4 de junho de 2026

Manchas de óleo: o que está sendo ocultado?, por Gustavo Gollo

As notícias, em contrapartida, continuam sugerindo a farsa da ocorrência de vazamento em navio, quando a catástrofe equivale ao derramamento total do conteúdo de milhares de navios.

Manchas de óleo: o que está sendo ocultado?, por Gustavo Gollo

Desde o final de agosto, quando manchas de óleo surgiram em Maraú, no sul da Bahia, e em diversos estados do nordeste, acabando por se alastrar por todos eles, uma farsa absurda vem encobrindo um acidente monstro, um crime ambiental sem precedentes no país.

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

Como podemos afirmar, fora de dúvidas, tratar-se de um acidente monstro?

O primeiro fato a sugerir essa conclusão foi a constatação de que a poluição se alastrava por uma extensão gigantesca, que superava a marca de 2 mil quilômetros – agora 2.300. A vastidão da tragédia ambiental impediu que o fato pudesse ser ocultado da população.

Evidência ainda mais estarrecedora do desastre monstro foi notificada no dia 11, quando a análise de imagens de satélite revelou a existência de duas manchas descomunais, verdadeiras ilhas de petróleo que, juntas, cobriam extensão de 25 quilômetros quadrados, aglutinando quantidade de petróleo equivalente à carga total de um petroleiro. Embora por si impressionante, quantidades análogas de petróleo já vazaram em outras ocasiões em várias partes do mundo e até no Brasil, constituindo grandes acidentes. O fato verdadeiramente aterrorizante, no entanto, não foi propriamente a extensão gigantesca da evidência, mas o longo período através do qual a mancha perdurou. O decaimento das manchas de óleo no oceano é muito rápido, chegando a reduzi-las a um décimo do tamanho original em uma semana. Cálculos baseados em tal constatação revelam estimativas tão sinistras que impronunciáveis para a quantidade de petróleo originada no derramamento. A evidência sugere um derrame de óleo sem precedentes capaz de fazer o da Deepwater Horizon – considerado o maior de todos os tempos –, parecer bolinho.

Tanto a mancha revelada pelo radar do satélite, quanto as estimativas do tamanho monstruoso do desastre vêm sendo ocultadas da população. As notícias, em contrapartida, continuam sugerindo a farsa da ocorrência de vazamento em navio, quando a catástrofe equivale ao derramamento total do conteúdo de milhares de navios.

A mancha em questão foi descoberta através da implementação de procedimento padrão decretado para casos análogos, embora realizado com atraso de quase um mês e meio, e por atitude individual, tendo os órgãos governamentais se desobrigado da tarefa atribuída a eles por norma.

Ao invalidar a hipótese de vazamento de navio, dada a quantidade desmesurada de óleo evidenciada pela mancha, demole-se também a parte mais sórdida da farsa: a imputação do crime à Venezuela.

Essa farsa já havia sido completamente desmascarada quando apresentada no Fantástico com o objetivo de “provar”, de maneira fraudulenta, a mentira. Ao constatar que a análise química do petróleo da mancha tinha origem brasileira, e não venezuelana, os farsantes editaram a reportagem “incriminatória” sem apresentar qualquer dado sobre o petróleo venezuelano, comparando a análise da mancha com amostra uma brasileira e outra oriunda do Oriente médio “provando” desse modo sua origem venezuelana. Tóin.

O boato que atribui origem venezuelana ao petróleo que está poluindo a costa do nordeste foi plantado com o intuito de ocultar a catástrofe, farsa endossada e fortalecida pelo presidente da república que além de insinuá-la decretou sigilo sobre o relatório da Petrobrás que esclarece o assunto.

Como desvendar completamente a farsa?

Existe uma maneira muito simples de desvendar toda a farsa, basta retroceder as imagens da mancha obtidas por satélites ao longo do tempo, localizando desse modo sua origem. A tarefa exige o conhecimento de sensoreamento remoto e pode ser feita recuperando-se imagens dos satélites europeus Sentinel 1 e 2, não há mistério nisso.

Adendo: Na segunda-feira pela manhã, enquanto eu denunciava a farsa apresentada na véspera, no Fantástico, a reportagem apresentada no site G1 foi editada tendo sido retirada a parte que comprovava a fraude, como denunciei em texto anterior. Agora, o vídeo no G1 retornou ao formato original, eis o trecho anteriormente retirado, que deveria comprovar a identidade venezuelana da amostra, mas trata apenas de petróleo brasileiro e do Oriente Médio.

Leia também:

https://jornalggn.com.br/blog/gustavo-gollo/manchas-de-petroleo-mapeando-o-crime/

https://jornalggn.com.br/blog/gustavo-gollo/mais-sobre-a-farsa-do-petroleo-venezuelano/

https://jornalggn.com.br/blog/gustavo-gollo/o-elefante-escondido-embaixo-do-tapete/

https://jornalggn.com.br/artigos/a-catastrofe-oceanica-e-a-farsa-em-andamento/

https://jornalggn.com.br/blog/gustavo-gollo/desastre-monstro-no-atlantico-sul/

https://jornalggn.com.br/blog/gustavo-gollo/especulacao-sobre-a-catastrofe-que-assola-o-litoral-brasileiro/

Crime ambiental em andamento no Atlântico Sul, por Gustavo Gollo


https://jornalggn.com.br/blog/gustavo-gollo/catastrofe-ambiental-no-atlantico-sul/

https://jornalggn.com.br/blog/gustavo-gollo/um-elefante-embaixo-do-tapete/

https://jornalggn.com.br/meio-ambiente/desastre-ambiental-no-atlantico-sul/ https://static.wixstatic.com/media/807ec9_2ab32e3f87204a7c8f0c646c23de5549~mv2.png/v1/fill/w_1066,h_505/plataforma.PNG.png

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

1 Comentário
...

Faça login para comentar ou registre-se.

  1. Anônimo

    17 de outubro de 2019 3:05 pm

    Impressiona o padrão de irresponsabilidade que domina este desgoverno que é um perfeito samba do crioulo doido.
    Mesmo depois do aviso em 30 de agosto p.p., ninguém se mexeu, todos lá no hospício preferiram ficar repetindo o mantra que responsabilizava a Venezuela pelo vazamento gigante.
    O ministro do meio ambiente, um mago em assuntos financeiros ( multiplicou o seu patrimônio em 5 vezes, enquanto secretário em governo tucano), na falta de algo útil para fazer, uma de suas especialidades, aproveitou a tragédia ambiental para aparecer no JN, é um jênio.
    Sobre esta nulidade, desconheço uma atitude decente que tenha produzido à frente do seu Ministério do Meio Ambiente.
    Quanto a sonegar as informações sobre o vazamento, agora está confirmado, a Petrobras não é mais a mesma. Pobre brasilsil, está indo de mal a pior e sem qualquer perspectiva de melhora.

Comentários fechados.

Recomendados para você

Recomendados