4 de junho de 2026

Cinema de portas fechadas testemunha repressão de Milei aos aposentados

Congresso manteve veto à lei com aumento de 8,1%  às aposentadorias. Manifestantes foram reprimidos com gás pimenta e balas de borracha.

Cinema de portas fechadas testemunha repressão de Milei aos aposentados

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por Maíra Vasconcelos, especial para Jornal GGN

Às 14 horas, interromperam as sessões dos filmes em cartaz e baixaram as portas de aço. Depois, entraria ali apenas o gás pimenta da operação policial. Com as portas fechadas, do lado de dentro do Cine Gaumont, na Avenida Rivadavia, localizado nos arredores do Congresso, o trabalhador da segurança Leonardo Lorenzo Abal, junto com todos os demais funcionários do cinema, testemunhou e filmou a repressão sofrida pelos manifestantes que protestavam em frente ao parlamento. Na última quarta-feira, 12, a maioria dos deputados do recinto manteve o veto do presidente Javier Milei à lei que previa aumento de 8,1% na aposentadoria. Ao todo, 87 deputados apoiaram a posição do governo. A decisão presidencial foi mantida, pois não atingiu os dois terços necessários para ser rejeitada.

“Foi um momento de muito nervosismo, mas graças ao trabalho da equipe de segurança e de todos os funcionários, não tivemos nenhum incidente dentro do cinema, apenas entrou um pouco de gás” contou Abal, no dia seguinte à aprovação do veto presidencial, quando a reportagem do Jornal GGN voltou ao cinema em busca de imagens e vídeos que os próprios funcionários pudessem ter feito durante os protestos. Participaram das manifestações os movimentos sociais, partidos de esquerda, alguns sindicatos e sociedade civil autoconvocada.

Até a decisão final de ser mantido o veto presidencial sobre os aumentos da aposentadoria, foram vários os dias em que grupos de aposentados foram protestar em frente ao Congresso. Quando também foram reprimidos e entraram em confronto com a polícia. Os preços dos medicamentos mais usados pelos aposentados aumentaram 166%, desde que Milei venceu as eleições em novembro passado, mais de 20 pontos acima da inflação.

“Acho injusto vetar o aumento aos aposentados. Acho que o governo nacional não leva em consideração os mais vulneráveis, eles só olham se o Excel está bom ou não, na hora de analisar o déficit fiscal. No final das contas, nós todos somos a casta e eles estão ajustando é a gente”, disse Abal, que trabalha como segurança no Cine Gaumont, desde abril deste ano. A depender da magnitude da convocatória das manifestações, por medida de segurança e segundo o protocolo, o cinema permanece fechado durante quase toda a jornada.  

A política de repressão do governo Milei foi posta em prática, mais uma vez, em uma operação policial desmedida, comandada pela ministra de Segurança Patricia Bullrich. A Polícia Federal Argentina chegou a jogar spray de pimenta em uma menina de 10 anos. Apesar da evidência das imagens, que circularam em vários meios da imprensa local, a ministra negou o acontecido.

Em pouco mais de seis meses de governo de ultradireita, a repressão policial tem sido regra para conter manifestações, política que também faz parte da batalha cultural encampada pelo novo governo. Reprimir para disciplinar movimentos sociais, sindicatos e uma sociedade caracterizada pela ocupação das ruas como forma de luta pelos direitos sociais.  

Milei defende e mantém a política de  ajuste fiscal, a maior da história do país, em prol do superávit fiscal. O ajuste de 5,4 pontos do Produto Interno Bruto (PIB) nos gastos públicos está representado, principalmente, no corte das pensões, subsídios das tarifas de transporte público e transferência de verba para as províncias.

O Cine Gaumont – Espaço INCAA e a motosserra de Milei

O Cine Gaumont é gerenciado, desde 2003, pelo Instituto Nacional de Cine e Artes Audiovisuais (INCAA), um organismo do Estado. O INCAA é uma das empresas estatais que foi retirada da lista de privatizações da chamada “Lei de Bases”, principal megaprojeto do governo Milei, aprovado em junho deste, após várias modificações e retirada de inúmeros artigos. No entanto, o INCAA não deixou de sofrer com o corte de pessoal. Após a chamada reestruturação, anunciada pelo governo de Javier Milei e divulgada no Boletim Oficial, foram extintas várias áreas de gerência.

Maíra Vasconcelos é jornalista e escritora, de Belo Horizonte, e mora em Buenos Aires. Escreve sobre política e economia, principalmente sobre a Argentina, no Jornal GGN, desde 2014. Cobriu algumas eleições presidenciais na América Latina (Paraguai, Chile, Venezuela, Uruguai). Escreve crônicas para o GGN, desde 2014. Tem publicado um livro de poemas, “Um quarto que fala” (Urutau, 2018) e também a plaquete, “O livro dos outros – poemas dedicados à leitura” (Oficios Terrestres, 2021).

Maira Vasconcelos

Maíra Mateus de Vasconcelos – jornalista, de Belo Horizonte, mora há anos em Buenos Aires. Publica matérias e artigos sobre política argentina no Jornal GGN, cobriu algumas eleições presidenciais na América Latina. Também escreve crônicas para o GGN. Tem uma plaqueta e dois livros de poesia publicados, sendo o último “Algumas ideias para filmes de terror” (editora 7Letras, 2022).

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2 Comentários
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  1. Juarez A.Todeschini

    16 de setembro de 2024 5:15 pm

    Maira Vasconcelos deve ir a Colombia. Esta ali sendo gestado um golpe de estado via Judiciário, totalmente subordinado a oligarquía, composto em sua maioria pot representantes de clanes. Petro só tem um terco dos votos e não consegue aprovar as reformas básicas. O Judiciário é corrupto é coptado pelo uribismo.A imprensa total é propriedade dos 5 banqueiros mais ricos é corruptos do país e atacam o presidente diariamente é omitiendo os puntos positivos do governo. Até pesquisas falsas. Producidas pelos mesmos meios servem para denegrit o presidente.Esta semana será julgado pelo CNE em Bogotá, ilegalmente se será enviado ao Conselho de Acusacoes da cámara, composto por maioria uribista, para destituicao do presidente, por violacao dos topes de campanha. Em outra frente, estão tentando asaassinar a Petro, como ele mesmo denunciou em rede nacional. Os autores seriamente ex miembros do exército e políticos do centro democrático partido de Uribe. Fortes da inteligencia norteamericana onformaram que o atentado se daría em 20 de agosto, em frente a casa de Narino. Se tem informação da arma é do autor do crime. Os financiadores vivem em Dubai. Petro já foi vítima de atentado em Cucuta, onde lhe dispararam num carro blindado. A vice Francia Marques foi vítima de atentado a dinamita em 2022 em visita a seus familiares em Norte del Vale del Cauca. A nova fiscalia está investigando a compra do emissora de Virus Pegasus, que consegue extraer toda a actividades de um celular, mesmo desligado comprado pelo governo Duque em Israel por 13 milhões de dólares é que espionou toda a campanha de Petro em 2022 é está desaparecido.
    A imprensa não divulga nada destes crimes é suas investigacoes.
    Sáliente-se também que as agencias de notícias emite archivos, noticias é columnas sempre com tom favoravel a oligarquía.

  2. Chagasmsouza

    16 de setembro de 2024 5:24 pm

    A DIREITA SEMPRE DEDTRUTIVA.
    NA ARGENTINA, NO HRASIL, NA FRANÇA. POR ONDE FOR É SÓ PRA DESTRUIR TUDO.

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