4 de junho de 2026

Doleiro ligado a assessor de Javier Milei é preso na Argentina

Na investigação foi encontrada uma possível ligação com Alberto Benegas Lynch e o candidato presidencial de extrema direita, Javier Milei
Durante a operação, nove cofres foram apreendidos ligados à financeira do doleiro. Foto: Alfândega da Argentina

A Alfândega e a Polícia Federal da Argentina prenderam na última semana Ivo Rojnica, ‘El Croata’, principal operador de dólares ilegais na capital Buenos Aires. Durante a operação, nove cofres foram apreendidos ligados ao doleiro. 

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Na investigação foi encontrada uma possível conexão com Alberto Benegas Lynch, economista e um dos principais assessores do candidato de extrema direita à Presidência, Javier Milei (A Liberdade Avança). 

Além disso, foram apreendidos mais de meio milhão de dólares, joias e relógios na posse de ‘El Croata’.

‘El Croata’ foi preso por ordem do juiz federal de Lomas de Zamora, Federico Villena, num caso ligado a uma suposta lavagem de dinheiro ligada ao perigoso cartel de Sinaloa, que até 2017 foi dirigido por Joaquín “Chapo” Guzmán. 

Segundo fontes do caso ouvidas pelo Diario Con Vos, trata-se de uma investigação em curso há cinco anos e é independente daquela iniciada na Justiça Federal de Comodoro Py, por supostas manobras com sua financeira Nimbus Group.

A evasão de dólares da Argentina tem sido uma das dores de cabeça do Ministério da Economia, sujo ministro Sergio Massa é candidato à Presidência, e do governo de Alberto Fernández para equilibrar as contas e diminuir a inflação.

Ligações a Benegas Lynch

Porém, nesta quarta-feira (31), a Justiça Federal ordenou uma operação da qual também participaram a Alfândega e a Polícia Federal. Segundo relatos, descobriram que o nome de José Alberto Benegas Lynch aparecia como autorizado nos cofres de ‘El Croata’. 

José Alberto Benegas Lynch é o dono do banco onde estavam as contas de ‘El Croata’ e é primo de Alberto Benegas Lynch, o “mentor” de Javier Milei. Conforme definido pelo próprio candidato presidencial de ultradireita, Alberto Benegas Lynch é um dos pais do neoliberalismo na Argentina.

Agora, Alberto Benegas estaria em um momento delicado, já que seu primo José Alberto Benegas Lynch terá que dar explicações na Justiça pelas caixas com recursos lavados em seu banco onde ‘El Croata’ operava. 

Na investigação se espera saber se o “mentor” de Milei sabia do negócio “croata” e dos seus sócios.

Benegas e o neoliberalismo 

O economista liberal e referência de Javier Milei, Alberto Benegas Lynch, gerou polêmica recente nas redes ao celebrar a proposta de seu filho “Bertie” Benegas Lynch, deputado eleito pelo A Liberdade Avança, sobre “privatizar o mar”, ao afirmar que “a riqueza” deste recurso natural “está em extinção”.

“A ideia de privatizar o mar parece-me extraordinária”, disse o liberal de 83 anos em declarações à Border, uma semana depois de ter participado do evento de encerramento da campanha do A Liberdade Avança na Movistar Arena com um discurso polêmico.

Para apoiar a ideia do filho, ele questionou: “por que ter propriedade privada naquilo que não se move, ou seja, a terra e o mar, quando se extingue a riqueza mais extraordinária do planeta?”, questionou. 

As declarações do filho do assessor do candidato presidencial liberal foram feitas numa entrevista à Filo News, onde garantiu que as questões relacionadas com o ambiente são “resolvidas com cessões de direitos de propriedade”.

“Parece-me que a questão do meio ambiente é resolvida com a atribuição de direitos de propriedade. É aí que tudo acaba. Porque as baleias e os elefantes estão prestes a ser extintos”, disse o recém deputado eleito pela província de Buenos Aires.

Romper com o Vaticano 

Além de ser a favor da privatização do mar, é um negacionista das mudanças climáticas, tal como Milei. Há poucos dias, seu pai ganhou as manchetes por sua proposta de romper relações diplomáticas com o Vaticano caso A Liberdade Avança ganhasse as eleições presidenciais.

Com informações do Diario Con Vos e Pagina 12

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Renato Santana

Renato Santana é jornalista e escreve para o Jornal GGN desde maio de 2023. Tem passagem pelos portais Infoamazônia, Observatório da Mineração, Le Monde Diplomatique, Brasil de Fato, A Tribuna, além do jornal Porantim, sobre a questão indígena, entre outros. Em 2010, ganhou prêmio Vladimir Herzog por série de reportagens que investigou a atuação de grupos de extermínio em 2006, após ataques do PCC a postos policiais em São Paulo.

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