O levantamento do IBGE sobre a fome traz algumas surpresas. Não tanto pelos dados gerais. A segurança e insegurança alimentar seguem o que se imagina seja a renda média das regiões.

No detalhamento, surgem as surpresas e o grande problema da Amazônia. A região de maior insegurança alimentar no país é a parte rural do norte, com 47,1% das casas enfrentando o problema, seguida da região rural do Nordeste, com 43,4%.

O quadro fica mais sério no índice de “insegurança alimentar grave”. Norte lidera não apenas na área rural como na urbana.

O paradoxo da pesquisa é que Norte e Nordeste lideram em termos percentuais. Mas em termos quantitativos, o maior número de pessoas com insegurança alimentar está na zona urbana da região Sudeste e na zona urbana do Nordeste.

No caso de insegurança alimentar grave, a região urbana do Nordeste é a primeira colocada seguida da região Urbana do Sudeste, com 934 mil residências nesssa situação.

Em relação ao sexo, as mulheres são mais afetadas: 58,6% das pessoas com insegurança alimentar grave, contra 41,4% dos homens.

O mesmo ocorre com o fator cor.

A população brasileira total tem 43,5% de brancos, 45,3% de pardos e 10,2% de pretos. Segundo estudos do IBGE, de 2021, entre os mais pobres do Brasil (10% mais pobres), 78,5% são pretos ou pardos, enquanto 20,8% são brancos.
Dado instigante são as estatísticas de insegurança alimentar grave de acordo com níveis de alfabetização. 2,9% dos lares com insegurança alimentar grave são de pessoas com nível superior. Enquanto casas com pessoas com ensino médio incompleto representam 6,4% das residências com insegurança alimentar grave, as que têm ensino médio completo representam 21,2%,

Entre os empregados, não há incidência de insegurança alimentar grave, mas há insegurança alimentar em níveis mais brandos. Curiosamente, o maior índice de insuficiência alimentar é entre trabalhadores domésticos, justamente os que deveriam ter acesso à alimentação na casa em que trabalham.

De acordo com a renda, uma óbvia concentração de insegurança alimentar moderada ou grave para quem ganha até meio salário mínimo.

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