
O STF e as drogas, por Luiz Felipe Panelli
O Supremo Tribunal Federal incluiu em sua pauta o Recurso Extraordinário que contesta a constitucionalidade da proibição do uso de substâncias entorpecentes. O que está em jogo, basicamente, é saber se o Estado tem poder de proibir que o cidadão utilize uma substância considerada ilícita para fins recreativos. Em uma análise mais aprofundada, porém, o Supremo Tribunal Federal deliberará a respeito do limite do poder do Estado de regulamentar a vida dos cidadãos. A Constituição Federal garante a todos o direito à privacidade e à intimidade; esta garantia, na opinião dos que provocaram a atuação do Tribunal, serve também para permitir que uma pessoa utilize em seu próprio corpo uma determinada substância, a despeito do que possam entender as autoridades estatais.
A decisão do Tribunal, seja ela qual for, tem a possibilidade de nortear o debate a respeito dos limites do poder estatal nos próximos anos. Atualmente, a face reguladora do Estado está presente em boa parte da vida cotidiana; autoridades públicas decidem a quantidade de gordura, açúcar, sal e outras substâncias outrora consideradas inócuas nos alimentos, bem como deflagraram uma verdadeira guerra ao cigarro, seguindo uma tendência mundial. A indústria dos alimentos e a indústria farmacêutica, que têm influência notável no Poder Legislativo, participam ativamente do debate a respeito de tais políticas regulatórias. Em todo o mundo, cresce o poder do Estado a respeito do que o cidadão pode ou não ingerir.
Na outra ponta da sociedade, excluídos do processo civilizatório e à margem de qualquer direito, estão os envolvidos com o tráfico de drogas. Os setores mais frágeis da sociedade – crianças e adolescentes oriundos de baixa classe social – têm uma participação intensa no tráfico de drogas, em geral cooptados por grandes e médios traficantes, que sabem que sua reposição é extremamente fácil e barata. Disto resulta o encarceramento em massa e uma enorme quantidade de recursos públicos gastos na repressão ao tráfico e no encarceramento. O sistema penitenciário, além de caro, é bastante ineficaz e contribui para a reincidência de jovens criminosos. Ainda, moradores de áreas dominadas por traficantes de drogas têm que se submeter a um verdadeiro Estado paralelo, muitas vezes imposto pelo meio do uso brutal da força.
Seja qual for a política de controle do uso de substâncias que queremos ter, fato é que a atual política de “guerra às drogas” está completamente falida e se mostrou incapaz de dar mais segurança à sociedade e garantir direitos àqueles cujas vidas foi destroçada pelo tráfico de drogas. Por este motivo, deveríamos ter uma ampla discussão sobre proibição do uso de drogas, política de segurança pública e direito penal nos setores representativos da sociedade, isto é, nas Assembleias Legislativas e no Congresso Nacional. Ocorre que o sistema perverso de alianças partidárias e coalizões que distorcem profundamente a representatividade criou um Congresso Nacional que vive às turras com a presidente da República e é incapaz de criar uma agenda legislativa séria para o Brasil.
Assim, mais uma vez, o foro dos grandes temas nacionais passa a ser o Supremo Tribunal Federal. O Poder Judiciário não pode, evidentemente, formular políticas públicas, mas pode dar à sociedade brasileira a resposta a uma pergunta muito importante: o Estado pode impedir que o cidadão utilize uma determinada substância em si mesmo? Qual é o limite do poder de regulamentação do Estado?
Com a palavra, o Supremo Tribunal Federal.
*Luiz Felipe Panelli é especialista em Direito Constitucional e pesquisador do Grupo de Estudos Direito, Estado e Sociedade da FESPSP (Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo)
antonio francisco
13 de agosto de 2015 9:50 amÉ mesmo. Hoje o STF começa a discutir o assunto.
