5 de junho de 2026

No grampo de Dilma e Lula, Gilmar não ficou indignado, por Bernardo Mello Franco

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Jornal GGN – O ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes merece “respeito” por insurgir-se contra os abusos da Operação Lava Jato, após um vazamento irresponsável constranger o colega Dias Toffoli sem nenhuma acusação.

Mas onde estava a indignação de Gilmar quando o juiz federal Sergio Moro vazou, com ciência do procurador-geral Rodrigo Janot, um grampo captado fora do prazo legal envolvendo a presidente da República? Naquela ocasição, Gilmar não levantou o tom contra a operação. Pelo contrário: disse que o importante era discutir o “conteúdo” do grampo e, a partir dele, ainda impediu que Lula fosse ministro. É o que lembra Bernardo Mello Franco na Folha desta quarta (24).

Por Bernardo Mello Franco

Indignação de ocasião

Na Folha

A crise entre o Ministério Público e o Supremo alcançou um novo patamar nesta terça (23). A água que esquentava desde o fim de semana atingiu o ponto de ebulição. Coube ao ministro Gilmar Mendes soprar o apito. Ele atacou os procuradores da Lava Jato, a quem acusou de vazar uma pré-delação para constranger o tribunal.

Gilmar abriu o verbo depois de a operação esbarrar na proximidade entre o empreiteiro Léo Pinheiro e o ministro Dias Toffoli. Ele sugeriu à colunista Mônica Bergamo que os procuradores seriam movidos a “delírios totalitários”. “Me parece que [eles] estão possuídos de um tipo de teoria absolutista de combate ao crime a qualquer preço”, afirmou.

Mais tarde, ao jornal “O Estado de S. Paulo”, o ministro disse que “é preciso colocar freios” nos investigadores, que se sentiriam “onipotentes”. Sem apresentar provas, ele disse que os procuradores “decidiram vazar a delação” para fazer um “acerto de contas” com seu colega.

O procurador Rodrigo Janot aderiu ao bate-boca. Depois de suspender a delação sem explicar suas razões, ele disse que a menção a Toffoli teria sido inventada. Em seguida, num recado a Gilmar, questionou: “A Lava Jato está incomodando tanto? A quem e por quê?”

O ministro tem certa razão ao pedir que os procuradores calcem as “sandálias da humildade”, embora ele nunca tenha encontrado um par do seu número. Desde o início da Lava Jato, é comum ver investigadores exagerando na autopromoção e no ativismo político. No entanto, chama a atenção que Gilmar tenha resolvido protestar quando a operação ameaça atingir um de seus colegas.

Os ministros do Supremo merecem respeito, mas não podem ser tratados como indivíduos acima da lei. Em março, quando a Lava Jato divulgou gravação de Lula e Dilma Rousseff, Gilmar não manifestou a mesma indignação com o vazamento. Na época, o que importava para ele era discutir “o conteúdo” do grampo. 

Cintia Alves

Cintia Alves é jornalista especializada em Gestão de Mídias Digitais e editora do GGN.

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12 Comentários
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  1. Silvio L. Morais

    24 de agosto de 2016 2:00 pm

    Claro como a luz do dia

    Nunca esteve tão à mostra a parcialidade e partidarismo de Gilmar Mendes e CIA. Em um caso que envolveu a divulgação do grampo que seria considerado crime contra segurança nacional em praticamente a totalidade das nações democráticas do planeta Terra, Gilmar Mendes e o impoluto STF silenciaram, calaram-se e calçaram as sandálias de Pôncio Pilatos. Ou pior ainda: o líder togado da oposição afirmou em tom solene que o conteúdo do grampo deveria ser discutido. Se a Justiça brasileira ainda tivesse algum fiapo de credibilidade – esse não é o meu caso, pois o meu descrédito nela é total – ele ter-se-ia rompido nesse episódio de indignação seletiva. 

