5 de junho de 2026

Mercado de capitais chinês deve passar por uma ‘dura’ reforma

Colapso da Evergrande pode levar governo a adotar ‘punições severas e leis mais rigorosas’ para conter atividades ilegais, diz especialista
Wu Xiaoqiu, diretor da Academia Nacional de Pesquisa Financeira da Renmin University of China. Foto: Xinhua/Guo Cheng

A próxima fase da reforma do mercado de capitais na China considera a adoção de “punições severas e leis mais rigorosas” para conter atividades ilegais principalmente após o recente colapso da incorporadora chinesa Evergrande por endividamento.

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Em entrevista ao site China Daily, o economista Wu Xiaoqiu, diretor da Academia Nacional de Pesquisa Financeira da Renmin University of China, destaca que as reformas precisam ser “aprofundadas urgentemente” para prevenir a violação de regras e ajudar no desenvolvimento de um mercado de capitais orientado ao investidor.

“O incidente de Evergrande nos obriga a repensar e melhorar sistematicamente o mecanismo regulatório”, disse Wu, destacando que a atual prática de refinanciamento de títulos no mercado de ações A é um “mecanismo ridículo” que ignora os interesses dos investidores.

Na visão de Wu, a China pode aprender com o atual sistema regulatório vigente nos Estados Unidos, em que incidentes como o ocorrido na Evergrande seriam eliminados pela raiz já que as empresas estão cientes de que as punições levariam a uma “destruição total sem chance de recuperação”.

O economista lembra o caso Enron, considerado um dos maiores escândalos corporativos da história, quando o balanço da empresa foi inflado em cerca de US$ 610 milhões. Em comparação, o caso da Evergrande ultrapassou os 500 bilhões de yuans (cerca de US$ 68,79 bilhões).

A China e o caso Evergrande: o ocidente se equivoca (mais uma vez), por Elias Jabbour

No mês de maio, a Comissão Reguladora de Valores Mobiliários da China aplicou uma multa de 4,17 bilhões de yuans ao Evergrande Real Estate Group por emissões fraudulentas de obrigações e violações de regras relacionadas com a divulgação de informações.

Segundo a comissão, a incorporadora Evergrande inflou sua receita em 214 bilhões de yuans em 2019 e em 350 bilhões de yuans no ano de 2020.

Neste mês ocorre a sessão plenária do 20º Comitê Central do Partido Comunista da China, em Pequim, e a expectativa é que a reforma financeira seja o principal ponto a ser abordado durante a sessão plenária.

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Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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