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Memórias da Ditadura, um especial nos 50 anos do Golpe Militar

Jornal GGN – Preparamos uma série de reportagens e artigos, inéditos ou publicados, que traçam um pequeno perfil dos idos de 1964 até 2014. Cada item carrega uma enormidade de significados para os brasileiros calados por um regime que não escolheram, vitimados por uma repressão violenta, destituídos de seus direitos e de seus sonhos. Personagens trazem, às páginas da nossa história, seu quinhão de participação nesses anos duros, anos de chumbo. E cada um deles nos relembra um período que não deve mais se repetir. Cada entrevista, uma aula, e cada aula um alerta aos tantos jovens que não viveram esse período.

Almino Affonso

O ministro do Trabalho de João Goulart resgata os principais fatos que antecederam o golpe militar de 1964, numa verdadeira aula de história com direito às curiosidades de bastidores que só um dos homens próximos a Jango, como Almino, poderia revelar. Durante a entrevista exclusiva ao GGN, o ex-deputado federal reconstrói a conversa com Leonel Brizola a respeito da Frente Ampla Parlamentar. O fracasso do grupo suprapartidário e daria a governabilidade necessária a João Goulart também foi determinante ao sucesso do golpe.

Almino Affonso: Crise política do governo Jango levou Brasil ao matadouro

 

Bernardo Kucinski

Bernardo Kucinski, considerado um dos mais experientes e respeitados jornalistas do país. Físico de formação na USP, ele foi levado para o jornalismo a convite do amigo Raimundo Pereira, editor do Amanhã, já em meio à ditadura militar. Autor de dossiê sobre as torturas, apresentado a Médici, responsabiliza a mídia pelo recrudescimento das perseguições.

Kucinski, das lutas jornalísticas às denúncias sobre tortura

 

Urariano Mota

O jornalista e escritor Urariano Mota relata o que viu e viveu nos anos de chumbo, no Recife. São duas entrevistas, duas abordagens sobre o mesmo tema. Na primeira, o jornalista fala sobre o papel da imprensa e de seus profissionais naqueles anos.

Urariano Mota: “Almas socialistas estão sem descanso”

Na segunda entrevista, o escritor traz os tempos tenebrosos com seu livro “Soledad no Recife”. A obra descreve a passagem da militante paraguaia pela capital pernambucana, durante o governo de Médici. Soledad Barret foi assassinada no caso conhecido como a Chacina da Chácara São Bento.

Urariano Mota: “Reconstruí Soledad com guerreiras da luta”

 

Marcha da Família

Também determinante ao sucesso do golpe foi a Marcha da Família com Deus pela Liberdade. A primeira edição do evento reuniu cerca de 500 mil pessoas só na capital paulista. A saída de Jango do poder e a extinção de tudo que poderia ser classificado como uma ameaça comunista viraram a bandeira dos populares que saíram às ruas por provocação dos setores conservadores da sociedade civil. Cinco décadas depois, em março de 2014, uma nova marcha é convocada, mas nem 1% do volume registrado em 64 atendeu ao chamado dos neo-reacionários - sinal de que o sentimento golpista e antidemocrático ficou para trás.

Marcha da Família: o aval civil ao golpe militar de 1964

 

Crianças da ditadura

Filhos dos ativistas políticos que caíram nas malhas da ditadura relembram sua infância roubada pelo medo, pelos destratos, pela solidão. São adultos que carregam marcas do que aconteceu com seus pais, ou pior, do que lhes aconteceu. São somente alguns relatos dos tantos ocorridos pelo país.

Crianças da ditadura, crianças da solidão

 

Dilma Rousseff

A presidente não dá entrevistas sobre o tema. E não dá por não ter condições de atender às centenas de pedidos que recebeu neste momento de lembranças pelos 50 anos do Golpe Militar. Ela foi protagonista, sofreu três anos nos porões e cadeias da ditadura. E não abriu mão de sua história e suas crenças. Sem aprofundar em sua biografia, três momentos de sua vida foram separados, para ilustrar o ontem e o hoje.

