4 de junho de 2026

Temer arrasta cassação e entidades não querem fim do sigilo da Odebrecht

 
Jornal GGN – Enquanto advogados de executivos da Odebrecht se somam à tese de alguns procuradores da República da força-tarefa da Lava Jato de se posicionarem contra a abertura do sigilo das delações, ainda que por diferentes bandeiras, o presidente Michel Temer e a cúpula do PMDB tenta diversas estratégias para se blindar dos efeitos da Lava Jato.
 
Como já divulgado pelo GGN, enquanto Temer tenta abafar as informações sobre a Lava Jato, com respostas curtas e desviando de questões da imprensa que tocam no tema, o presidente não tem a mesma sorte de controlar, por enquanto, seu nome longe dos holofotes da Odebrecht. 
 
Ao passo que se avançam as delações e a investigação da cassação do chapa Dilma Rousseff e Michel Temer, que poderá encurtar seu mandato, o presidente recorre a estratégias de defesa para prolongar, o quanto puder, a conclusão do processo. Para isso, a defesa de Temer pretende recorrer a novos pedidos de apuração, diligências, mais testemunhas e recursos.
 
Além disso, sustentará a tese, se comprovados as arrecadações ilícitas e por caixa dois, de que o peemedebista não pediu dinheiro e não participou diretamente de negociações para doações da campanha de 2014, ainda que sendo presidente do PMDB.
 
Mais próximas das provas que poderão ameaçar o mandato de Temer, o relator do processo no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro corregedor Herman Benjamin, fará nesta sexta-feira (10) uma acareação entre o ex-presidente da empreiteira Marcelo Odebrecht, e os ex-funcionários Hilberto Mascarenhas e Cláudio Melo Filho. A audiência com os três busca tentar sanar possíveis divergências apresentadas nos depoimentos.
 
Com o encontro, os próprios aliados do presidente Michel Temer já dão conta de que o ministro Herman Benjamin votará a favor da cassação da chapa, segundo informou o Painel da Folha, desta manhã.
 
Coincidentemente com as grandes probabilidades de vazamento à imprensa dessa audiência, apenas repetindo o que ocorreu após cada uma das sessões de depoimentos do ex-executivos da Odebrecht, por enquanto a parcialidade das informações divulgadas e omissões de outras poderão favorecer Temer.
 
E é nesse contexto que os advogados dos delatores se movimentam para evitar que os vídeos dos depoimentos sejam divulgados aos meios de comunicação – foi o que informou reportagem do Estadão. A justificativa ensaiada é de receio dos defensores de que seus clientes sofram represálias, após ter suas imagens divulgadas. Em cenário mais amplo, no entanto, a posição apenas confirma uma já primeira adotada por procuradores da República.
 
Foi o caso da Associação Nacional de Procuradores da República (ANPR), que manifestou recentemente se contra a “total quebra de sigilo“, acreditando ser prejudicial para investigações e podendo ferir direitos individuais de investigados no processo.
 
“Não existe precedente em nenhum lugar do mundo. A retirada do sigilo é contraproducente, prejudica a investigação, prejudica o investigado e também outras pessoas que eventualmente são mencionadas na investigação”, disse o presidente da ANPR, José Robalinho Cavalcanti.
 
Enquanto Temer arrasta a durabilidade do processo, já considerando a grande possibilidade de sua cassação, advogados e procuradores também estariam se manifestando em apoio ao sigilo de delações premiadas. A revelação da íntegra desses depoimentos deve afetar, ainda mais, a imagem do mandatário.
 
 

Patricia Faermann

Jornalista, pós-graduada em Estudos Internacionais pela Universidade do Chile. Coordenadora de Projetos. Repórter e documentarista de Política, Justiça e América Latina do GGN desde 2013.

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4 Comentários
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  1. Wilson Ramos

    10 de março de 2017 5:53 pm

    tem uma pegadinha aí

    Para Dilma está fácil provar que estas denúncias de pagamento de propina não beneficiaram a campanha presidencial. Para Temer/PMDB esta sáida não vale, pois as provas mostram que o pagamento era para eleger base necessária para fazer Cunha presidente da Câmara e perpetrar a chantagem o impeachment.

    O álibe de Dilma é uma acusação contra os deputados sem moral e seu patrocinador, PMDB e Temer.

  2. veras

    10 de março de 2017 6:13 pm

    O que aconteceu?

    Ontem li em vários lugares que ”  A assessoria do Supremo avisou á imprensa para levar pen drive com 1 Tera para copiar todos os 77 depoimentos dos executivos da empreiteira.”.

    Hoje não vi mais nada. O que aconteceu? Alguém sabe?

  3. Antonio C.

    10 de março de 2017 6:29 pm

    A dedicação…

    … ao PT em relação aos vazamentos (e a interpretação tosca dada) não é merecida igualmente?

    Os envolvidos não são iguais a petistas. É por aí?

  4. Danilo Nunes

    10 de março de 2017 6:32 pm

    Vão morrer afogados
    Vão morrer afogados juntos!
    Impossível desassociar Dilma/Temer em plena campanha. São dedos do mesmo pé!

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