28 de agosto de 2026

André Mendonça pisoteia a Constituição, por Luís Nassif

A coluna da Daniela Lima descreve Mendonça assumindo controle direto e informal sobre a PF nos casos Master e INSS
André Mendonça - Imagem gerada por IA

Ministro André Mendonça do STF interfere diretamente em investigações da PF nos casos Master e INSS, segundo jornalista Daniela Lima.
Despacho de Mendonça impede remanejamento na direção-geral da PF, limitando resistência institucional e controle operacional.
Quebra de sigilo e atraso em inquérito sobre Flávio Bolsonaro indicam influência de Mendonça no processo eleitoral brasileiro.

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Há algo de profundamente errado no modelo institucional brasileiro.

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Tem-se um Ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça, atropelando todos os princípios de justiça, influenciando de forma escancarada as eleições, interferindo na autonomia de outros poderes. E o máximo que se consegue de reação é a informação sobre o “desconforto” de seus colegas.

A jornalista Daniela Lima, da UOL, trouxe um levantamento preocupante sobre a atuação de Mendonça, uma volta escancarada às piores arbitrariedades da Lava Jato.

A coluna da Daniela Lima descreve Mendonça assumindo controle direto e informal sobre a PF nos casos Master e INSS — reuniões presenciais com delegados, determinações fora da pauta corporativa, despacho travando remanejamento na direção-geral. Isso é uma escalada em relação ao que já estava documentado: em fevereiro ele já havia revertido decisões de Toffoli e “empoderado” a PF; agora o relato é de que ele foi além — de árbitro processual para gestor operacional da investigação.

Se ele está de fato dando ordens diretas a delegados sobre prioridades de apuração — “escapando à agenda da corporação e às funções de praxe de relator”, como diz a coluna — isso dá sustentação factual adicional à tese de que o enquadramento “Lava Jato 2” envolve uso direcionado do aparato investigativo, não descoberta orgânica.

O despacho proibindo a direção-geral da PF de remanejar equipe. Isso é mais forte que os episódios anteriores (troca de peritos, restrição de acesso) porque tira do comando institucional da PF qualquer margem de resistência — fica sem “defesa”.

O problema não se esgota na arbitrariedade processual. Mendonça quebrou o sigilo de Fábio Luís sem qualquer indicação pública, até agora, de vínculo com o caso Master. Houve vazamento de informações envolvendo a lobista Roberta Luchsinger. Já no caso de Flávio Bolsonaro — mesmo após o áudio em que pede R$ 134 milhões a Daniel Vorcaro vir a público em maio —, o inquérito só foi solicitado pela PF em julho e autorizado por Mendonça em 23/07, mais de dois meses depois. É esse descompasso de ritmo, e o absoluto sigilo das investigações sobre Flávio, que faz a diferença. Mendonça interfere diretamente no processo eleitoral.

Ou seja, não é uma arbitrariedade que se esgota em si, um abuso contra a ordem institucional, mas algo que mexe com o futuro do país. E como fica? A ordem institucional no país depende de uma série de tribunais, de instituições, do trabalho da mídia, como defensora da democracia, da independência entre os poderes, dos freios e contrapesos. Mendonça pisoteia todos esses princípios, humilha a Nação, e o máximo que se ouve são muxoxos de Ministros do STF.

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Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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19 Comentários
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  1. Mark

    6 de agosto de 2026 8:05 am

    Com Nunes Marques na presidência do TSE e a ajuda de André Mendonça, o bolsonarismo certamente será o grande vencedor das eleições de 2026.

    1. Cidadao sem cidadania

      6 de agosto de 2026 9:55 pm

      Desde o mensalão não a mais constituição, daí veio a lava jatoe fica tudo claro e cristalino, a tal constituição só existe quando convém , o STF até muda tal constituição para deixar o governo Bolsonaro fatiar a Petrobrás e vender , destruíu o regime trabalhista, e etc não existe mais constituição faz tempo, agora é no tudo contra o inimigo, esse papo de constituição já terminou faz tempo, a tal constituição não existe mais , a insegurança jurídica reina .

