5 de junho de 2026

Hildegard Angel recebe certidão de óbito da mãe e do irmão, mortos pela ditadura

Documentos que apontam "morte não natural, violenta, causada pelo Estado brasileiro" durante os anos de chumbo foram encaminhados durante a gestão de Eugênia Gonzaga na Comissão sobre Mortos e Desaparecidos Políticos

Jornal GGN – A jornalista Hildegard Angel recebeu, na sexta (6), as certidões de óbito do irmão, o estudante Stuart Angel, e da mãe, a estilista Zuzu Angel, mortos pela ditadura militar. A informação foi divulgada pela colunista da Folha Mônica Bergamo, nesta segunda (9).

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Quase 50 anos depois, os dois documentos fazem constar que a morte de Stuart e Zuzu não foi “natural”, mas “violenta, causada pelo Estado brasileiro, no contexto da perseguição sistemática e generalizada a população identificada como opositora política ao regime ditatorial de 1964 a 1985.”

Stuart foi preso e torturado até a morte na base aérea do Galeão, no Rio, em 1971, e Zuzu morreu cinco anos depois após um acidente de carro planejado pela ditadura, lembrou Bergamo.

A certidão é obra da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos sob a presidência da procuradora Eugênia Gonzaga, afastada do cargo em agosto passado, depois que ela cobrou explicações ao Planalto sobre os ataques de Jair Bolsonaro à memória de outras vítimas da ditadura.

“Foi com Eugênia que a coisa realmente andou. É irônico que o processo tenha terminado nesse governo”, disse Hildegard à coluna.

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2 Comentários
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  1. Camilo Leal de Oliveira

    9 de setembro de 2019 12:43 pm

    ERRO INTENCIONAL … JUSTAMENTE

    Triste pensar que o reconhecimento oficial de um “erro” do Estado brasileiro (na verdade assassinatos planejados) demore mais de 50 anos e ainda assim porque houve muita persistência.
    A tristeza decorre da constatação de que o “erro” do Estado brasileiro foi cometido na plena convicção (à epoca ditatorial) de que não haveria futuro reconhecimento da intenção homicida… ou que caso houvesse… (como é fato agora) seria diluído por uma enorme distância temporal que na prática inviabiliza as reponsabilizações dos comandantes e executores do “erro”.
    Muito triste pensar no sistema judicial brasileiro e perceber que castiga violentamente os mais vulneráveis e adia, o mais que possa, um castigo aos poderosos violentos.

    Em tempo: Foi reaberto em São Paulo a investigação do assassinato de Vladimir Herzog, conforme determinação (salvo equívoco) da ONU? Será que daqui a umas décadas o judiciário brasileiro faz alguma coisa….? Justamente…..

  2. Maria Luisa

    9 de setembro de 2019 3:21 pm

    Parabéns a Hildegard que, assim como Zuzu Angel, é uma incansavel batalhadora. Que repousem em paz. E que pena o Brasil voltar aos tempos obscuros… Agradecemos à Procuradora Eugênia Gonzaga, que é outra grande batalhadora.

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