O inferno sem Dante
por Izaías Almada
Quando Dante escreveu a sua maravilhosa obra “A Divina Comédia” o Brasil ainda não havia sido descoberto. Dito assim, sem mais nem menos, trata-se de uma opinião sem nexo, talvez, saída da cabeça de um escritor um tanto desmiolado, próximo a uma crise de depressão. Será?
O ato de escrever é um constante vai e vem entre a realidade e a fantasia. E estas, por sua vez, se dividem em bilhões e bilhões de modos de ver o mundo em que vivemos, independente dos valores com os quais o homem recebe os ensinamentos durante o momento em que lhe é dado viver nesse planetinha, pelos vistos, a caminho de sua autodestruição.
Vivendo na Idade Média, época em que o homem era dominado pela religião (1265-1321), era natural que os pecados e a maldade dos homens fossem vistos e expostos à expiação num local em que os povos de um mundo, ainda desconhecedor das terras de sua porção ocidental, pudessem refletir sobre sua condição humana.
Com o passar dos anos, as descobertas e invenções que o conhecimento da natureza foi apetrechando o próprio homem em garantir a sua sobrevivência, também colocaram no tabuleiro do xadrez o egoísmo descontrolado e a palavra de ordem do “salve-se quem puder”.
A poucas horas das eleições, onde o Brasil se prepara para escolher milhares de candidatos para comandar o país e os estados da federação, a rede Globo de Televisão (mais uma vez ela) promove um vergonhoso debate onde a maioria dos candidatos à presidência da república mostra a sua cara e também a ignorância que os leva a querer difamar, achincalhar e condenar o único candidato que pode tentar, com sua experiência e habilidade, salvar o Brasil do inferno.
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Não se trata de um salvador da pátria ou mesmo o salvador bíblico que, por sinal, foi escolhido para morrer na cruz no lugar de Barrabás, mas de alguém que conhece minimamente o caminho das pedras. Até um padre, surgido não se sabe bem de onde, boquejou à vontade ao lado de uma súcia de ignorantes.
Repito agora de maneira mais clara: Quando Dante escreveu “A Divina Comédia”, o Brasil não existia, pois se existisse ilustraria com seus milhões de quilômetros quadrados toda a sua maravilhosa e terrível descrição do inferno.
Izaías Almada é romancista, dramaturgo e roteirista brasileiro. Nascido em BH, em 1963 mudou-se para a cidade de São Paulo, onde trabalhou em teatro, jornalismo, publicidade na TV e roteiro. Entre os anos de 1969 e 1971, foi prisioneiro político do golpe militar no Brasil que ocorreu em 1964.
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