
A Argentina vive hoje um dos momentos mais dramáticos de sua história econômica recente. Sob o governo de Javier Milei, o país não apenas enfrenta uma sucessão de escândalos políticos, mas também mergulha em uma espiral de desmonte econômico que ameaça suas bases produtivas, sociais e institucionais.
No primeiro trimestre de 2025, os números falam por si: mais de 100 mil empregos perdidos nos setores de manufatura e construção civil, desemprego em alta, empresas em retirada e uma moeda sobrevalorizada que sufoca a indústria nacional. A promessa de uma “libertação econômica” se converteu em um experimento radical de ortodoxia fiscal e monetária, cujos efeitos colaterais são cada vez mais visíveis.
A fuga de multinacionais — como Procter & Gamble, Mercedes-Benz, Telefónica, HSBC e ExxonMobil — revela um ambiente de negócios marcado por incerteza jurídica, instabilidade regulatória e custos operacionais crescentes. O país, historicamente dependente do capital estrangeiro, vê agora esse capital bater em retirada, deixando um rastro de desemprego e desindustrialização.
O governo aposta no RIGI, um programa de incentivos a grandes investimentos, oferecendo benefícios fiscais e cambiais por 30 anos. Mas a atratividade de tais medidas esbarra na realidade: reservas líquidas negativas, escassez de insumos, queda nas receitas do agronegócio e uma valorização artificial do peso que favorece importações e penaliza a produção local.
A flexibilização cambial, saudada pelo FMI, não trouxe o capital externo prometido. Pelo contrário, acelerou a fuga de divisas e aumentou o risco-país, que permanece acima de 700 pontos — um patamar alarmante para qualquer economia emergente. O crédito em pesos perdeu atratividade, e os títulos indexados ao dólar dispararam para taxas de 11% ao ano, inviabilizando o financiamento de empresas, especialmente as de médio porte.
O resultado é uma onda de inadimplência corporativa sem precedentes desde a pandemia. Setores estratégicos como agricultura, energia e manufatura enfrentam dificuldades, e o mercado local sofre com baixa liquidez e alto risco de refinanciamento.
A Argentina de Milei parece caminhar para um colapso anunciado. A fé cega na ortodoxia econômica, sem considerar os impactos sociais e produtivos, está desmontando o que resta de uma economia que, no fim do século XIX, era vista como a mais promissora da América Latina. Hoje, o país se vê refém de um modelo que privilegia o mercado financeiro em detrimento da produção, do emprego e da soberania econômica.
A pergunta que fica é: até quando a Argentina suportará esse experimento?
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Lênin and The Ulianovs
2 de setembro de 2025 7:47 amEntre? Tem alternativa ao dogma da “ortodoxia-nazi-liberal” econômica senão o desastre?
Onde deu certo?
Ou melhor dizendo, antes que alguém recite algum mantra fiscal, onde a vida do povo melhorou?
Antônio
2 de setembro de 2025 9:19 amVocês são muito babacas. Isenção é um termo que vocês nunca entenderão.
Lênin and The Ulianovs
3 de setembro de 2025 7:03 amOu será babaca quem acredita em isenção?
Vá saber?
GalileoGalilei
2 de setembro de 2025 11:29 amOutra pergunta: Até quando presidenciáveis aqui persistirão apontando para Milei como o exemplo a ser seguido?
Silvio Torres
2 de setembro de 2025 5:30 pmNassif, estou acompanhando a economia Argentina há uns três meses, estimulado pelos elogios dos “jornalistas econômicos” da imprensa brasileira. Até pra mim, que,estou longe de ser um especialista, nao foi difícil perceber o quanto era efêmero o milagre do presidente impostor. O badalado sucesso da tal reforma maluca se resumiu a um empréstimo político do FMI, que foi logo consumido pelas classes mais altas, sem nenhum retorno para o país e a população. Pode parecer loucura ou exagero, mas é verdade. A propalada invasão de argentinos no sul do Brasil, turistando e investindo, eram os espertalhões privilegiados de sempre, metendo a mão nos dólares que deveriam dar um alívio na desesperadora situação das divisas portenhas. Torrado o dinheiro que deveria ser salvador, a farra acabou e a realidade catastrófica que você aponta chegou. A esperança dos malucos no poder se baseia unicamente no apoio irrestrito do maluco lá de Washington. Eles imaginaram que, com discursos e atos à lá bolsonaro, os bilhões de dólares continuariam sendo despejados a fundo perdido nos pampas. A experiência dos oito anos da tragédia FHC me fez entender totalmente o filme encenado pelos canastrões de millei. Que Deus tenha piedade de los hermanos.