Dilma Rousseff, em três momentos emblemáticos contra a ditadura

 

Adriano Diogo

O presidente da Comissão da Verdade do Estado de São Paulo ‘Rubens Paiva’, Adriano Diogo, em entrevista ao Jornal GGN foi questionado se as CVs seriam uma forma de o governo pedir desculpas e reconhecer o que houve nesse período de nossa história. E ele respondeu que não, não acha que isso basta. “Eu acho que só vai haver desculpas e perdão do estado brasileiro na hora que os corpos em sepultos forem devolvidos para as famílias. Eu acho que só vai haver desculpa do estado brasileiro a hora que abrir os arquivos militares e diplomáticos do Itamaraty. Eu acho que, no momento, não tem nenhuma desculpa a ser pedida. Tem que pedir desculpa pelo o que não foi feito. Pela omissão. E daqui a pouco não vai ter nem pra quem pedir desculpa, porque os familiares estão morrendo, as testemunhas.”

“Perdemos o medo!”, diz Adriano Diogo

 

Aloysio Nunes

Em 31 de março de 1964, o senador Aloysio Ferreira Nunes (PSDB) era um jovem estudante da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco. Simpatizante da linha de pensamento esquerdista, aprofundou a militância política no Partido Comunista Brasileiro e posteriormente na Ação Libertadora Nacional. A trajetória do tucano cruzou com a de guerrilheiros como Carlos Marighella e Joaquim Ferreira Câmara, ambos assassinados pelas forças de repressão. Aloysio, que também pegou em armas, se exilou na Europa, onde teve oportunidade de estudar o comunismo. Acabou se afastando da ALN e desacreditando na alternativa socialista para o Brasil. 

Aloysio Nunes: da extrema esquerda na Ditadura à cúpula do PSDB

 

Saturnino Braga

Aluno de Celso Furtado na Cepal, ingressou na vida politica em 1960, não chegou a ser cassado pelo regime militar, mas teve a sua candidatura impugnada na reeleição de deputado federal pelo Partido Socialista Brasileiro em 1966. Anos mais tarde, eleito senador pelo MDB, fez parte de uma bancada histórica no senado com Paulo Brossard, Marcos Freire, Itamar Franco, Orestes Quércia e Franco Montoro. Bancada que teve o primeiro foco e objetivo de resistência politica a ditadura. Ele acompanhou de perto e foi figura chave das transformações que afetaram o Brasil nas últimas cinco décadas.

Saturnino Braga e a resistência política contra a ditadura

 

Francisco Tenório Júnior

Aos 33 anos, o pianista carioca Francisco Tenório Júnior, o Tenorinho, era um famoso músico de bossa nova e jazz quando sumiu misteriosamente em Buenos Aires, na Argentina. Hospedado em um hotel daquele país, por estar em turnê com Toquinho e Vinícius de Moraes, ele saiu na noite de 27 de março de 1976 para comprar cigarros e nunca mais voltou. Naquele ano, o Brasil já vivia uma ditadura e e Argentina estava às vésperas do golpe de Estado, contra Isabel Perón."Meu pai era um cara de esquerda, mas não tinha atividade política. Talvez eles [militares] tenham feito alguma ligação entre ele e um primo-irmão, que era militante e vivia na clandestinidade", disse Elisa Cerqueira, sua filha. O Procurador argentino diz, em minidocumentário, que ele pode ter sido sequestrado por engano.

 

 

 

 

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Memorias da Ditadura

Prezado Nassif, a página "Memórias da Ditadura" , onde se encontram todos os documentos referentes àquele periodo terrível, sumiu hoje.   Mais rápido do que imaginávamos, pois o governo ilegal se apossou hoje do cargo de Dilma.

Acho bom você se precaver com esta matéria.  

Um abraço

Sonia Naranjo

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Vergonha

Sinto vergonha de pertencer a uma nacionalidade que não enfrentou esses terroristas made in usa numa Guerra Civil.

Só pucos tiveram a coragem de confrontá-los!

Parabéns a esses!

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M.A. Estrela

1964: O ANO EM QUE OS TERRORISTAS ASSUMIRAM O CONTROLE NO BRASIL

1964

o ano em que os terroristas assumiram o controle No Brasil

Por: Márcio Antônio Estrela, abril de 2014.

O Golpe Militar de 1964 foi um ato Terrorista, com o qual se derrubou um Governo Constitucional e se instalou uma Ditadura no Brasil. Foi “Um Golpe na Democracia”.

O golpe significou a vitória dos Terroristas no Brasil. Terroristas que permaneceram 20 anos no poder.

=> Sim, só pode ser chamado de Terrorista um grupo que tramou contra a Democracia e derrubou um Governo “constitucionalmente constituído” para impor um regime de terror e perseguição, ditatorial e excludente.

