Otávio Mesquita como CEO de São Paulo e o meu coração que se aquieta
por Bruno Mateus
Ah, São Paulo, nossa aspirante à Nova York, esse sonho tupiniquim ainda não consumado. Ah, São Paulo, nossa megalópole – como eu já escrevi em antigas linhas – que tranca toda sua caretice e sua cafonice nas gavetas dos prédios do centro financeiro. Cidade que se orgulha de nunca dormir, companheira fiel da noite, daqui posso ouvir seu silêncio sorridente diante da chacina, como escreveram aqueles baianos tropicalistas. O que será de ti, Sampa Mon Amour, cidade do dinheiro que jorra e ergue prédios a cada esquina, se Marçal, esse que não vale uma cenoura, se tornar prefeito?
É verdade que não há nada mais São Paulo que ter um coach sentado no Edifício Matarazzo, mas será preciso mergulhar tão fundo no esgoto para realizar o fetiche de ter um jovem vestindo ridículas calças pega-frango e tênis caros – sapatênis ou mocassim vinho de veludo – sem meias, desnecessárias para um pé branco e cheiroso, devidamente tratado à base de loções anti transpirantes eficazes e hidratantes? Sofro por ti, São Paulo.
João Doria, sujeito que já exerceu estranha obsessão sobre mim, teve sua chance como CEO de São Paulo, mas ficou pouco tempo e, um ano e quatro meses após tomar posse, se licenciou para concorrer à governador. E venceu. Mas João Doria já passou, tá sumido e pelo que sei nem organiza mais aqueles concursos de cães de madame em Campos do Jordão, a Suíça brasileira, onde não há gente pobre pedindo dinheiro para comer e o primeiro mundo está mais pertinho. “Vai pra Suíça!”, brincam, às gargalhadas, os abastados paulistanos.
O que será de ti, São Paulo, se Marçal se tornar prefeito? Aqui escrevo porque seu futuro me preocupa e me tira o tranquilo sono. Por isso, há anos confabulo secretamente, como se pregasse aos peixes, e questiono meus botões se aquele homem grisalho, de rosto afogueado quando sorri – ele sorri muito – e humor contagiante não seria a solução para São Paulo. Diante do que estamos vendo em debates pitorescos, me encorajo e afirmo, enfim, que tenho a solução para a cidade sem horizonte, que marcha intransigentemente em busca do sucesso como as pessoas correm em escadas rolantes, acotovelando estranhos sem pedir desculpas.
Otávio Mesquita. Sim, e repito: Otávio Mesquita.
Ao escrever este nome, após anos de um silêncio que me torturou o peito, sinto alívio. Meu coração se aquieta, sinto bucólica paz e respiro mais desafogado. Não sei bem quando tive essa iluminação, mas não é de hoje que Otávio Mesquita se revelou para mim como o homem certo para conduzir São Paulo ao esplendor. Virtudes não lhe faltam, transbordam.
O homem que São Paulo merece como CEO já se aventurou no automobilismo, uma de suas paixões e esporte que lhe deu o amigo Felipe Massa. Essa experiência no currículo me faz ter mais certeza de que ele nasceu para comandar a nossa Nova York. Quando acelera no asfalto febril de Interlagos, Otávio vê a pista como metáfora da vida, jornada humana repleta de superações, disputas e autoconhecimento. Chegará chegar o dia em que Otávio, convocado por sua consciência, não poderá mais adiar o maior desafio de sua vida.
Arrojado e inovador, bem-humorado e honesto, vovô-jovem e de bem com a vida, esse é Otávio Mesquita, mas pode chamá-lo também de Rei da Madrugada, horário em que você pode vê-lo no comando do programa de TV “Operação Mesquita”, entretendo o trabalhador não consegue dormir devido à má fortuna e ao fim do mês.
Otávio é o único que possui a habilidade de usar termos do universo corporativo como pipeline, turnover, budget, overview, mood e mindset, tão caros à São Paulo, como o “uai” e o “arreda” são aqui para a minha Minas Gerais, sem soar arrogante como esses diretores de multinacionais que se encontram no clube às terças-feiras à tarde para jogar tênis, planejar os próximos investimentos e ridicularizar o próprio casamento.
Por falar em investimento, Otávio Mesquita comprou, no ano passado, um barco de luxo avaliado em R$ 1,5 milhão. Quando o trabalho na prefeitura se tornar estafante, ele poderá sair por aí para esfriar a cabeça, fumar um charuto e pensar em soluções para os problemas da cidade. Quando olho para Otávio, com seu sorriso resplandecente e o físico de dar inveja aos garotos da Faria Lima, vejo genuína disposição em fazer o povo feliz.
Otávio Mesquita também é mais um incansável soldado no combate às fake news, essa peste que assola nossa democracia e nos torna tão contraditoriamente humanos. Em julho, ele ganhou uma ação contra um site de fofocas que publicou – veja você até onde vai esse tipo de jornalismo – que ele havia feito um procedimento para aumentar o pênis.
Eu poderia escrever mais alguns parágrafos e rechear esta crônica para te convencer de que Otávio Mesquita é a solução para os problemas de São Paulo, o CEO de que a cidade top of mind do Brasil precisa. No entanto, estou cansado e não quero me alongar. Já são quase duas da manhã de quarta-feira de uma recém-chegada primavera. Sinto cheiro de chuvisco. Há de florescer esperança entre o cinza do concreto.
Bruno Mateus é jornalista de Belo Horizonte, pai da Amora e interessado pelo extraordinário das coisas comuns.
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