10 de junho de 2026

Conservadores queimam livros didáticos no México contra “ideologia de gênero”

O governo mexicano mostrou respeito para com aqueles que se opuseram aos novos materiais, mas condenou a sua queima
Apesar das explicações do governo de que o objetivo dos textos é educativo, algumas pessoas se recusaram a aceitar os materiais incinerando-os. Foto: Captura de imagem da TV TeleSur

A menos de uma semana do início de um novo ano letivo no México, persiste a recusa de alguns setores, sobretudo conservadores e evangélicos, em utilizar os novos manuais educativos oferecidos pelo governo e chegaram mesmo a queimá-los em rejeição ao conteúdo.

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Conservadores e evangélicos criticam a tentativa de doutrinar a população. “Sim à vida, não ao aborto, sim à liberdade de consciência, não à imposição ideológica, não à doutrinação sexual e de gênero nas crianças”, declarou o pastor evangélico José Tomás Bermúdez.

O presidente mexicano, Andrés Manuel López Obrador, demonstrou respeito por aqueles que se opuseram aos novos materiais, mas condena a queima dos livros. “É preciso ter livros e cuidar deles, mesmo que sejam livros nos quais não se veja refletido ou não coincida com o conteúdo destes”, disse.

Apesar das explicações do governo de que o objetivo dos textos é educativo, alguns grupos não aceitaram a explicação.

“Existem pessoas de pensamento livre, agnósticos, ateus, que têm sua Bíblia, porque é um livro importante. Como não vou ter um livro, mas além disso, como vou queimar um livro?”

López Obrador

Na Justiça 

Além disso, conservadores e evangélicos foram à Justiça Federal barrar a entrega de livros gratuitos, que deveriam estar nas salas de aula na próxima segunda-feira (28), início oficial do período letivo.

Até agora, a Suprema Corte de Justiça do país concedeu a suspensão para que os livros não sejam entregues no estado de Coahuila, norte do México. No caso dos povos originários, há também críticas ao material, mas relacionadas ao fato do conteúdo não refletir os modos, costumes, atualidade e história dos povos. 

O Ministério da Educação Pública garante que os textos chegarão em dia nas salas de aula para que possam ser utilizados pelos quase 30 milhões de alunos que retomarão as atividades.

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Renato Santana

Renato Santana é jornalista e escreve para o Jornal GGN desde maio de 2023. Tem passagem pelos portais Infoamazônia, Observatório da Mineração, Le Monde Diplomatique, Brasil de Fato, A Tribuna, além do jornal Porantim, sobre a questão indígena, entre outros. Em 2010, ganhou prêmio Vladimir Herzog por série de reportagens que investigou a atuação de grupos de extermínio em 2006, após ataques do PCC a postos policiais em São Paulo.

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Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

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Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

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