O golpe militar ocorreu no dia 1º de abril de 1964, mas porque seria muito ridículo comemorá-lo no “Dia da Mentira”, resolveram mudar seu aniversário para a véspera, 31 de março de 1964.[1]

Não foi contragolpe. NÃO HAVIA AMEAÇA REAL DE LUTA ARMADA DE ESQUERDA ANTES DO GOLPE DE 1964.[2] Uns poucos até podiam sonhar com uma revolução à Cuba, mas eram isolados, sem força nem condições de viabilizar uma ameaça minimamente real. O que se teve de tentativa de luta armada surgiu pós-Golpe, em uma tentativa de reagir à ditadura.

É importante, em uma análise histórica, desmistificar os "argumentos" dos Golpistas: ao contrário do que os que implantaram o golpe propagaram, o Golpe foi “Contra a Maioria”.[3]

=> Desconstruindo a manipulação de que a maioria do Brasil era contra Jango, uma pesquisa IBOPE (que de esquerdista não pode ser acusado) – tanto que foi convenientemente abafada e escondida à época e só revelada em 2014 – mostrava que Jango tinha amplo apoio popular, maior aprovação que JK.[4] O próprio FHC afirma que Jango ganharia se disputasse a eleição em 1964.[5] A popularidade do Jango foi confirmada no Plebiscito do presidencialismo. E a pesquisa do IBOPE comprovava essa popularidade.

Mas Jango era popular em um país dividido.

=> Sim, a chamada "classe média" estava assustada com as diversas manifestações de um Brasil em discussão. Tudo piorado pelo contexto da “Guerra Fria” e o medo de outras revoluções socialistas no “Quintal dos EUA”, nossa América Latina.

=> Mas os operários, os trabalhadores do campo, os de menor renda estavam com Jango. Até alguns industriais.

A diferença era que só as manifestações de uma metade apareciam nos jornais, rádios e TVs, dando a sensação de todos pensarem assim. Isso é perfeitamente demonstrado no livro de René Armand Dreifuss, com base na sua tese de doutorado no Reino Unido, feito somente com documentos do Departamento de Estado dos EUA.[6]-[7]

=> Alguns viram mesmo marchas imensas “com (apesar de) deus”, contra Jango. Assim como outros viram multidões na Central do Brasil, a favor de Jango.

- NÃO HÁ OPINIÃO PÚBLICA; HÁ OPINIÃO PUBLICADA" – Winston Churchill

Propagava-se que as "reformas de base" seria a implantação do Comunismo. Mas estas nada tinham de comunismo, exceto como “espantalho” para assustar as beatas em tempos de "Guerra Fria"... Tanto que foram implantadas – parte até pela ditadura – com bons resultados.

“Ouro de Moscou” não existiu – pelo menos nunca se comprovou. Mas dólares do "Tio Sam" sim: um terço dos deputados foi eleito com dólares repassados pelos Estados Unidos com o compromisso de fazer oposição sistemática a Jango! E quem revela isso não são cubanos, chineses ou soviéticos. São os EUA, com os próprios documentos do Departamento de Estado liberados para consulta...

Mas não dá para negar que vivia-se um período conturbado, um país dividido que não soube resolver as divergências dentro da democracia.

=> É sempre perigoso para a democracia a inexistência de uma oposição viável eleitoralmente. Quando os grupos de oposição não conseguem se viabilizar eleitoralmente, passam a considerar o golpe como única forma de chegar ao poder. Foi o que aconteceu com a UDN desde o pós-Guerra até o golpe. Um pouco disso se repete atualmente.

Longe de mim negar que o Brasil estava conturbado em 1964. Mas a solução era democrática. A opção pelo Golpe foi uma manobra de uma oposição sem voto e contra a maioria.

- "A DEMOCRACIA É A PIOR FORMA DE GOVERNO QUE EXISTE, À EXCEÇÃO DE TODAS AS DEMAIS" – Winston Churchill

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[1] http://g1.globo.com/politica/50-anos-do-golpe-militar/noticia/2014/03/controversia-sobre-o-dia-do-golpe-de-1964-ainda-divide-historiadores.html.

[2] http://jornalggn.com.br/noticia/kucinsky-das-lutas-jornalisticas-as-denuncias-sobre-tortura.

[3] http://www.cartacapital.com.br/revista/794/1964-golpe-contra-a-maioria-3617.html.

[4] http://www.cartacapital.com.br/revista/773/verdade-exumada-5637.html.

