A leitura dos manifestos pela democracia e pelo Estado de Direito, ontem (11), na USP, foi histórica. O principal evento foi na Faculdade de Direito, mas protestos se espalharam em todo o País.
A iniciativa veio após os inúmeros ataques de Jair Bolsonaro às urnas eletrônicas, ao TSE e às ameaças autoritárias e sem fundamento ao processo eleitoral, muitas vezes, com apoio de generais das Forças Armadas.
No entanto, houve um acordo entre os organizadores para que os oradores não falassem ‘Lula lá’ nem ‘Fora Bolsonaro’, o que não foi respeitado pela plateia. A ideia foi tornar os textos o mais apartidário possível. Ambos não mencionam o presidente nem o petista.

Em auditório da faculdade, banqueiros e sindicalistas discursaram juntos em defesa das urnas eletrônicas e das instituições brasileiras. Por exemplo, Armínio Fraga, fundador da Gávea Investimentos e ex-presidente do Banco Central, e Francisco Canindé, da União Geral dos Trabalhadores (UGT), estiveram lado a lado.
Nessa primeira parte, o manifesto da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) foi lido. O documento reuniu somente instituições. Já na segunda parte, o texto da USP foi declamado, no pátio do Largo de São Francisco, no centro da capital paulista. Ele alcançou 1 milhão de assinaturas.
LEIA: Leitura da carta pela democracia da USP é marcada por defesa das urnas e “Fora Bolsonaro”
Porém, não somente cidadãos e entidades civis endossaram o movimento. Os três grandes jornais do Brasil publicaram editoriais defendendo os atos deste 11 de agosto.
Folha de S. Paulo
A Folha destacou a união de “entidades sindicais, empresariais e de outros segmentos da sociedade” em torno dos “marcos civilizados da disputa política, o império da lei e os direitos fundamentais”.
De todas essas manifestações salienta-se o amálgama entre empregados e patrões, progressistas e conservadores, liberais e estatistas, desconhecidos e famosos, população e elite. Elas demonstram que a democracia no país não se restringe a alguns enunciados afixados num pedaço de papel. Tornou-se a pele cívica dos brasileiros.
opinou o jornal
O Globo
De forma semelhante, o veículo carioca definiu o evento como “recado claro: Brasil não tolerará rumo autoritário”. Para o jornal, o ato é contrário as estratégias autoritárias usadas tanto por extrema-direita quanto por extrema-esquerda.
A História recente mostra que a estratégia é usada por líderes de extrema direita e de extrema esquerda, sem distinção. O jogo só é válido se eles ganham sempre. É contra esse pensamento que vastos segmentos da sociedade brasileira esqueceram suas muitas diferenças e se uniram em favor das urnas eletrônicas e da Justiça. O recado está dado: o Brasil não será uma Venezuela nem uma Hungria. Aqui prevalecerá o Estado Democrático de Direito.
finalizou o editorial de O Globo
O Estado de S. Paulo
O Estadão relembrou a reunião de Bolsonaro com embaixadores no mês passado. Nele, o presidente atacou, sem provas, o sistema eleitoral brasileiro e as urnas eletrônicas.
Se o presidente Jair Bolsonaro envergonhou profundamente o País ao difamar a democracia brasileira perante embaixadores estrangeiros, a resposta da sociedade em defesa das eleições e do regime democrático orgulhou e emocionou o País. Ontem, em todo o território nacional, foram lidos manifestos em defesa do Estado Democrático de Direito, numa demonstração luminosa de que a sociedade está vigilante e não aceita retrocessos autoritários. A democracia é um valor inegociável, o patamar mínimo imprescindível. Não é questão de ser de esquerda, direita ou centro. É apenas a firme compreensão de que não existe projeto de país sem respeito às regras e às instituições democráticas.
disse o jornal
Para a empresa, o evento foi “a certeza de que, apesar de toda a escalada de violência de Jair Bolsonaro contra a democracia, continua havendo um País altivo, que não deseja ser refém dos autoritários e que lutará para defender suas instituições, suas eleições, sua democracia”.
Novo documentário do Jornal GGN denuncia ameaça de golpe eleitoral de Bolsonaro e os esquemas da ultradireita mundial. Apoie o lançamento: WWW.CATARSE.ME/XADREZ-ULTRADIREITA
Antonio Uchoa Neto
12 de agosto de 2022 3:13 pmAtribui-se a Winston Churchill a qualificação da Democracia como o pior regime político possível, à exceção de todos os outros. E assim o velho imperialista britânico, fascista, racista, misógino, aporófobo – um Bolsonaro com História, cérebro, e griffe – foi alçado à condição de baluarte da Democracia. Churchill, tenham em mente, primeiro-ministro de um Império, no panteão sagrado dos defensores da Democracia, o governo do povo, pelo povo, e para o povo.
Para mim, isso não serve nem como piada. Aliás, por falar em piada, é o mesmo Churchill a quem se atribui um diálogo com uma senhora chamada Nancy Astor: “Se eu fosse sua esposa, Mr. Churchill, eu lhe serviria chá envenenado”, teria dito a dama. “E se eu fosse seu marido, senhora, eu beberia o chá”, teria respondido o notável democrata. Pano rápido.
A Democracia, além de não ser um regime político, nunca foi, de fato, e à nível de política de Estado, praticada neste mundo. Tal e qual o Socialismo, que também jamais foi praticado sobre o planeta, em sua forma pura – o que é uma categoria totalmente ideal – e a única em que o Socialismo, de fato, transita: na pureza do ideal.