  2. Fábio de Oliveira Ribeiro

    6 de agosto de 2026 8:18 am

    Nassif tem razão, mas é preciso acrescentar algo importante. André Mendonça pisoteia a constituição de maneira seletiva. Se ele a pisoteasse sempre, os bolsonaristas e dinheiristas ficariam horrorizados. Imaginem que André Mendonça, por exemplo, considerasse inválida a liberdade religiosa, discutível o direito de propriedade ou inviável a elevada taxa de juros do BC. Isso seria considerado inadmissível, uma afronta tanto à constituição quanto à Béééeéébria. Fatiar a constituição para remover dela garantias outorgadas aos adversários de Flávio Bolsonaro ou mesmo protege-lo apesar das suspeitas que pairam sobre ele a justificar a persecução penal é uma arte. Citar a Bééééébria ao fazer isso um recurso retórico indispensável. A arte do canalha evangélico togado é empregar uma sitonia fina ao malferir o texto constitucional. Alguém ficará surpreso se o referido Ministro começar a processar por danos morais Luis Nassif ou mesmo este reles comentarista?

  3. Edivaldo Dias de Oliveira

    6 de agosto de 2026 9:37 am

    Eu temo mais a dupla Mendonça/Nunes Marques que Trump

  4. Veritas

    6 de agosto de 2026 9:42 am

    É hora do Procurador Geral da República e do Pleno do Supremo, como órgão máximo do STF, atuarem, sob pena de completa desmoralização, politização e imparcialidade sem controle de todo o Sistema Judiciário Brasileiro.
    “É verdade que o artigo 41 da Loman estabelece que, salvo os casos de impropriedade ou excesso de linguagem, o magistrado não pode ser punido ou prejudicado pelas opiniões que manifestar ou pelo teor das decisões que proferir. No entanto, como bem consignado pelo STJ no RMS nº 15.316, “implícita nessa norma está a exigência de que essas mesmas decisões não infrinjam os valores primordiais da ordem jurídica e os deveres de conduta impostos ao juiz com o desiderato de assegurar a sua imparcialidade”.

    ‘Aqui, não se está defendendo que os ministros do STF devam ser punidos por quaisquer atos em específico, mas apenas se questiona que na ordem histórica inaugurada pela Constituição de 1988 sequer foi aberto um único processo administrativo ou judicial para responsabilização de ministro do STF, em que, garantindo-se a ampla defesa e devido processo legal, fosse apurada eventual falta cometida.

    O certo é que esse estado de coisas — de não responsabilização dos ministros do STF — é terreno fértil para atuações e interpretações heterodoxas da Constituição, por todos os lados, sendo a esdrúxula intervenção militar com base no artigo 142 da CF só mais um exemplo de solução completamente errada para um problema complexo”. Roberta Simões Nascimento in Quem controla os ministros do STF? 24 de junho de 2020, 14h11 Fonte: https://conjur.com.br/2020-jun-24/nascimento-quem-controla-ministros-stf/

    1. Jose

      6 de agosto de 2026 4:33 pm

      Pro povão ele é tão puro e corajoso quanto o marreco de Maringá e CIA

  5. Joao

    6 de agosto de 2026 9:57 am

    Muchocho apenas para constar

    Os demais ministros são cumplices do terrivelmente criminoso andre mendonça

  6. emerson57

    6 de agosto de 2026 10:30 am

    Isso explica a dança igual a uma guariba, cantando em “lingoas”, de dona micheque. Lyrics: (saraia sarapataia deos nos ajude na maracutaia!
    Essa doença nem klorokina cura!

  7. SUPREMUjuzé

    6 de agosto de 2026 11:39 am

    Tá fácil só pedir a troca do ministro com esta documentação farta de ilegalidades,não aguenta um mês de pressão mas o problema são os bandidos q estão se BENEFICIANDO ENORMEMENTE foi para isto q Luka defendeu o Supremo tão energicamente???