[5] http://www1.folha.uol.com.br/poder/2014/03/1430973-jango-ganharia-em-caso-de-eleicao-em-1964-afirma-fhc-durante-debate.shtml.

[6] O livro "1964, a Conquista do Estado" apresenta documentação desclassificada do Departamento de Estado dos EUA que mostra tudo em detalhes... O livro é resultado de uma pesquisa realizada entre 76 e 80 para a tese de doutorado na Universidade de Glasgow, Inglaterra. O interessante é que o autor aborda um tema (o golpe de 64 que instalou o regime militar no Brasil) ainda presente durante a produção. No entanto, Dreifuss teve acesso a importante e farta documentação sobre fatos e personagens ligados ao golpe militar. http://books.google.com.br/books/about/1964_a_conquista_do_Estado.html?id=FdHZAAAAMAAJ&redir_esc=y.

[7] Uma boa análise sintética pode ser encontrada aqui: http://www.unicamp.br/nee/epremissas/pdfs/01.09.pdf.

 

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Walber F. dos Santos

Tortura teve apoio de políticos na Ditadura,q hoje apoiam o PT.

 

Flagrante histórico extraído lá da Besta Fubana. A história está aí para ser espelho, muitos não querem se olhar nela.

LAPA DE ASNO LEMBRA OS 50 ANOS DA REDENTORA
 

Para marcar o cinquentenário do golpe militar de 1964, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva divulgou um vídeo no qual celebra a democracia e critica o regime militar, que “revogou liberdades essenciais, prendeu milhares de militantes políticos e fez com que outros tantos tivessem que sair do País.”

No vídeo, publicado no site do Instituto Lula, o petista destacou que “só em uma democracia o povo pode ir às ruas reivindicar seus direitos, pois democracia não é um pacto de silêncio, é a sociedade em movimento buscando novas conquistas”.

* * *

Não vi ainda este vídeo que Bundão Barbudo gravou. Mas tenho certeza que nele constam pesadas críticas a todos que se aliaram à ditadura militar ou que às custas dela prosperaram, seja política, seja financeiramente ou sejam as duas coisas simultaneamente 

Tenho certeza que o ex-presidente Lapa de Asno foi firme na sua condenação a todos que apoiaram os golpistas.

Ele deve ter esculhambado com Fernando Collor de Melo, nomeado pelos militares para ser prefeito de Maceió em1979, quando tinha apenas 28 anos de idade.

Foi numa época em que na capital alagoana se fumava muita maconha e se enfiava supositório de cocaína no furico.

collor prefeito de maceió

Fernando Collor, o jovem prefeito de Maceió nos anos 70, imposto pelos militares

Também tenho certeza que Lapa de Mitômano foi enfático ao relembrar que José Sarney sempre militou e foi figura de destaque na direita brasileira, desde os tempos em que participou da folclórica “Banda de Música” da extinta UDN, como deputado federal nos anos 50, até chegar à época dos gunvernos militares, dos quais foi homem forte e pulítico de grande destaque.

Lapa de Demagogo deve ter esculhambado, e muito, com o cacique maranhense, pai de Roseana que, na foto abaixo, aparece ao lado de dois dos presidentes do período militar: Geisel e Castelo Branco:

sarney08mario

Pra fechar com chave de ouro o vídeo que gravou pra marcar a passagem dos 50 anos do golpe de 1964, Mentiroso-de-Nascença foi mais firme ainda ao baixar o cacete em Paulo Maluf.

Maluf é uma figura da direita reacionária que iniciou sua carreira política à sombra da ditadura militar, como prefeito de São Paulo e como gunvernador do estado, imposto e nomeado pelos generais.

maluf médici-parelha perfeita

É por conta disto que, hoje em dia, o ex-presidente Lapa de Cabra Safado quer distância de Collor, de Sarney e de Maluf, três figuras que ele detesta e abomina, pois foi um trio que mandou e mamou nos tempo do gunverno dos fardados.

Lapa de Asno, como todos sabemos, é um homem coerente, um sujeito de grande caráter e um político que tem a ética, a honradez e o cumprimento da palavra empenhada acima de quaisquer outros valores.

Se alguém tiver uma cópia do vídeo que ele gravou, por favor, me mande. Eu boto no ar e todos nós iremos comprovar cada linha do que escrevi aí em cima.

E, pra fechar esta postagem que fala das palavras de Macho da Marquesa de Garanhuns sobre o cinquentenário da Redentora, vamos botar a imagem dele ao lado da Mudinha, no dia em que foi libertado do Dops, no mês de maio de 1980.