Já o fascismo…
O Fascismo dirige um apelo à natureza real do Homem, enquanto o Socialismo apela à natureza ideal do homem. Portanto, o Fascismo não só é corriqueiro na História da humanidade, como se adapta (e se adaptou) naturalmente a todos os desenvolvimentos e transformações ocorridas no seio do Capitalismo desenfreado praticada por senhores absolutistas, liberais burgueses, presidentes democraticamente eleitos, e ditadores que apenas cumpriam os desejos mais íntimos e sinceros de seus povos, ao longo dessa mesma História, do feudalismo ao mercantilismo, do colonialismo ao imperialismo, da escravatura ao liberalismo. Onde entra a Democracia, nesse enredo aí?
No nome. Hitler, Mussolini, Churchill, todos notórios democratas, todos alçados ao poder pelo voto do cidadão, recorrendo ou não, posteriormente, a golpes ou encenações, e brandindo bandeiras e palavras de ordem democráticas. Na mão desses democratas, uma espada é um símbolo tão democrático quanto uma cruz. Na Democracia, por não ser um regime político, apenas uma fachada que se adapta à qualquer regime, não há ação política, apenas discurso político. Aqueles “representantes do povo”, eleitos e atuantes nas câmaras baixas e altas, não servem ao povo que os elegeu, mas aos senhores que financiaram suas campanhas, e lhes possibilitam viver de sinecuras, além dos eventuais 30 mil que caem do céu, de vez em quando.
Há exceções? Certamente. Mas basta botarem as manguinhas de fora, e terminam encarcerados em masmorras curitibanas por 580 dias, ou enfrentando uma penca de processos judiciais que equivalem a masmorras curitibanas perpétuas.
Gostaria de fazer coro ao post do Fábio de Oliveira Ribeiro, e louvar os discursos, todos honestos, sinceros, e íntegros. Mas o povo – e não apenas os desgraçados e deserdados que hoje se amontoam em nossas ruas, calçadas e sob nossas marquises – mas toda a imensa massa de desempregados, desalentados (esse sou eu), é de fato atingido por essas palavras? Já hoje o genocida se referiu à “cartinha”, dizendo que ela vale menos que um papel higiênico. A tendência irremediavelmente escatológica da mente (sic) presidencial passa batida aos olhos do povo, mas a mensagem é clara, tangível, concreta, cristalina: “esse povo só sabe falar, quem baixa o preço do combustível, quem dá auxílio emergencial, sou eu!”
Porque é isso que está de fato acontecendo, e isso, de fato, tem impacto sobre as pessoas. O povo não tem memória, somente sensações e desejos instantâneos, imediatistas. De que valem discursos em defesa da democracia, se o principal inimigo da democracia se declara democrata e as pessoas – que não tem paciência nem suportam frases com dois períodos, que dirá discursos! – acreditam nisso, não por convicção, mas porque não tem condições de assimilar criticamente nenhuma informação, e muito menos avaliar seu grau de verdade. Basta uma baixa no preço da gasolina, um auxílio-merreca, e tudo fica bem!
É um beco sem saída. É o que dá nos denominarmos sob o regime de algo que não existe. Quando, onde, e como, os operários de qualquer país do mundo tiveram, em suas mãos, a posse ou a propriedade dos meios de produção? E quando, onde, e como, os cidadãos de qualquer país do mundo tiveram em suas mãos as decisões políticas e administrativas de seus países?
Democracia, tal como o Socialismo, não existe no mundo real; e se ajusta à qualquer regime político e econômico, se compraz em estar na boca de quem quer que seja, de Sobral Pinto e Hélder Câmara a Médici e Bolsonaro, de Stuart Mill a Henry Kissinger, de Voltaire a Thiers. E Estadão, Folha, Globo, todos notórios democratas, humanistas irrepreensíveis. Credo.
No dia em que transitarmos do Socialismo ideal a algum tipo de Socialismo real, talvez a Democracia nos sirva…se um dia, melhor dizendo.
Jair Costa
12 de agosto de 2022 11:13 pmAcredito que o momento é de aceitar esse apoio da imprensa. Baixar as armas e lutar contra
um mal muito maior que seria um golpe na nossa Democracia que levaria o país por mais
desordem do qual já está.
Quê venham todos a favor da Democracia. Essa senhora, meio desconfiada, eu creio, olhando
para os lados mas enfim desejada.
Vladimir
13 de agosto de 2022 10:23 amÉ preciso entender o jogo dessa gente: Apoiaram um golpe de Estado contra uma presidente legitimamente eleita e sem nenhum crime de responsabilidade. Prenderam e achincalharam o presidente Lula,seu partido e seus milhões de seguidores. Apoiaram sem restrições todas as bondades que o governo do ocupante do palácio do planalto fez com o capital financeiro internacional e todas as maldades contra o povo brasileiro.
Agora,próximo das eleições,com o candidato que eles achincalharam e prenderam, com reais chances de vitória,tentam recolher suas garras e mostrar os dentes,desta vez,sorridente.
Mudaram de lado? Nunca! Já tem lugar garantido com o outro lado. Neste momento,trata-se somente de fingir que mantém alguma aparência de democrata caso o resultado das urnas acompanhe as atuais pesquisas eleitorais.
Escorpião será sempre escorpião.