4 de junho de 2026

A dança dos títulos com a Lava Jato: Janot, Lula e o STF

 
JORNAL GGN – Foi num crescendo: Janot recomendou ao STF que Lula seja ouvido pela Polícia Federal nas investigações da Lava Jato. Certo? Errado. Ao contrário do que divulgaram os jornais na última semana, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, não “recomendou” que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva seja ouvido nas investigações da Operação Lava Jato. Contrariando a grita dos títulos, Janot afirmou que não há indícios que justifiquem a inclusão de Lula no rol de investigados, mas incluiu que isso não impede que, se necessário, o ex-presidente e os outros listados sejam ouvidos como testemunhas.
 
A informação foi divulgada incorretamente pelo Estado de S. Paulo, na última sexta-feira (25), que não teve cuidado ao interpretar o processo. Na primeira parte do despacho de Janot, ele elenca o “Relatório” do que foi solicitado pela autoridade policial, antes de tomar a sua decisão na segunda parte do documento. Ao relatar os pedidos do delegado, Janot descreve que a autoridade:
 
 
A repórter do Estadão, entretanto, agregou esse trecho à decisão final de Janot, como se ambas as partes fossem o posicionamento do procurador-geral da República. (http://bit.ly/1FDCa59)
 
 
Em outra reportagem (Janot pede ao Supremo que Lula seja ouvido pela PF na Operação Lava Jato), atualizada duas horas depois, a jornalista, após manter o tom de “recomendaçao” do procurador-geral da República, descreve que “até o momento não há o que “justifique” a ampliação da lista de investigados perante o Supremo” e que “de forma cuidadosa, o parecer aponta que os nomes mencionados pela Polícia Federal não são investigados”, segundo Janot.
 
A Folha de S. Paulo seguiu a mesma linha e manchetou: Janot recomenda que STF autorize PF a ouvir Lula sobre Lava jato. E O Globo tampouco teve o cuidado no seu título: Janot é favorável a convocação de Lula como testemunha. Ambos os jornais, entretanto, descreveram no conteúdo das reportagens a postura real do procurador.
 
A ênfase negativa do Estadão, que posteriormente teve uma tentativa de conserto do erro, manteve-se na pauta do jornal, que neste domingo (27) publicou uma sugestiva análise de bastidores indicando que a possibilidade de um depoimento do ex-presidente “deixou o governo em alerta”. 
 
“O temor é que uma eventual convocação do petista, mesmo sem ser investigado, amplie a crise do governo Dilma Rousseff”, afirma a reportagem (abaixo), que traz fontes generalizadas para o suposto “temor”, como “governo”, “Planalto” e “PT”. O jornal escutou apenas líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), que restringiu-se a criticar como “conotação política” a intenção de se chamar Lula para testemunhar.
 
Leia a reportagem e, em seguida, a decisão de Rodrigo Janot na íntegra:
 
 
Para Planalto, eventual convocação para depor na Lava Jato ampliaria crise, mesmo que ele não seja investigado
 
Por Daniel Carvalho e Isadora Peron – O Estado de S. Paulo
 
BRASÍLIA – A possibilidade de o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva prestar depoimento à Polícia Federal como testemunha do esquema de corrupção investigado pela Operação Lava Jato deixou o governo em alerta. O temor é que uma eventual convocação do petista, mesmo sem ser investigado, amplie a crise do governo Dilma Rousseff.
 
No Planalto, a avaliação é de que qualquer ação que associe a imagem do ex-presidente ao escândalo é algo que abre um precedente “muito ruim”. O PT tenta desqualificar e minimizar o fato. Anteontem, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, enviou parecer ao Supremo Tribunal Federal no qual recomenda ao relator, ministro Teori Zavascki, que aceite o pedido da PF para ouvir Lula, como testemunha.
 
“O ex-presidente vai testemunhar sobre o quê? Há uma clara conotação política nessa iniciativa”, afirmou o líder do PT do Senado, Humberto Costa (PE).
 
