Peço licença aos ingratos/Aos gratos peço perdão, 1
por Romério Rômulo
Tamanho dinheiro cru
avó Joaquina deixou.
Nos seus pastos ruminaram
um gado seco e parido
éguas duras, escorreitas
9 mil, pra ser exato
Mananciais de água e linho
urinóis, tantos quilates
um casarão de matérias
pra reviver os tormentos
Que tanta gente rugiu
que tanta gente gritou
de moer naquelas praças
sumidas em sangue grosso
Tumultuada missão
que me cabe: relatar
as riquezas mais refeitas
as cruzadas mais cruéis
Dura missão que me cabe:
descer no choro das gentes
atar-lhes tantas sangrias
e mostrar o que não sei
Peço licença aos ingratos
aos gratos peço perdão
que na busca do meu sono
fui seguido por avós.
(segue)
Romério Rômulo (poeta prosador) nasceu em Felixlândia, Minas Gerais, e mora em Ouro Preto, onde é professor de Economia Política da UFOP e um dos fundadores do Instituto Cultural Carlos Scliar – Rio de Janeiro RJ.
Teresa Cristina
5 de abril de 2025 8:18 amDas nossa feridas coletivas expostas…deixa-las sangrar até que esvaziem e nos curem a todos! Lírica dor!
“Mananciais de água e linho
urinóis, tantos quilates
um casarão de matérias
pra reviver os tormentos
Que tanta gente rugiu
que tanta gente gritou
de moer naquelas praças
sumidas em sangue grosso
Tumultuada missão
que me cabe: relatar
as riquezas mais refeitas
as cruzadas mais cruéis
Dura missão que me cabe:
descer no choro das gentes
atar-lhes tantas sangrias
e mostrar o que não sei…