4 de junho de 2026

TV GGN: Revelações sobre corrupção militar estão só no começo, diz pesquisador

Para especialista, caso Braga Netto reflete a crença no enorme poder que os militares voltaram a ter sob Bolsonaro
O general Walter Braga Netto é fotografado de traje militar do exército, ao lado de várias bandeiras, enquanto conversa e gesticula
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

No programa TV GGN 20 Horas de quarta-feira (13), o jornalista Luis Nassif conversou com o professor e escritor Manuel Domingos Neto sobre a situação dos militares. Eles abordaram a mais nova bomba do caso Braga Neto, após a imprensa revelar que o doleiro ligado à Operação Colete é o mesmo que transportou cocaína em um avião da Forças Armadas Brasileiras (FAB), em 2019, no governo Bolsonaro.

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Assista a live completa:

Para Domingos Neto, doutor pela Universidade de Paris III e especialista no tema do militarismo no Brasil, as revelações estarrecedoras sobre corrupção entre militares estão apenas no começo, mas ainda faltam elementos para verificar o papel das Forças Armadas em toda a crise.

Eu creio que há muita coisa ainda, e o recuo do tempo será fundamental.

Manuel Domingos Neto, professor, escritor e especialista no militarismo do Brasil

A Operação Colete

Nassif e Domingos falam sobre o caso onde o general Walter Souza Braga Netto tentou comprar, sem licitação, coletes militares da CTU Security LLC. Em um orçamento de quase 40 milhões de dólares, Márcio Moufarrege, conhecido como Macaco, foi apontado como o responsável pelos dólares que foram movimentados para a fraude.

O caso, já previsto por Nassif há dois anos, teve uma cobertura completa pelo Jornal GGN. De acordo com investigação da Polícia Federal, Moufarrege também está envolvido no caso da cocaína encontrada no avião da FAB. Você pode relembrar o caso aqui.

Domingos Neto acredita que todo processo ilegal onde há dedo militar, é a representação da força e poder que o militarismo experimentou nos últimos anos de bolsonarismo.

Tiveram duas grandes demonstrações de força: a primeira, aquela tuitada[do General Villas Boas], que derrubou a Dilma. Lá, sentiram-se poderosos. A segunda foi essa intervenção, no Rio de Janeiro, capitaneada pelo Braga Netto. Do conjunto dos abusos militares, esse é o mais audacioso, revelou mais poder, afinal de contas, ele [Braga Netto] nomeou os ministros que quis [no governo Bolsonaro], exerceu os ministérios que quis e, no final do processo, foi candidato a vice-presidente.”

Manuel Domingos Neto, professor, escritor e especialista no militarismo do Brasil

O escritor ainda afirma que as consequências do que já está revelado e do que ainda está por vir é a aceitação, por parte dos militares, da queda de alguns, como é o caso de Braga Netto. “Antes a vista era menor, agora passa a envolver objetivamente […] os escalões mais elevados”, explica Domingos.

Afinal, para que servem os militares?

Para o especialista, o militarismo tem pouca serventia ao país. Domingos explica que o Exército não oferece nenhuma resistência na entrega do patrimônio nacional. “É um dos maiores orçamentos militares do mundo e nós sem capacidade de negar o ar, o território, o mar, o espaço cibernético à qualquer um, esse é o grande escândalo”, pontua.

 “A defesa está associada não apenas à soberania, ela está associada ao desenvolvimento. Tem algum país desenvolvido que não tenha sistema de defesa? Que não tenha desenvolvido instrumentos próprios?“, questiona o professor.

Para o especialista, é fundamental que haja uma reflexão coletiva sobre o papel da defesa nacional, já que isso trata também do futuro do país.

Isadora Costa

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

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Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

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  1. Flavio Emieni

    15 de setembro de 2023 5:20 am

    De fato, a questão que se põe é: Para que servem os militares?

    Mas, acho que, no fundo, vale perguntar ‘a quem’ servem os militares.

    E a resposta óbvia, a si mesmos, impõe decisões que se evitam desde 1988.

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