Para o senador, não há nenhum fato que envolva o ex-presidente no escândalo da Petrobrás. Ele qualifica como uma “coisa isolada” a iniciativa do delegado da PF Josélio Sousa, que além da autorização para ouvir Lula, pede também os testemunhos dos ex-ministros Gilberto Carvalho e Ideli Salvatti.
 
Para o deputado tucano Antonio Imbassahy (BA), 1.º vice-presidente da CPI da Petrobrás, a decisão de Janot é acertada. “Lula é um cidadão comum que tem de observar a legislação como todos. Todo o esquema do ‘petrolão’ foi iniciado no governo dele, por isso tem obrigação de prestar os esclarecimentos. Como presidente, ele tinha responsabilidade sobre as ações de seus subordinados.”
 
Segundo a edição da revista Veja desta semana, o ex-deputado Pedro Corrêa, preso desde abril por envolvimento no esquema de desvios na Petrobrás, estaria negociando com o Ministério Público um acordo de delação premiada. A publicação afirma ainda que Corrêa teria dito aos procuradores da Lava Jato que Lula e a presidente Dilma Rousseff sabiam da existência do esquema de corrupção que funcionava na estatal.
 
Também de acordo com a revista, Corrêa contou, em conversas preliminares, que o “petrolão” nasceu em uma reunião no Planalto, da qual participou. No encontro, cuja data não foi informada pela publicação, definiu-se a nomeação de Paulo Roberto Costa para a Diretoria de Abastecimento da estatal.
 

Patricia Faermann

Jornalista, pós-graduada em Estudos Internacionais pela Universidade do Chile. Coordenadora de Projetos. Repórter e documentarista de Política, Justiça e América Latina do GGN desde 2013.

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5 Comentários
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  1. andre sousa R

    29 de setembro de 2015 12:00 pm

    essa é a imprensa de uma das

    essa é a imprensa de uma das maiores economias do planeta,  da depressao

  2. JB Costa

    29 de setembro de 2015 12:20 pm

    Nenhuma novidade. Essas

    Nenhuma novidade. Essas táticas da mídia compromissada são recorrentes, portanto aguardadas, e só servem para garantir audiências e assinaturas de periódicos do seu público fiel desde sempre. Não se serve alface a leões. 

    Tragam para cá, porque realmente é inusitado, matéria deles,  não realçando qualquer coisa de bom no governo, do Lula, do PT e seus correlatos. Isso é quimera, mas sim justas, imparciais e pertinentes. 

  3. João de Paiva

    29 de setembro de 2015 1:26 pm

    Os jornais deixaram de ser

    Os jornais deixaram de ser fonte de notícias, sendo hoje panfletos da oposição ou manifestos de ‘torcida’. E há quem compre, leia e acredite, piamente e sem duvidar, naquilo que é publicado. Neste caso, por exemplo, o ‘estadinho’ mistura o que diz o inquérito da PF e o pedido de prorrogação das investigações e diligências com o efetivo parecer/despacho do MPF, autorizando a referida prorrogação.

    É a má-fé e a manipulação em seu estado (im)puro.

  4. Lucinei

    29 de setembro de 2015 2:28 pm

    Nem sei se é mesmo hilário,

    Nem sei se é mesmo hilário, de tão patético, o Hélio Bicudo pedir mais da imprensa para derrubar Dilma e para desmoralizar o Lula. O provocador do roda viva até se assustou “a imprensa!?”

  5. SILVIO MIGUEL GOMES

    30 de setembro de 2015 10:23 am

    ALBERTO DINES

    tem excelente artigo sobre a conduta da imprensa brasileira e comparação com o que acontecem em 64. Realmente os Jornalistas foram protagonistas, tal os principais, no golpe de 64. 

       Por isso Hélio Bicudo no Roda Viva pediu o golpe para a grande imprensa e o “Jornalsita da Época” não entendeu.

       Eu me lembro que em antigo debate de candidatos o Jorn.Josias (folha) disse para Paulo Maluf que ele (Josias) era honesto. Pois, eu digo que não é não. E quem vai ser lembrando no futuro é Maluf e suas grandes obras (feliz ou infelizmente).

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