  8. Silvio Torres

    6 de agosto de 2026 1:36 pm

    No auge da decadência do Império Romano, a guarda pretoriana escolhia seus césares. Quem pagava mais, em dinheiros, benefícios e corrupção, era entronizado. O exemplo vem de loooonge.

  9. ed.

    6 de agosto de 2026 1:42 pm

    Agora temos um ministro PESCADOR no STF e outro PORTEIRO no ministério da portaria, digo da “defesa”.
    Dentre outras, temos também a escancarada interferência estrangeira nas eleições bra(Z?)ileiras e a parcialidade escandalosa no TSE.
    Os também escandalosos escândalos do INSS e do banco Master ficam em banho maria morno até que se consolide a propriedade do triplex, digo da influência do Fábio, digo Lulinha, em traficar maconha para os gabinetes do governo do “maior ladrão” da história do braZil.
    Enquando isso um candidato presidencial (!) com claras evidências de corrupção, bandidagem e incompetência e os perpetradores do desvio e roubo de dezenas de BIlhões não são sequer incomodados pelo relator juiz e investigador-chefe (!) ou mesmo pela míRdia que prefere discutir o Little Lula.
    E, gravíssimo e ininteligível, quanto mais podres aparecem, mais parte relevante do eleitorado cego e surdo se mantém fiel.
    O único “progresso” que se pode perceber nesses tempos infames é que todo eles estão perdendo a vergonha.
    Agora é tudo público, às claras.

  10. Marcus

    6 de agosto de 2026 4:53 pm

    Dizem por aí, há bastante tempo, que o poder revela a qualidade dos humanos. Há os que qualificam-se com riqueza material, outros com dignidade, e segue uma lista infinita de escolhas para todos. Assim, observamos até onde é possível, chegar na condição humana.

  11. +almeida

    6 de agosto de 2026 6:39 pm

    Tenho notado que uma sequência de acontecimentos e notícias nos últimos dias, que me parecem interligados e suspeitos.
    Alguns exemplos são: o comportamento defensivo de Flávio Bolsonaro; o seu desvio em respostas de cobrança sobre o filme do pai; as suas contraditórias afirmações sobre suas ligações com Daniel Vorcaro e seus asseclas; sobre a não apresentação das informações prometidas, em relação a contabilidade e o destino dos milhões de reais recebidos de Vorcaro e ainda não esclarecidas; sobre o novelesco ataque e o posterior pedido de desculpas a Michele; sobre o show de horror que patrocinou junto com Javier Milei e o vídeo de Benjamin Netanyahu, no evento da oficialização da candidatura de Flávio a presidência; a recente a escolha do desabonado Alfredo Gaspar, como seu vice-presidente.
    Seguindo as notícias, eu li sobre o possível desconforto que Kássio Nunes e André Mendonça estão causando só STF e ao TSE; sobre os possíveis sintomas de cego, surdo e mudo sobre os feitos nada republicanos de Flávio Bolsonaro; seguindo mais leio comparações de atuações muito similares entre as barbaridades criminais, que foram cometidas por juízes e procuradores, contra Lula, na desavergonhada Operação Lava Jato, e que parecem ressucitadas em barbaridades semelhantes contra o filho do próprio Lula; e agora o noticiado acontecimento, em que um ministro do STF investiga ilegalmente, secretamente e clandestinamente o diretor da Policia Federal.
    A pandemia de escândalos, que envolve a direita e a extrema direita, infesta a política, a polícia, o empresariado e o judiciário brasileiro.
    MAS, me parece que grande parte dessas lamentáveis e repugnantes notícias me parece ser uma grande cortina de fumaça, para esconder uma, talvez, demoníaca, devastadora e sanguinária trama inter-nacional, que pode já estar sendo posta em prática para eliminar de forma medonha e inapelável, a nossa soberania, a nossa democracia, a nossa liberdade e a nossa sociedade.

