4 de junho de 2026

O Banco Central é o elemento mais inflacionário que temos no mercado, por Sergio Medeiros

Em termos leigos,  poderíamos dizer,  em relação ao receituário econômico liberal, que o remédio está matando o paciente.
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O Banco Central, neste momento, é o elemento mais inflacionário que temos no mercado

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por Sergio Medeiros

A atual taxa de juros SELIC, no atual patamar, na realidade,  serve como indutor da inflação e não seu controle.

No caso, tendo como pressupostos que não há inflação de demanda e que o mercado de crédito e disponibilidade monetária acham-se restritos, seria possível afirmarmos, sem grandes dúvidas, que, neste cenário, na realidade temos que passar a nos preocuparmos com o componente deletério da manutenção da taxa de juros em níveis elevadíssimos, ou seja, temos que nos preocupar com seu papel de componente preponderante nos custos inflacionários.

É que, se num dado cenário, temos de um lado um grande volume de crédito e disponibilidade  monetária  existentes, e de outro,  uma  quantidade limitada de produtos à disposição, efetivamente podemos ter a ocorrência da denominada inflação de demanda.

Neste caso, consoante o receituário liberal econômico, o combate em face do aumento das taxas inflacionárias, pode ser feito via elevação das taxas de juros, de modo a enxugar os valores tanto do crédito,  como o da disponibilidade monetária dos consumidores do referido mercado.

Por outro lado, quando não há mais o componente de excesso de crédito e disponibilidade monetária,  e a oferta dos produtos mostra-se razoavelmente equilibrada, temos que , eventual manutenção do aperto monetário, via taxas de juros elevadas, terá  o efeito contrário ao desejado, notadamente se a inflação encontra-se em níveis inferiores a um terço do montante de juros

Nesse caso, a taxa de juros passa a funcionar como verdadeiro indutor da inflação, uma vez que passa a fazer parte integrante do custo dos produtos ofertados, criando uma espiral  desvirtuosa do processo econômico, não tendo mais efeito de controle, mas sim passa a ser fator de desequilíbrio do mercado, gerando além de possível efeito recessivo, um resíduo nefasto que alimenta de forma direta o aumento ou manutenção, em parte, dos índices inflacionários,ora reduzidos.

Pois bem, é exatamente o que  estamos vivendo neste momento, em que a política de juros altos por um largo período já enxugou o dinheiro do mercado,  não há mais inflação de demanda, e a inflação residual encontra-se em patamares reduzidos frente a uma taxa de juros mais de três vezes maior.

Em termos leigos,  poderíamos dizer,  em relação ao receituário econômico liberal, que o remédio está matando o paciente.

O Banco Central, neste momento, é o elemento mais inflacionário que temos no mercado.

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para [email protected]. O artigo será publicado se atender aos critérios do Jornal GGN.

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