A primeira vez que ouvi falar em pitbulls foi nos anos 80. O Banco do Commercio e Indústria de São Paulo, o Comind, vivia uma disputa societária sangrenta. Para montar sua influência sobre o governo militar, Carlos Eduardo Quartim Barbosa, o Charlô, tinha uma chácara nas imediações de Brasilia. Periodicamente, reunia militares para assistirem a um evento muito prestigiado. Colocava alguns touros no picadeiro e, em seguida, soltava pitbulls que comiam vivos os touros.
Foi uma disputa que entrou nos intestinos do regime militar.
No início, um grupo de acionistas assumiu o controle do banco, juntando-se em torno da holding Stab. Participavam o próprio Charlô, Paulo Egídio Martins, Mário Slecar Jr., entre outros. Quem montou a estrutura solitária foi o comercialista Benedito Patti Jr. Posteriormente, a estrutura foi aprimorada por Fábio Comparato. O ponto em comum é que todos eles eram parentes entre si, descendentes de famílias quatrocentonas.
A certa altura, entrou no jogo Paulo Gavião Gonzaga, que cuidava da parte de seguros e, por casamento, tinha ligações com os quatrocentões. Influenciado por Gavião Gonzaga, Charlô decidiu assumir totalmente o controle do banco.
Ainda governador, Paulo Egydio Martins ajudou nas tratativas, que alijou os demais acionistas, incluindo Antonio Ermírio de Moraes.
Quando deixou o governo, Paulo Egydio dirigiu-se à sede do banco, no centro velho de São Paulo, crente que assumiria no mínimo a presidência do conselho. Chegando lá, foi presenteado com um cavalo de raça e gentilmente dispensado de qualquer participação no banco.
Seguiu-se um período de guerra aberta. Paulo Egydio aliou-se, então, a Antonio Ermírio de Moraes, que bancava a defesa jurídica do grupo. O diretor jurídico da Votorantim era um advogado, também com laços de parentesco com os Quartim Barbosa, que se tornou uma de minhas fontes.
Em determinado momento, Paulo Egydio conseguiu uma gravação de uma conversa na qual Gavião Gonzaga subornava um desembargador. O banco utilizado era da família Scarpa. Quem conseguiu a gravação foi um parente de Paulo Egydio que trabalhava para o Serviço Nacional de Investigações.
Paulo Egydio entregou a gravação, então, para Antônio Ermírio. E deu-lhe a chance de se vingar das inúmeras jogadas anteriores de Paulo Egydio, quando associado a Charlô. De posse da gravação, foi direto a Charlô e ameaçou divulgar, caso não comprasse suas ações por bom preço.
Paulo Egydio ficou a ver navios.
Nos anos seguintes, Charlô esvaziou o banco. Desviou o equivalente a 10 bilhões de dólares na época. O banco acabou sofrendo intervenção do Banco Central, de Fernão Bracher, também parente do grupo, especificamente de Paulo Egydio. Na ação que Charlô abriu contra o Banco Central, fui contemplado com uma menção, como se tivesse influência sobre Bracher.
Agora, Charlô está com 98 anos. Sua mãe, esposa do respeitado banqueiro Teodoro Quartim Barbosa, transformou-o no único herdeiro. Morrendo, os demais parentes terão sua parte no quinhão, nas contas que provavelmente estão na Suíça.
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evandro condé
7 de abril de 2024 10:55 amAs entranhas (ou intestinos?) do poder. Dinheiro estocado na Suiça? Será que não colocaram em investimentos mais rentáveis que banco no Brasil? Talvez Colômbia.
Roberto Caldeira Barioni
20 de novembro de 2025 12:00 pmToda vez que um banqueiro começa a esbanjar dinheiro, como fez Carlos Eduardo Quartim Barbosa até que o banco por ele controlado foi liquidado, é porque o banco vai ser esvaziado de recursos, que nem sequer pertencem ao banqueiro, que se apropria indevidamente daqueles fundos. Esse tal de Charlô, apelido de Carlos Eduardo, foi desonesto e ladrão. Enganou muita gente. Em 1984 eu li no jornal que ele havia comprado um castelo no Estoril, e mais um avião, o quinto avião de sua frota. Também já tinha um apartamento de luxo em Nova Iorque na Quinta Avenida. Abri os olhos de meu pai, que era merceeiro em Perdizes, pois ele tinha a conta da mercearia, com o seu capital de giro (e ele só comprava à vista) no banco Comind da Avenida Alonso Bovero, esquina com a Rua Apinajés. Contei pra ele da notícia e sugeri que transferisse seu capital de giro para outro banco, porque aqueles gastos exagerados não podiam levar a coisa boa. Meu pai, prudentemente, transferiu o seu capital de giro para o Bradesco da Rua Cardoso de Almeida, e no ano seguinte, em 1985, o Comind liquidado. Ou seja, sofreu do BC uma intervenção para fins de liquidação. VEJO AGORA QUE CARLOS EDUARDO QUARTIm BARBOSA DESVIOU 10 BILHÕES DE DÓLARES DAQUELE BANCO. ELE FOI PRESO? NÃO FOI, NÃO FOI SEQUER PROCESSADO, SE ESTIVER VIVO JÁ TERÁ CERCA DE 100 ANOS. MAS O BRASIL NÃO APRENDE, VEJO AGORA ESSE DANIEL Vorcaro, DO BANCO MASTER, QUE DESVIOU BILHÕES DE DINHEIRO CAPTADO ILICITAMENTE, PORQUE com lastro fajuto EM TÍTULOS FALSOS OU DESPROVIDOS DE QUALQUER LIQUIDEZ. Desta vez o banqueiro foi preso. Mas tem tanta autoridade e tanto político com o rabo preso com esse moço que eu duvido que ele complete um mês preso. Enquanto isso, Tarcísio de Freitas, Derrite & Companhia querem esvaziar a Polícia Federal, afim de que a polícia não atrapalhe Seus planos de domínio através sabe-se lá de quais organizações.