4 de junho de 2026

Quais providências Janot pode tomar na Lava Jato? Por Janice Ascari

 
Por Janice Agostinho Barreto Ascari 
 
 
Nos últimos dias tenho lido aqui e ali muita bobagem no sentido de que o Procurador-Geral da República Rodrigo Janot iria apresentar diversas denúncias dos envolvidos na Operação Lava Jato, mas que teria ‘voltado atrás’. 
 
Tudo isso é pura especulação, má fé ou desinformação propositadamente disseminada para desqualificar o acusador.
 
O Procurador-Geral da República é o membro do Ministério Público que atua perante o Supremo Tribunal Federal. Tem entre suas atribuições os processos criminais contra as autoridades que têm foro especial por prerrogativa de função perante o STF, conforme artigo 102 da Constituição Federal: Presidente da República, Vice-Presidente, membros do Congresso Nacional, Ministros do STF, Procurador-Geral da República, Ministros de Estado, Comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica, membros dos Tribunais Superiores, do Tribunal de Contas da União e os chefes de missão diplomática de caráter permanente.
Ao receber qualquer notícia de fato criminoso, o Procurador-Geral da República analisa o caso e pode adotar uma das seguintes medidas:
  • Se o caso não envolve autoridade com foro especial no STF, o PGR o remeterá a outro colega do MP, Federal ou Estadual, que tenha atribuição.
  • Se não houver crime (se se tratar, por exemplo, de um ilícito civil ou administrativo), promoverá o arquivamento.
  • Se precisar colher mais elementos para elucidar os fatos, o PGR poderá: a) realizar diretamente diligências investigatórias – e isso é feito na exata forma previamente estabelecida no Regimento Interno do Gabinete do PGR; b) solicitar ao STF a instauração de Inquérito (que não é policial, mas sim Judicial, obedecendo ao rito da Lei nº 8038/90 e do Regimento Interno do STF)
  • Se já tiver em mãos todos os elementos para tanto, oferecerá denúncia, que é a formalização da acusação perante o Poder Judiciário.

Isso vale para a Lava Jato ou para qualquer outro caso.

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O PGR jamais declarou o que está sendo feito. 
 
Qualquer ‘previsão’ nesse sentido é chute. Ou melhor, é bola fora.

Patricia Faermann

Jornalista, pós-graduada em Estudos Internacionais pela Universidade do Chile. Coordenadora de Projetos. Repórter e documentarista de Política, Justiça e América Latina do GGN desde 2013.

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14 Comentários
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  1. Luciano Prado

    27 de fevereiro de 2015 7:52 pm

    Reinventando a roda

    O que tem sido comentado – ou especulando como quer Janice – diz respeito a um dos itens que ela mesma coloca, ou seja:

    “Se precisar colher mais elementos para elucidar os fatos, o PGR poderá: a) realizar diretamente diligências investigatórias – e isso é feito na exata forma previamente estabelecida no Regimento Interno do Gabinete do PGR…”

    Portanto, não é de todo absurdo que por falta de elementos suficientes para oferecer a denúncia o MP busque esses elementos comprobatórios. Se vai conseguir são outros tantos.

    Agora, a guerra de informação vem sendo praticada desde o início da Lava Jato com vazamentos seletivos e que não interessam à verdade real, mas à criminalização do PT.

     

  2. Alan Souza

    27 de fevereiro de 2015 7:53 pm

    A coisa chegou a tal ponto

    Que é necessário que pessoas venham a público explicar o óbvio ululante, aquilo que deveria prescindir de qualquer explicação. É a exorbitação do acaciano, diante da exacerbação do emburrecimento geral.

    Daqui a pouco leremos nos jornais explicações como “o fogo queima”, “o gelo é gelado”, “o quadrado não é um círculo”, e coisas assim…

  3. JoselitoSN

    27 de fevereiro de 2015 7:57 pm

    No caso, a aplicação do

    No caso, a aplicação do “direito consuetudinário” nos impõe mais uma medida no rol exposto:

     

    * o PGR coloca os documentos em uma gaveta até o direito de punir Estatal ser abarcado pela prescrição.