Era uma figura tão importante para o regime dos fardados que o Delegado Romeu Tuma, seu carcereiro, fez questão de designar o próprio filho, o também policial Tuma Jr., pra ser seu segurança. Tuminha aparece do lado direito, com seu lindo bigode. Tão lindo quanto a barba do metalúrgico que, por coincidência, tinha o codinome de Barba entre o pessoal da repressão que trabalhava nos serviços de inteligência.

Como eram malvados os milicos naqueles tempos…

Tuma-com-Lula-e-Marisa

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Schell

  Caro Nassif, veja que o

 

Caro Nassif, veja que o portal Terra lançou matéria laudatória sobre a ditadura (que chama de intervenção), ou seja, os midiáticos continuam no mesmo lugar (em volta do poder miliquento).

http://noticias.terra.com.br/brasil/cidades-dos-presidentes-militares/?page=medici.htm

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É inacreditável...

Beira o inacreditável o que estou vivenciando neste exato momento.

Moro ao lado de uma loja maçônica.

As 20h os caras botaram o hino nacional.

Deve ter lá umas 200 pessoas.

Eis que chega o tal do general Augusto Heleno para fazer loas ao regime militar. Fogos de artifício ecoam no ar. 

O discurso é o óbvio. Elogios à atuação 'democrática' do exército, contestação ao discurso de hoje de Dilma Rousseff, comemoração desta data 'gloriosa'.

O bacana é que algumas pessoas gritavam, das janelas, palavras como 'fora ditadura', 'tortura nunca mais'. Eu tive a oportunidade de gritar um 'vergonha brasileira'. E vaias, algumas vaias de vozes vindas das janelas. É muito pouco, mas pelo menos diminuiu minha raiva.

Mas é incrível ver assim a insensatez tão de perto. Acho que iso não aonteceu por acaso. Vou extrair alguma lição disso.

 

 

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Sim, é inacreditável.

Sim, é inacreditável.

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anac

TORTURA NUNCA MAIS: Lembrar é

TORTURA NUNCA MAIS:

Lembrar é preciso.

Frei Tito de Alencar Lima, brutalmente torturado no cárcere, se suicidou na França.

 

Rezemos, mesmo os sem fé, juntos o poema – Noite de Silêncio – que Tito escreveu em Paris, a 12 de outubro de 1972:

“Quando secar o rio da minha infância / secará toda dor. Quando os regatos límpidos de meu ser secarem / minh’alma perderá sua força. Buscarei, então, pastagens distantes / lá onde o ódio não tem teto para repousar. Ali erguerei uma tenda junto aos bosques. Todas as tardes, me deitarei na relva / e nos dias silenciosos farei minha oração. Meu eterno canto de amor: / expressão pura de minha mais profunda angústia. Nos dias primaveris, colherei flores / para meu jardim da saudade. Assim, exterminarei a lembrança de um passado sombrio”.

 

O calvário de Frei Tito

 

Na terça-feira. 17 de fevereiro de 1970, oficiais do Exército retiraram Frei Tito de Alencar Lima do Presídio Tiradentes, onde se encontrava preso desde 1969, acusado de subversão. “Você agora vai conhecer a sucursal do inferno”, disse-lhe o capitão Maurício Lopes Lima.

No quartel da rua Tutóia, um outro prisioneiro, Fernando Gabeira, testemunhou o calvário de frei Tito: durante três dias, dependurado no pau-de-arara ou sentado na cadeira-do-dragão -feita de chapas metálicas e fios-, recebeu choques elétricos na cabeça, nos tendões dos pés e nos ouvidos. Deram-lhe pauladas nas costas, no peito e nas pernas, incharam suas mãos com palmatória, revestiram-no de paramentos e o fizeram abrir a boca “para receber a hóstia sagrada” – descargas elétricas na boca. Queimaram pontas de cigarro em seu corpo e fizeram-no passar pelo “corredor polonês”.

O capitão Beroni de Arruda Albernaz vaticinou: “Se não falar, será quebrado por dentro. Sabemos fazer as coisas sem deixar marcas visíveis. Se sobreviver, jamais esquecerá o preço de sua valentia”. A ceder e viver, Tito preferiu morrer. “É preferível morrer do que perder a vida”, escreveu ele em sua Bíblia. Com uma gilete, cortou a artéria do braço esquerdo. Socorrido a tempo, sobreviveu.

