Jornal GGN – Pela segunda vez, a reitora temporária Mirlene Damázio, da Universidade Federal de Grande Dourados (UFGD), do Mato Grosso do Sul, cancelou uma reunião do Conselho Universitário (Couni), que ela mesma havia convocado.
A instituição vive uma crise de representação desde que Damázio foi nomeada temporariamente para assumiu o posto no comando da instituição de ensino, em junho, pelo ministro da Educação, Abraham Weintraub, enquanto a discussão sobre a lista tríplice não chegava a um desfecho definitivo na Justiça.
O procurador do Ministério Público Federal, Eduardo Gonçalves, havia entrado com uma ação civil pública para suspender a lista tríplice, votada pela comunidade acadêmica para decidir o novo reitor da Universidade, alegando que a escolha havia sido fraudada, uma vez que dois indicados na lista não tinham participado da eleição interna.
Finalmente em agosto, o juiz da 1ª Vara de Grande Dourados, Moisés Rodrigues da Silva, concluiu que a lista tríplice era válida. Como o MPF não recorreu da decisão, houve trânsito em julgado, ou seja, o caso está encerrado.
Quem define de fato a escolha dos dirigentes de universidades federais é o presidente da República, com base nas sugestões encaminhadas pelo Colégio Eleitoral de cada instituição de ensino.
Há cerca de uma semana, o Conselho Universitário enviou um ofício ao ministro Weintraub cobrando a nomeação do professor Etienne Biasotto, o primeiro colocado na votação para a lista tríplice.
Foi também na semana passada, dia 26 de setembro, que a reitora temporária convocou uma reunião ordinária do Conselho Universitário (COUNI). Porém, alegando falta de segurança com a “invasão de pessoas com instrumentos musicais, balões e gritos”, Mirlene Damázio cancelou o encontro.
Como mostraram imagens enviadas por um professor da instituição ao Jornal GGN naquele dia, a reitora convocou, além de seguranças da própria instituição, agentes da Guarda Municipal e da Polícia Militar, alguns deles portando armas e câmeras.
Apesar da nota de cancelamento de Damásio, a comunidade acadêmica manteve a reunião do dia 26 de setembro, concluindo os trabalhos com a divulgação de uma nota de não reconhecimento da professora Mirlene como reitora da UFGD.
“Como órgão máximo de uma instituição de educação, o Couni não poderia deixar de expressar que essa indicação representa, também, oposição às premissas basilares de uma instituição educacional comprometida com o processo formativo, crítico e inclusivo, que valorize a diversidade e a pluralidade e que, dessa forma, fomente a construção de uma sociedade, efetivamente, democrática”, diz trecho da nota emitida.
Nesta sexta-feira (4), Damázio chegou a comparecer na reunião do Couni, mas logo no início cancelou o encontro por superlotação. Ao invés de marcar o encontro para ocorrer no auditório da Universidade, onde de costume são realizadas as reuniões do Conselho, a reitora pró-tempore usou uma sala menor.
Segundo informações do jornal Campo Grande News, devido ao espaço pequeno, só os conselheiros e alguns representantes dos estudantes poderiam entrar, mas acadêmicos, professores e servidores administrativos, que se encontravam do lado de fora, começaram a acessar o espaço. Foi quando Damázio anunciou o cancelamento por superlotação.
Alunos, professores e funcionários permaneceram por mais tempo na sala. Por fim, o encontro acabou ao som de protestos e gritos de ordem contra Damázio chamada de “interventora” pela comunidade acadêmica.
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