  12. Cidadao sem cidadania

    6 de agosto de 2026 7:04 pm

    Desde o mensalão não a mais constituição, daí veio a lava jatoe fica tudo claro e cristalino, a tal constituição só existe quando convém , o STF até muda tal constituição para deixar o governo Bolsonaro fatiar a Petrobrás e vender , destruíu o regime trabalhista, e etc não existe mais constituição faz tempo, agora é no tudo contra o inimigo, esse papo de constituição já terminou faz tempo, a tal constituição não existe mais , a insegurança jurídica reina .

  13. HCCoelho

    6 de agosto de 2026 8:45 pm

    Lembrando, se o mendonça não tivesse sido indicado para para ministro do stf e tivesse continuado como ministro da justiça do bolsonaro, possivelmente ele estaria preso por golpe de estado. Escapou de uma boa.
    Talvez isto justifique o que faz.

  14. Cidadao sem cidadania

    6 de agosto de 2026 9:56 pm

    Desde o mensalão não a mais constituição, daí veio a lava jatoe fica tudo claro e cristalino, a tal constituição só existe quando convém , o STF até muda tal constituição para deixar o governo Bolsonaro fatiar a Petrobrás e vender , destruíu o regime trabalhista, e etc não existe mais constituição faz tempo, agora é no tudo contra o inimigo, esse papo de constituição já terminou faz tempo, a tal constituição não existe mais , a insegurança jurídica reina . E lula nada fez para tentar mudar e não fara

  15. fabricio coyote

    7 de agosto de 2026 5:30 am

    o poder mais corrupto da nação é o jidiciário e por reflexo o sistema de justiça. estão aí inúmeros casos de irregularidades que não são casos isolados. qd o sistema de justiça é corrupto foi se a sobersnia.
    soma se a isdo que a gestão arquvística de dados do Estado ser de empresas terceirizadas que usam prompt de empresas estadunidenses para fluxos de documentos no judiciário: windows, etc já perdemos a soberania e veremos isso nas eleições

  16. Jair Costa

    7 de agosto de 2026 7:59 am

    Nenhum delegado da Policia Federal deveria seguir qualquer tipo de ordem desse
    ministro do STF (ou de juízes sobre andamento de inquéritos),
    já que não qualquer vinculo de hierarquia entre juízes e a execucão
    do inquérito policial deve ser evitada. Na verdade há estabelecimentos de principios para a divisão
    de tarefas exatamente para evitar essa intromissão que destroe o principio da parcialidade,
    proibindo-se sobre maneira a figura do juiz investigador.

    Além do que a suspeição da parcialidade do juiz com o caso, que é contra adversários políticos
    já está mais que claro, especialmente da figura do filho do Presidente da República, que é candidato,
    antes mesmo de qualquer argumentação. Já está mais que um vexame ao STF. Mas tratando-se vir de
    bolsonaristas, da família dos bolsonaros, o dado juiz, era mais que esperado essa atuação marginal.

  17. +almeida

    7 de agosto de 2026 4:40 pm

    Eu acredito que ministro André Mendonça conheça muito das leis, dos limites do seu cargo e das fronteiras que também limitam às suas ações e atuações. Então, se assim for, qual seria o seu interesse ao cometer conscientemente o erro tão grave, que por tabela daria em bandeja aos suspeitos e acusados, a chave mágica que anularia não apenas os abusos supostamente propositais contra Lulinha, mas também, como fizeram com a Lava Jato, anularia todo o processo que corre para condenar os(as) malfeitores envolvidos o caso do Banco Master, INSS, Dark Horse, etc
    O Resumo da ópera parece ter sido a debochada inclusão de Lulinha em Foro Privilegiado, para depois, com a chave da anulação em mãos, anular tudo e transformar todos(as) em vítimas da autoridade com noção, fé uma sem noção cometida.

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