Foi libertado em dezembro de 1970, incluído entre os prisioneiros políticos trocados pelo embaixador suíço, seqüestrado pela VPR. Ao desembarcarem em Santiago do Chile, um companheiro comentou: “Tito, eis finalmente a liberdade!”. O frade dominicano murmurou: “Não, não é esta a liberdade”.

Em Roma, as portas do Colégio Pio Brasileiro, seminário destinado a formar a elite do nosso clero, fecharam-se para o religioso com fama de “terrorista”. Em Paris, nossos confrades o acolheram no convento de Saint Jacques, em cuja entrada uma placa recorda a invasão da Gestapo, em 1943, e o assassinato de dois dominicanos.

O capitão Albernaz tinha razão: sufocado por seus fantasmas interiores, Tito tornou-se ausente. Ouvia continuamente a voz rouca do delegado Fleury, que o prendera, e o vislumbrava em cafés e bulevares. Transferido para o convento de I’Arbresle, construído por Le Corbusier, nas proximidades de Lyon, as visões aterradoras continuaram a minar sua estrutura psíquica. Escrevia poemas:

“Em luzes e trevas derrama o sangue de minha existência / Quem me dirá como é o existir / Experiência do visível ou do invisível”.

Os médicos recomendaram-no suspender os estudos para dedicar-se a trabalhos manuais. Empregou-se como horticultor em Villefranche-sur-Saône e alugou um pequeno cômodo numa pensão de imigrantes, o Foyer Sonacotra, cujas despesas pagava com o próprio salário. O patrão o percebeu indolente, ora alegre, ora triste, sugado por um tormento interior. Em seu caderno de poemas, Tito registrou:

“São noites de silêncio / Vozes que clamam num espaço infinito / Um silêncio do homem e um silêncio de Deus”.

No sábado, 10 de agosto de 1974, frei Roland Ducret foi visitá-lo. Bateu à porta de seu quarto, na zona rural. Ninguém respondeu. Um estranho silêncio pairava sob o céu azul do verão francês e envolvia folhas, vento, flores e pássaros. Nada se movia. Sob a copa de um álamo, o corpo de Frei Tito dependurado por uma corda, balançava entre o céu e a terra. Ele tinha 28 anos.

Em março de 1983, seus restos mortais retornaram ao Brasil. Acolhidos em solene liturgia na Catedral da Sé, em São Paulo, encontram-se enterrados em Fortaleza, sua terra natal. O cardeal Aros frisou que Tito afinal encontrara, do outro lado da vida, a unidade perdida.

http://www.adital.com.br/freitito/por/irmao.html

 

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OTAVIO BARROS

Os anos de chumbo no norte goiano

 

Os anos de chumbo no Norte goiano...

 

Em Brasilia, os órgãos de informação do Governo Militar insistiam na tese de haver “terroristas” articulando no norte goiano uma reação armada. Em conversa com um professor em Porto Nacional, ele dizia que “terrorista” era o governo, que fazia um terror de Estado contra pacatos cidadãos. Na região, os moradores desconheciam qualquer mobilização de luta armada contra a ditadura militar. Esse e outros assuntos são rememorados em nossa “MEMORIA DO TOCANTINS – Primeiro Volume”, obra a ser lançada nos próximos dias em Palmas, Porto, Gurupi e Araguaina.

 

Nos anos 70 somente as cidades de Araguaina e Gurupi mantiveram jornais impressos. No ano de 1973, passo a editar o semanário TRIBUNA DA AMAZONIA (depois. O ESTADO DO TOCANTINS, a partir de 1975), com a redação em Araguaína e impresso na vizinha cidade de Carolina. Na época fazia e refazia textos para não mexer com os milicos. Não havia nem rádio e nem televisão no norte goiano. À noite, o rádio só tinha sintonia com emissoras da “guerra fria” (Voz da América, BBC de Londres e rádios da Rússia, China e Cuba) e pedaços da Voz do Brasil, retransmitidos por rádios de Belém do Pará. Fora da estrada Belém-Brasilia o isolamento dominava a paisagem regional.

 

Algumas vezes era convocado pelo Batalhão da Polícia para esclarecer notas do jornal, mas a situação mais crítica foi quando um oficial do Exército exigiu minha presença ali para explicações sobre uma nota em que denunciava militares que protegiam grileiros. Na redação, passei a praticar a autocensura, antes da impressão do jornal, e não mais publicava denúncia de posseiros contra grileiros, mas orientava as vítimas a denunciar diretamente em Brasilia.