  4. altamiro souza

    27 de fevereiro de 2015 8:06 pm

    chutes ou bolas fora são a

    chutes ou bolas fora são a especialização maior do tal do pig.

    mais comumente chamadas de falácias,  invenções

    ou mentiras mesmo, deslavadas….

  5. Ivan de Union

    27 de fevereiro de 2015 8:52 pm

    “O PGR jamais declarou o que

    “O PGR jamais declarou o que está sendo feito”:

    Esse eh o problema mesmo!  Ta dando ha meses a clara impressao que esta escondendo nomes tucanos.

  6. Fábio de Oliveira Ribeiro

    27 de fevereiro de 2015 9:31 pm

    Desqualificar o acusador e a
    Desqualificar o acusador e a acusação é uma legítima estratégia de defesa. O PGR tem prazos a cumprir e deve se preocupar com a prescrição e com a “construção” da acusação, algo que envolve a coleta e análise de indícios de provas da materialidade do crime, da autoria, motivação e culpa. O resto é lengalenga.

  7. j cláudio

    27 de fevereiro de 2015 9:50 pm

    disse disse e não disse

    disse disse e não disse nada

    vai fazer o quê o Procurador?

    Acho que todas hipóteses que ela falou estão citadas na mídia

    acho que ela quis ensinar o povão

    doutora janice

  8. implacavel

    27 de fevereiro de 2015 10:16 pm

    Ou seja….
    Cada caso é um caso……

    1. Waldomiro Pereira

      28 de fevereiro de 2015 12:15 am

      depende do investigado. Uns

      depende do investigado. Uns são mais, outros menos e outros nem investigados são.

       

      Veja o caso do dotor Cretino MALA. foi absolvido no nascente do processo pelo tb dotor que já se arretirô do causo.

       

      Escafedeu-se;

       

      Deve estar por ai levando a vida numa boa.

  9. -Charlie-

    27 de fevereiro de 2015 10:48 pm

    O que a doutora Janice não

    O que a doutora Janice não explica é o porquê de seu colega ter demorado quase UM ANO para tomar qualquer atitude…

    Desde abril de 2014 os autos da investigação dormitam em suas gavetas profundas, já que a PF é obrigada por Gilmar Mendes a mandar para o STF/PGR qualquer inquérito de detentores de prerrogativa de foro.

    E a praxe na PGR é sentar em cima desses inqueritos por bastaaaaaaante tempo. Exemplos nao faltam: mensalão do DEM ficou quase 03 anos parado, Operação Vegas estava totalmente engavetada quando estourou a Monte Carlo e assim por diante…

    Aí os procuradores vem posar de paladinos da justiça, de combatentes da corrupção, quando não passam de caçadores de onças abatidas…. Mas enganam estudantes e jornalistas, maiores admiradores dessa turma.

    1. Quintela

      28 de fevereiro de 2015 10:35 am

      O MP é muito engraçado. Batou

      O MP é muito engraçado. Batou aparecer nome de tucano graúdo que a “cautela” aparece. Se não fosse isso já teriam convocado a REDE GLOBO para um “exclusiva”…

      MP é instituição desmoralizado…

  10. Luiz de Souza

    28 de fevereiro de 2015 12:49 am

    Silêncio

    Especulações são normais. Mas a experiência recente diz que a tendência é que os acusados do PT sejam apresentados para inquérito ou investigação e os demais sejam guardados nas gavetas mais profundas do PGR. A apuração do caso Visanet e o inquérito 2474, cuja omissão possibilitou a condenação da cúpula do PT é um exemplo. Os responsáveis pela condução, além do JB, foi o Roberto Gurgel e o PGR anterior, Antonio Fernando de Souza.

    1. nosden

      28 de fevereiro de 2015 1:33 am

      Bingo, e a inocente acha que

      Bingo, e a inocente acha que sabe de tudo . . . . .

  11. Maria Silva

    28 de fevereiro de 2015 11:44 am

    Essa confusão toda

    é por que tem tucano graudo nesse rolo. Ai seguem-se os ritos normais da Lei. Mais provas, mais investigação, sigilo, cautela nas acusações, segredo de justiça, etc, etc … Se fosse somente  o PT e seus aliados,nenhuma cautela, nenhuma presunção de inocencia, nada. Só paulada.   Condenaçaõ previa. Defesa? Provas? O que é isso???

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