Jornal GGN – Produtores rurais de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul criticaram a possibilidade de aprovação de um estatuto para proteção do Pantanal durante audiência pública no Senado Federal, organizada pela comissão externa que acompanha o combate aos incêndios na região.
Segundo a Agência Senado, um projeto de lei com novas regras para a proteção do bioma deve ser apresentado em dezembro pelo senador Nelsinho Trad (PSD-MS), relator da comissão. Os incêndios no Pantanal destruíram 26,7% da área apenas neste ano.
“Chega de legislação restritiva. Vamos fazer uma lei para bonificar os bons e criar cadeias produtivas sustentáveis. Precisamos de política pública, incentivo fiscal e divulgação de produtos e serviços do Pantanal. A gente só enxerga dessa forma o futuro. Isso é moderno. Isso é o novo”, afirmou o presidente da Associação Brasileira de Produtores Orgânicos (ABPO), Leonardo Leite de Barros.
Para o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul), Maurício Koji Saito, o debate sobre uma nova legislação ocorre “em um ambiente que não é favorável para se mudar o que já existe”. O presidente da Sociedade de Defesa do Pantanal (Sodepan), Marcelo Rondon de Barros, também criticou a aprovação de novas normas para regular a atividade econômica no Pantanal, por considerar que os incêndios deste ano foram provocados por uma situação climática atípica.
“O cenário de destruição não pode voltar a se registrar na mesma dimensão. O verde que agora volta não pode apagar as cinzas, nem as imagens da vegetação queimada e dos animais mortos. A demora nas ações de prevenção não pode voltar acontecer, e estaremos atentos. Não temos visto nenhum órgão oficial fazendo um inventário dos estragos causados pelo fogo. Sabemos que temos organizações não-governamentais fazendo esse trabalho. E é assim que vai ficar?”, questionou o presidente da comissão externa, senador Wellington Fagundes (PL-MT).
Para a senadora Soraya Thronicke (PSL-MS), a opinião dos produtores rurais representa “uma insurgência contra o texto do relatório”. Ela avalia que o segmento “já está amarrado” pelo Código Florestal, que resultou de uma discussão “exagerada e cansativa” no Congresso Nacional.
Anarquista Lúcida nao logada
2 de novembro de 2020 11:27 amTítulo ambíguo. Quando se lê a chamada poderia haver outra interpretaçao: a de que o acordo fosse lesivo ao Pantanal e que produtores rurais o estivessem rejeitando por isso… Claro, no Brasil a gente imagina logo que nao deve ser isso, mas manchetes nao deveriam ser ambíguas.