 

Em Gurupi o jornalista pernambucano Buchinho (Antonio Poincaré Andrade, pai do prefeito Otoniel e do deputado Toinho) fez editar o jornal A VOZ DE GURUPI e começou a publicar uma série de denúncias contra funcionários da Rodobrás (empresa estatal para construção da Belém-Brasilia) e de gente poderosa do Sul de Goiás. Foi preso pelos militares como “subversivo” à Segurança Nacional. Mudou-se para a cidade de Porto Nacional, onde fundou o PORTO NACIONAL JORNAL, sendo eleito, depois, prefeito.

 

Por questão de direito de posse, no Vale das Cunhãs, em Arapoema, o empresário Ademar “Boa Sorte” tem apoio do irmão Benedito, então deputado federal, e o recém-chegado à região Siqueira Campos é denunciado e preso no Batalhão da PM em Araguaína. Com a eleição do deputado Benedito para senador biônico, Siqueira viu ai um buraco para enfrentar os “Boa Sorte” na eleição para deputado federal.

 

Nas cidades havia os “informantes” (dedo-duro, araponga), moradores recrutados e pagos pelo militares para denunciar os “inimigos do governo”. A gente que morava no norte goiano vivia um período de muita insegurança e muito medo porque a qualquer momento podia ser denunciado pelo “informante” como inimigo da ditadura... Nas estradas, os militares e seus agentes paravam os veículos para identificar os passageiros... Se fosse localizada arma de fogo ou o rosto do passageiro mostrasse alguma semelhança com as fotos dos “terroristas”, o coitado do passageiro ficava detido para investigação. Em Araguaína o barulho de helicópteros militares dia e noite tirava o sossego da gente.

 

Esse negócio de direitos humanos era desconhecido pelo nortense, hoje tocantinense. A população, de maioria analfabeta, desconhecia a organização sindical para pleitear direitos. Não tínhamos uma elite intelectual para orientar os chefes políticos. Somente os estudantes da CENOG entraram em ação em nome do povo explorado no campo. Era preciso expulsar os grileiros da região e fazer a reforma agrária para os posseiros. Muitos estudantes da CENOG foram presos em Porto e Pedro Afonso Em Porto Nacional, estudantes e professores foram vítimas de tortura física para denunciar os “terroristas” e seus colaboradores na região. O bispo Dom Alano e o professor Maya salvaram a vida de muitos inocentes.

 

O povo só foi entender a palavra “terrorista” após a Guerrilha de Xambioá (hoje chamada de guerrilha do Araguaia), com a execução do último guerrilheiro, em 1975... 

 

Otavio Barros

 

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Fernando G Trindade

Creio que talvez a mais

Creio que talvez a mais perspicaz definição da ditadura de 64 e seus desdobramentos tenha sido a que Tancredo fez, com fina ironia: “O Estado Novo da UDN”.<?xml:namespace prefix = o />


Tal definição nos obriga a voltar à Revolução de 1930, talvez a mais importante data da história do Brasil, desde 1822. Os revolucionários de 30 tinham duas vertentes básicas.


A primeira delas (que teve Getúlio como liderança central) foi dar no PSD e no PTB em <?xml:namespace prefix = st1 />1945. A outra (que juntou dissidentes dos revolucionários de 30, como Eduardo Gomes e Virgilio de Melo Franco e perrepistas da República Velha, como o próprio Júlio Prestes), foi dar na UDN em 1945.


Creio que a fina ironia de Tancredo está em que a UDN utilizava o pretexto da ditadura do Estado Novo para fazer a mais radical oposição a Getúlio, mesmo quando ele foi eleito pelo voto popular em 1950, no regime liberal da Constituição de 1946.


E no entanto todos os próceres da UDN apoiaram a ditadura de 1964 (que por sua vontade já teria sido instalada em 1954, sendo adiada pelo gesto extremo de Vargas).


Então é como se Tancredo dissesse ao seus adversários da UDN: mas  não eram vocês os democratas? O ditador por vocação não era o Dr. Getúlio?


E foi exatamente Tancredo, um pessedista/getulista que liderou a aliança democrática que levou ao fim a ditadura do “Estado Novo da UDN”.


Nada como um dia depois do outro...

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Dilma, Dilma; Dilma, Dilma,

"Sem aprofundar em sua biografia, três momentos de sua vida foram separados, para ilustrar o ontem e o hoje."

