22 de junho de 2026

Peço licença aos ingratos/Aos gratos peço perdão, 1, por Romério Rômulo

Tumultuada missão / que me cabe: relatar / as riquezas mais refeitas / as cruzadas mais cruéis
Di Cavalcanti

Peço licença aos ingratos/Aos gratos peço perdão, 1

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por Romério Rômulo

Tamanho dinheiro cru
avó Joaquina deixou.

Nos seus pastos ruminaram
um gado seco e parido
éguas duras, escorreitas
9 mil, pra ser exato

Mananciais de água e linho
urinóis, tantos quilates
um casarão de matérias
pra reviver os tormentos

Que tanta gente rugiu
que tanta gente gritou
de moer naquelas praças
sumidas em sangue grosso

Tumultuada missão
que me cabe: relatar
as riquezas mais refeitas
as cruzadas mais cruéis

Dura missão que me cabe:
descer no choro das gentes
atar-lhes tantas sangrias
e mostrar o que não sei

Peço licença aos ingratos
aos gratos peço perdão
que na busca do meu sono
fui seguido por avós.
(segue)

Romério Rômulo (poeta prosador) nasceu em Felixlândia, Minas Gerais, e mora em Ouro Preto, onde é professor de Economia Política da UFOP e um dos fundadores do Instituto Cultural Carlos Scliar – Rio de Janeiro RJ.

Romério Rômulo

Romério Rômulo (poeta prosador) nasceu em Felixlândia, Minas Gerais, e mora em Ouro Preto, onde é professor de Economia Política da UFOP e um dos fundadores do Instituto Cultural Carlos Scliar – Rio de Janeiro RJ.

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  1. Teresa Cristina

    5 de abril de 2025 8:18 am

    Das nossa feridas coletivas expostas…deixa-las sangrar até que esvaziem e nos curem a todos! Lírica dor!
    “Mananciais de água e linho
    urinóis, tantos quilates
    um casarão de matérias
    pra reviver os tormentos
    Que tanta gente rugiu
    que tanta gente gritou
    de moer naquelas praças
    sumidas em sangue grosso
    Tumultuada missão
    que me cabe: relatar
    as riquezas mais refeitas
    as cruzadas mais cruéis
    Dura missão que me cabe:
    descer no choro das gentes
    atar-lhes tantas sangrias
    e mostrar o que não sei…

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