, eu fui vítima do grande processo do lawfare no Supremo Tribunal Federal, fui condenado pelo que eu era, não pelo que eu fiz, sem prova, sem testemunha, sem delação”, observa Genoíno.
O ex-presidente do PT considerou a visão de Lula sobre o assunto equivocada, pois a população precisa de transparência para acompanhar o posicionamento dos magistrados e, eventualmente, criticá-los. “O embate político é muito importante”, continuou o convidado.
“Imagine a votação da Lava Jato com as declarações e informações do Intercept secreta? Imagine se a votação do marco temporal fosse secreta? Estamos discutindo o Mensalão porque vimos aquele espetáculo”
José Genoíno, ex-presidente nacional do PT
Cenário político
Genoíno falou ainda sobre a dificuldade de Lula em governar o país, tendo em vista que o governo não tem maioria no Congresso e, consequentemente, precisa fazer concessões partidárias e seguir a agenda do mercado para garantir a governabilidade.
Para o ex-presidente do PT, a melhor forma de driblar tal dificuldade e combater a extrema-direita é investir no que seria a principal habilidade de Lula: incentivar o diálogo.
Desta forma, mesmo com críticas, toda a esquerda deveria estar com ao lado do presidente e se mobilizar para promover assembleias e congressos, em que se discuta soluções para o País, como o salário mínimo e a taxação dos super-ricos.
“Os partidos de esquerda precisam se organizar em uma espécie de discussão de baixo para cima, de fora para dentro. E o Lula precisa ter a interlocução com essa visão de assembleia do povo. Não é a consertação [do País] do Conselhão. São plenárias. Aho que o PT está muito palaciano”, continuou.
Genoíno defede ainda que este movimento de engajamento da população deveria ser uma estratégia para as eleições municipais de 2024.
Assista a entrevista na íntegra:
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Mário Mendonça
6 de setembro de 2023 10:24 amLula está certíssimo, pois nosso STF é uma fogueira das vaidades! Por acaso as supremas cortes do USA, França e Inglaterra estão errado em não transmitir? Falo isso desde que a TV justiça começou a mostrar!
Vladimir
6 de setembro de 2023 11:44 amVoto aberto ou fechado é indiferente. A Justiça,de forma geral,atua contra a própria justiça e sempre a favor de quem faz parte do establishment.
Rui Ribeiro
6 de setembro de 2023 12:04 pmLula defende o voto envergonhado no STF:
“Esse país precisa aprender a respeitas as instituições. Não cabe ao presidente da República gostar ou não de uma decisão da Suprema Corte. A Suprema Corte decide, a gente cumpre. É assim que é. Eu, aliás, se eu pudesse dar um conselho, é o seguinte: a sociedade não tem que saber como é que vota um ministro da Suprema Corte. Sabe, eu acho que o cara tem que votar e ninguém precisa saber. Votou a maioria 5 a 4, 6 a 4, 3 a 2. Não precisa ninguém saber foi o Uchôa que votou, foi o Camilo que votou. Aí cada um que perde fica com raiva, cada um que ganha fica feliz.
Para a gente não criar animosidade, eu acho que era preciso começar a pensar se não é o jeito de a gente mudar o que está acontecendo no Brasil. Porque do jeito que vai, daqui a pouco um ministro da Suprema Corte não pode mais sair na rua, não pode mais passear com a sua família, sabe, porque tem um cara que não gostou de uma decisão dele”.
Ora, conforme preceitua o caput do art. 189, do CPC, em regra, os atos processuais são públicos. Votar secretamente não é republicano. Queremos saber como votam os Ministros. Porque um voto envergonhado?
Como diria o Roberto Barroso, ‘Parece irrelevante a opinião pública, e fico muito fefliz quando uma decisão do tribunal constitucional coincide com a opinião pública, mas se o que consuidero certo não bate com a opinião pública, eu cumpro meu papel. A multidão quer o fim desse julgamento, e eu também. Mas nós não julgamos para a multidão, nós julgamos pessoas. […] Não estou aqui subordinado à multidão. Não tenho o monopólio da certeza, mas tenho o monopólio íntimo de fazer o que acho certo”.
“Gostaria de dizer, em defesa do meu ponto de vista e sem demérito para seu ponto de vista, que eu, em minha vida, faço o que acho certo, independente da repercussão. Não sou um juiz que me considero pautado pela repercussão do que vou dizer. Muito menos o que vai dizer o jornal do dia seguinte. Sou um juiz constitucional.”
Rui Ribeiro
6 de setembro de 2023 12:20 pmSeria ótimo se o Ministro Zanin saísse de sua zona de conforto da brancura e da segurança econômica e se colocasse na pelo de um Negro Favelado Desempregado por uma dia. Ele nem precisaria sair materialmente da sua zona de conforto da brancura e da segurança econômica, mas apenas mentalmente. Já aliviaria um pouco a nossa existência.