Vou aprofundar em sua biografia:

1 - Dilma tinha a clara consciência da reforma política que foi impedida pelo golpe de 64.

2 - Em relação a sua biografia, ela teve as possibilidades de fazer as mudanças nos seus 4 anos de governo, já que a reforma política constitui uma exigência representativa do país.

3 - Ela sabe que nesta democracia que está em vigor os seus ideais de liberdade ficaram esquecidos de propósito.

Não adianta a Dilma nos distrair com um crescimento razoável. O que se supõe na forma de projetar a economia demostra sua rendição incondicional aos EUA e ao capital internacional.

 

 

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Uma ideia ou intuição dita de modo próprio pode servir de via de acesso em direção a percepção metafísica do ser e o quanto no universo ele é capaz de constituir por si mesmo para tal transcendência existencial.

Posso resumir o que penso

Posso resumir o que penso sobre o golpe em alguns Twitter que mandei hoje:

 

  1.  17m

    Our Brazilian honor demands that the skeleton of Vernon Walters to be hanged to purge American coup in Brazil in 1964.

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  2.   18m

    Our Brazilian honor demands that the skeleton of Lincoln Gordon to be hanged to purge American coup in Brazil in 1964.

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  3.   20m

    Our Brazilian honor demands that the skeletons of JFK and Lyndon Johnson to be hanged to purge American coup in Brazil in 1964.

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  4.   28m

    O dia de hoje exige que exumemos os cadáveres dos generais traidores e golpistas para poder enforcar seus esqueletos!

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  5.   5h

    Perdoar é o caralho, mano. Quero ver os agentes que serviram brutalmente à Ditadura no Pau-de-arara e na Pimentinha. Fodam-se!

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Parabéns Nassif por esta

Parabéns Nassif por esta série. Discutindo com um amigo sobre a Anistia, ele disse que os esquerdistas todos concordaram, que todo mundo concordou e até pediam a Lei da Anistia e que agora reclamam. Eu disse que naquele contexto foi o possível, não havia outro caminho. Ele voltou a retrucar que todos quiseram, que até os presos políticos fizeram greve de fome para que fosse aprovada a Anistia, que foi um grande pacto. Repondi que foi um grande pacto com a parte armada apontando para nós e perguntei se ele achava se naquele momento a esquerda dissesse que não queria a Anistia mas, sim, que toda história fosse passada a limpo, que os torturadores fossem julgados e condenados, se ele acreditava mesmo que iriam conseguir o que realmente queriam. Respondeu que, não. Então, naquele momento foi o arranjo possível porque os presos queriam sair das cadeias, os exilados queriam voltar, nós queríamos retomar a democracia, mas  enquanto não houvesse acordo tudo continuaria como estava. Portanto, a Anistia foi o acordo possível naquele momento entre partes em que uma detinha a força sobre a outra.

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" Que dia é hoje? Hoje é o

" Que dia é hoje? Hoje é o dia em que se comemora a perda da soberania do Brasil." - Zé Ilitch Ulianov

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Hélio Jorge Cordeiro

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aliancaliberal

Conhecimento pela metade

Não foram ouvidos nenhuma vitima da esquerda, ninguém pró revolução de 1964, nenhum contra ponto.

Outro dia um amigo não sabia que houve sequestro de um avião por parte dos terroristas e claro o destino Cuba.

Fazem igual ao "PIG" que tanto criticam.

Como se vai formar opinião sobre os fatos históricos se somente um lado é contado. Cada dia que passa serve para demonstrar a falta de imparcialidade da midia seja qual for a sua origem.

 

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josé lima

Conhecimento...

És, um caso perdido!

Entretanto, havemos de aturar-te, combatendo-te, argumentativamente; muito embora, conforme sói ocorrer, teus argumentos, mostrem-se pífios, e, até, excedam ao que se possa imaginar, que exista de mais ridículo, surge daí, um grande problema: torna-se, ingrata missão, travar o bom combate contra quem não tem, sequer, o senso do ridículo.

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Não precisa falar destes

Não precisa falar destes crimes porque foram investigados e os culpados apontados. Ou seja, a verdade foi contada.

Os outros crimes não.
Essa sua desonestidade intelectual incomoda.

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aliancaliberal

A propaganda parece não

A propaganda parece não existiu crimes cometidos pela esquerda.

Falta a informação completa, não pela metade.

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Acompanhei a série.

Acompanhei a série. Excelente.

Parabéns Nassif e colegas comentaristas que abrilhantaram as matérias

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