O Banco Central, neste momento, é o elemento mais inflacionário que temos no mercado
por Sergio Medeiros
A atual taxa de juros SELIC, no atual patamar, na realidade, serve como indutor da inflação e não seu controle.
No caso, tendo como pressupostos que não há inflação de demanda e que o mercado de crédito e disponibilidade monetária acham-se restritos, seria possível afirmarmos, sem grandes dúvidas, que, neste cenário, na realidade temos que passar a nos preocuparmos com o componente deletério da manutenção da taxa de juros em níveis elevadíssimos, ou seja, temos que nos preocupar com seu papel de componente preponderante nos custos inflacionários.
É que, se num dado cenário, temos de um lado um grande volume de crédito e disponibilidade monetária existentes, e de outro, uma quantidade limitada de produtos à disposição, efetivamente podemos ter a ocorrência da denominada inflação de demanda.
Neste caso, consoante o receituário liberal econômico, o combate em face do aumento das taxas inflacionárias, pode ser feito via elevação das taxas de juros, de modo a enxugar os valores tanto do crédito, como o da disponibilidade monetária dos consumidores do referido mercado.
Por outro lado, quando não há mais o componente de excesso de crédito e disponibilidade monetária, e a oferta dos produtos mostra-se razoavelmente equilibrada, temos que , eventual manutenção do aperto monetário, via taxas de juros elevadas, terá o efeito contrário ao desejado, notadamente se a inflação encontra-se em níveis inferiores a um terço do montante de juros
Nesse caso, a taxa de juros passa a funcionar como verdadeiro indutor da inflação, uma vez que passa a fazer parte integrante do custo dos produtos ofertados, criando uma espiral desvirtuosa do processo econômico, não tendo mais efeito de controle, mas sim passa a ser fator de desequilíbrio do mercado, gerando além de possível efeito recessivo, um resíduo nefasto que alimenta de forma direta o aumento ou manutenção, em parte, dos índices inflacionários,ora reduzidos.
Pois bem, é exatamente o que estamos vivendo neste momento, em que a política de juros altos por um largo período já enxugou o dinheiro do mercado, não há mais inflação de demanda, e a inflação residual encontra-se em patamares reduzidos frente a uma taxa de juros mais de três vezes maior.
Em termos leigos, poderíamos dizer, em relação ao receituário econômico liberal, que o remédio está matando o paciente.
O Banco Central, neste momento, é o elemento mais inflacionário que temos no mercado.
O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para [email protected]. O artigo será publicado se atender aos critérios do Jornal GGN.
Deixe um comentário