6 de junho de 2026

Câmara sob pressão: Lira articula avanço bolsonarista e deixa Motta isolado

Ex-presidente da Câmara articula acordo com bolsonaristas e Centrão para enfraquecer o Judiciário e colocar anistia a golpistas em pauta
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Foto: Mário Agra/ Câmara dos Deputados

O ex-presidente da Câmara, deputado Arthur Lira (PP-AL), voltou silenciosamente ao centro do tabuleiro político, nesta quarta-feira (6). Após mais de 30 horas de obstrução por parte de deputados bolsonaristas, que ocuparam a Mesa Diretora da Câmara em protesto contra a prisão domiciliar de Jair Bolsonaro (PL), líderes da oposição recorreram a Lira, e não ao atual presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), para negociar um acordo e destravar o funcionamento do plenário.

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Nos bastidores, ao menos cinco líderes partidários se reuniram com Lira para fechar os termos do pacto. A atuação do ex-comandante da Casa resultou em um acordo que contempla as principais demandas da ala bolsonarista, incluindo a possibilidade de pautar o projeto de anistia aos envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro, o que pode beneficiar diretamente o ex-presidente. Outros pontos do acordo incluem:

  • a votação da PEC das Prerrogativas, que restringe prisões em flagrante de parlamentares;
  • a limitação de medidas judiciais contra deputados e senadores sem autorização da Câmara;
  • e a alteração nas regras do foro privilegiado, com objetivo de retirar do Supremo Tribunal Federal (STF) o julgamento de autoridades após o término do mandato.

Enquanto Lira articulava com o Centrão, Motta resistia em se comprometer diretamente com as pautas da oposição. Só reassumiu a presidência da Casa após horas de impasse, declarando que seguiria a vontade da maioria dos líderes, mas sem indicar qualquer data para as votações. A base governista, por sua vez, repudiou o acordo.

Nós construímos o compromisso com essas lideranças [o Centrão] de, na próxima semana, abrir os trabalhos da Casa pautando a mudança do foro privilegiado para tirar a chantagem que deputados e senadores vêm sofrendo por parte de alguns ministros do STF. Junto com o fim do foro, nós pautaremos a anistia dos presos políticos”, declarou o deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), líder do Partido Liberal, após o encerramento da sessão.

Apesar do entusiasmo da oposição, a assessoria da Mesa Diretora evitou confirmar qualquer pauta para os próximos dias. A única previsão oficial era de início dos trabalhos ao meio-dia desta quinta-feira (7), sem definição sobre votações.

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Ana Gabriela Sales

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Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

5 Comentários
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  1. Olecramotnopatoj

    7 de agosto de 2025 3:03 pm

    Se o Supremo não fez nada mesmo diante de provas contra um senador SÍMBOLO DA INTERFERÊNCIA EXTERNA NO JUDICIÁRIO fica difícil de se obter algum tipo de respeito,lembrando q este Congresso é o mais bandido de todos os tempos e tá DOMINANDO TUDO inclusive o q mais importa,a grana,com ctz estão se sentindo REIS MEDIEVAIS acima de tudo e de todos !!!

  2. beto amorim

    7 de agosto de 2025 5:50 pm

    chega a ser doloroso como brasileiro, ler uma materia como essa.Perdemos a institucionalidade. UM ministro de estado da importancia do minsitro Alexandre de Morais que corajosamente tem enfrentado o fascismo, corre o risco de ser punido por um grupo de parlamentares sem qualquer sentimento de brasilidade. Vê se na materia que o unico interesse é a defesa de interesses particulares e liberdade para nao serem punidos apos a pratica de crimes. Estamos caminhando para o fundo do poço.

  3. Rui Ribeiro

    7 de agosto de 2025 10:31 pm

    Porque esse rato nao encabeça um movimento em benefício do povo brasileiro? Porque os movimento desses pulhas é sempre para prejudicar a população?

  4. Rui Ribeiro

    8 de agosto de 2025 8:07 am

    “Exigência de aval do Congresso para ações contra parlamentares caiu em 2001; entenda
    Proposta apoiada por aliados de Bolsonaro estabelece que Congresso deve autorizar abertura de ações penais contra parlamentares. Veja como é a regra hoje e como ficaria”.

    Se isso vingar, os criminosos da política terão carta branca para praticar crimes impunemente.
    Isso não é um país, é um ajuntamento. Valei-me, meu Santo Affonso de Sant’Anna!

    Enquanto a Nação não reage, esses Ratos Despudorados avançam ousadamente.

  5. Marcus

    9 de agosto de 2025 6:47 am

    Lira é o Temer de Motta. Vejam a que ponto chegamos… agora é a briga dentro da caverna de Ali-baba. Quem está atrás de anistia, está por ter cometido crime. Por quê perdoar? Primeiro julgue. Depois se for o caso,anistie. A baderna é para passar a boiada. Os golpistas só existem para isso: golpe, golpe,golpe.

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