Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2022 revelam que há mais armas nas mãos de cidadãos e CACs (caçador, atirador e colecionador) do que em posse das polícias e militares das Forças Armadas.
Segundo o levantamento, o Brasil tem hoje 4,4 milhões de armas em estoques particulares, sendo que 2,8 milhões delas estão registradas no Sigma ou Sinarm, mas o restante – 1,5 milhão – está em situação irregular (registro expirado). Ou seja, 1 a cada 3 armas registradas está irregular.
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O Sigma é o sistema do Exército brasileiro, que deveria controlar as armas dos CACs e das polícias (militares, bombeiros, civis, Marinha, Força Aérea, Abin, etc).
Já o Sinarm é da Polícia Federal, que regula as armas em posse de cidadão, serviços de segurança privada, servidores públicos, fabricantes, revendedores e outras categorias.
Os quadros abaixo mostram que os cidadãos brasileiros e os CACs – um nicho que se aproveitou das flexibilização das armas no governo Bolsonaro – estão mais armados do que as forças de repressão do Estado.


O anuário também registrou a disparada sem precedentes no número de certificados emitidos para caçadores, atiradores e colecionadores nos últimos anos, desde a eleição de Jair Bolsonaro. A alta foi de 473% entre 2018 e 2022.
A quantidade de munição comercializada no mercado nacional em 2021 ultrapassou os 393,4 milhões de cartuchos, um aumento de 131,1% em relação a 2017.

Bolsonaro já defendeu explicitamente o armamento da população para fins políticos. Segundo suas palavras, povo armado não é povo escravizado. Para ele, os cidadãos podem resistir a golpes de Estado se estiverem armados.
Às voltas com crise econômica e escândalos de corrupção, e ameaçado pelo favoritismo de Lula, Bolsonaro tem incitado o ódio e a revolta de seus apoiadores contra o Supremo Tribunal Federal e o Tribunal Superior Eleitoral, na esteira dos ataques que desfere ao processo eleitoral via urnas eletrônicas.
Em artigos no GGN, o jornalista Luis Nassif já alertou para o armamento da população como uma das etapas preparatórias de Bolsonaro para uma tentativa de golpe nas eleições de 2022.
Leia: Xadrez do golpe de Bolsonaro em andamento, por Luis Nassif
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