  2. Messias Franca de Macedo

    24 de agosto de 2016 2:03 pm

     
    … E tome-lhe mais

     

    … E tome-lhe mais escândalos protagonizados pelo ‘miniSTÉRIO’ PRIVADA do Janot dos DEMoTucanos nazigolpistas, INFAMES antinacionalistas/entreguistas &$ [mega]corruptos!… $$$$$$$$$$$$$$$$$$$ PF NÃO ACOMPANHOU DELAÇÃO DE LÉO PINHEIRO Pedido para que a Polícia Federal não fizesse parte da delação do empreiteiro, ex-presidente da OAS, no âmbito da Lava Jato, partiu do Ministério Público Federal, que temia vazamentos 24 DE AGOSTO DE 2016 ÀS 09:47  A Polícia Federal não participou da delação premiada de Léo Pinheiro, ex-presidente da OAS, no âmbito da Operação Lava Jato.O motivo: atendeu a um pedido do Ministério Público Federal, que temia vazamentos dos depoimentos do empreiteiro, segundo a Coluna do Estadão.(…) FONTE: http://www.brasil247.com/pt/247/brasil/251429/PF-n%C3%A3o-acompanhou-dela%C3%A7%C3%A3o-de-L%C3%A9o-Pinheiro.htm

  3. Marcio Aurélio Cruzeiro

    24 de agosto de 2016 2:13 pm

    É a Lei Ricupero…….se é

    É a Lei Ricupero…….se é bom a Gente mostra, as Mazelas, ah estas, deixa pra lá….não vem ao caso.

  4. Leonardo Araújo

    24 de agosto de 2016 2:16 pm

    “… quando a operação

    “… quando a operação atingir um de seus colegas.”  Eu acrescentaria quando a operação atingir um colega que está na sua órbita de influência, cuja defesa veemente atua como uma espécie de consolidação dessa influência.

  5. Marcio Aurélio Cruzeiro

    24 de agosto de 2016 2:36 pm

    É a Lei Ricupero…….se é

    É a Lei Ricupero…….se é bom a Gente mostra, as Mazelas, ah estas, deixa pra lá….não vem ao caso.

  6. Edsonmarcon

    24 de agosto de 2016 2:43 pm

    Isso é amor!

    Gilmar defendendo seu TOTÓffoli

  7. João de Paiva

    24 de agosto de 2016 2:59 pm

    Puro cinismo e jogo de cena

    Prezados,

    Só os tolos, ingênuos ou incautos acreditam nesse falso embate entre Janot e GM. Cinismo, hipocrisia e jogo de cena desses atores-canastrões. Eles sempre estiveram e estão do mesmo lado, defendem os mesmos interesses, são militantes políticos do PSDB e defendem os aliados desde sempre. Basta lembrar o teatro de 5ª encenado pelos dois sobre os inquéritos contra Aécio Cunha (que num sorteio “aleatório” caiu nas mãos de Gilmar Mendes) ou o falso ‘bate-boca’ entre eles, quando o PGR pediu a prisão de José Sarney, Renan Calheiros e Romero Jucá.

  8. Wagner F.S.

    24 de agosto de 2016 3:11 pm

    Cascata e Cascatinha. “- Meu

    Cascata e Cascatinha. “- Meu garoto! – Meu paipai!”

  9. Gardenal

    24 de agosto de 2016 4:13 pm

    Por decisão monocrática do

    Por decisão monocrática do Ministro Gilmar Dantas, do Supremo, Moro já é oficialmente um CRETINO. Ainda cabe recurso ao Pleno. Perguntinha: DE QUE LADO O AÓCIO ESTÁ?

  10. joel lima

    24 de agosto de 2016 4:59 pm

    O imperativo categórico deste

    O imperativo categórico deste país é = APLICAM-SE AS LEIS CONFORME A CARA DO FREGUÊS.

     

     

  11. [email protected]

    24 de agosto de 2016 5:25 pm

    Esse Gilmar Mendes

    vendo o que vejo acontecer com o STF me pergunto: Quem merecece respeito não deve se dar o respeito??????????

  12. Afonso Braga

    24 de agosto de 2016 7:26 pm

    Respeito?

    “Os ministros do Supremo merecem respeito……” Respeito? caras que ganham R$ 40.000,00 por mês que agem como galã de novela, não se coaduna com a função que exercem; em nenhum lugar do mundo a Corte Suprema fica exposta como aqui. Quem merece respeito, somos nós, que como eu trabalhei 42 anos na ferrovia e tenho que brigar na justiça por uma complementação de aposentadoria sendo que esses urubus de toga recebem até salário moradia…desculpa mas merecem é um pé na bunda…e é capaz de meu processo chegar nas mãos desta corte pretoriana e dizerem que não tenho direito….essa é a ditadura do judiciário….preferia a dos militares, pelo menos a gente lutava no mano a mano…

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