http://g1.globo.com/politica/noticia/2015/08/decisao-do-stf-sobre-porte-de-droga-tera-repercussao-geral.html
antonio francisco
13 de agosto de 2015 12:27 pmEnquanto isto, nos USA…
Relativamente a drogas, o modelo atualmente em voga no Brasil foi copiado integralmente do modelo americano de antigamente. Lá agora estão mudando. Olha a manchete da Folha, hoje:
Indústria da maconha nos EUA mais que dobra em 2 anos e atrai investidor
http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2015/08/1666388-industria-da-maconha-nos-eua-mais-que-dobra-em-dois-anos.shtml
Alan Souza
13 de agosto de 2015 3:08 pmPois é…
Os caras que criaram a histeria contra a maconha e a fizeram ser proibida em quase todo o mundo estão mudando de visão. E nós, que compramos a mentira deles, vamos continuar enterrados nesse modelo ultrapassado e repressor por mais uns 120 anos…
Athos
13 de agosto de 2015 12:56 pmQuem decide isso é a
Quem decide isso é a Presidente da República eou o Congresso.
Ricardo Staack
14 de agosto de 2015 8:27 amKit traficante – Um saquinho, com algumas trouxinhas de maconha
Aumentaram muitos as prisões de traficantes nos últimos tempos. – Os jovens brasileiros são as maiores vítimas de um legislativo e de um judiciário jurrássicos e corrompidos, as notícias dos EUA e de outros países como Portugal, Uruguai, Espanha Dinamarca, e muitos outros e, se sentem mais seguros em sua cidadania. A PM do Rio de Janeiro, está dando 13.000,00 R$ de abono para os policiais que prendem traficantes: conclusão, qualquer PM ganancioso, não venham me dizer que não existem, já saem do quartel com um saquinho contendo algumas trouxinhas de maconha ou alguns papelotes de cocaína, para faturar os treze mil, é o kit traficante, se o jovem for flagrado fumando um baseado, num lugar deserto onde não hajam testemunhas, facilmente esse saquinho será apresentado como se fosse do jovem usuário, que fica preso como traficante, embora nunca tenha sido. É por isso que as estatísticas mostram um aumento de traficantes presos. Treze mil no bolso do corrupto e um jovem inocente, que tinha trabalho e estudava, agora está encarcerado junto com bandidos perigosos. Aqueles que deveriam zelar pela justiça se tornam achacadores C R I M I N O S O S.
Vitor
20 de agosto de 2015 12:27 pmDROGAS
É um grande paradigma, mas tudo está ligado diretamente, o trafico o usuário bandidinho que te rouba e troca por crack qualquer coisa serve de moeda de troca, por causa da falta de controle da fissura (pois não é um comércio legal), o grande traficante que nunca vai preso mas tem armas e capital forte e contatos políticos e policiais ambos corruptos (a polícia deveria estar atrás de criminosos de verdade ou seja eles mesmos políticos que ficam empatando a parte da polícia honesta de resolver realmente crimes desviando a atenção, matando usuário, mini traficantes armados até os dentes, até polícia morrendo e inocentes nessa guerra burra) e que os grandes maus nunca caem na linha de frente como os ponteira no tráfico ou só usuário que vão preso, e entram outro ou outros no mesmo lugar dos mini traficantes para venda, e os que vão preso depois já saem formado na escola do crime (cadeia), deveríamos colocar a maconha para uso como qualquer droga licita como cigarro e álcool que porem são mais prejudiciais que a maconha já comprovado, e fins medicinais e todos fins que se pode usar que são muitos (reorganizando a economia dando empregos também consequentemente) não caberia todos benefícios se colocasse aqui, até um remédio que cura vícios de outras também. E as outras drogas deveriam ficar no âmbito da medicina vendido com receita na farmácia perante tratamento do vicio com indução a parar pelo médico assim podendo estudar mais profundamente a droga e o usuário, cuidando dos doentes certo, arrecadando impostos tirando dinheiro do tráfico e investindo em informação para diminuir o consumo igual Portugal mostrou e outros países, o restante para população e no que precisa que a receita é muito mais muito alta! Pense!!!!! Quanto mais proibir mais cara fica droga e mais interessados em vende-las e mais curiosos os jovens ficam para conhecer e sem informação coerente acham que as outras é igual maconha ao experimentar que não faz nada perto do crack e cocaína que tem a mesma proibição, aí experimentam e já é tarde acorda Brasil!!!!!! Descriminalizar é só o começo da evolução!!! Vamos esvaziar as cadeias tirar os inocentes doentes e quebrar as pernas dos traficantes e corruptos!! Assim ninguém iria comprar drogas de mal qualidade no trafico ilícito!