No voto do mérito do julgamento da chamada trama golpista, nesta terça-feira (9), o ministro Alexandre de Moraes destacou que a preparação dos atos golpistas começou em 2021. Uma das evidências centrais são as anotações encontradas com o então ministro do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República (GSI), Augusto Heleno, e o então chefe da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Alexandre Ramagem.

“Não é razoável um ministro do GSI ter uma agenda com anotações golpistas, preparando execução de atos para deslegitimar as eleições, deslegitimar o poder judiciário e se perpetuar no poder. Não entendo como alguém pode achar normal, em uma democracia, nem pleno século 21, uma agenda golpista”, disse Moraes, relator do caso no Supremo.
O ministro apontou que documentos de Ramagem estavam alinhados com as anotações de Heleno, indicando uma “unidade de desígnios” entre os dois. Entre os arquivos, um se destacava pelo título “presidente TSE [Tribunal Superior Eleitoral]”, contendo tópicos que acusavam o sistema de votação eletrônico de fraudes, argumentos que depois foram reproduzidos em uma live de Bolsonaro em julho de 2021.
“O réu [Ramagem] confirmou a titularidade do documento, salientando, porém, que as anotações eram só para ele, particulares, uma espécie de diário, meu querido diário“, relatou Moraes.
Moraes enfatizou a contradição: se as anotações eram realmente para uso pessoal, não faria sentido que estivessem escritas em terceira pessoa, direcionadas ao presidente, e depois utilizadas em atos públicos.
“Não é razoável que todas as mensagens fossem escritas direcionadas ao então presidente, na terceira pessoa, depois essas informações utilizadas na live, e a alegação do réu Alexandre Ramagem de que era só para ele deixar guardadas suas ideias“, pontou.
Além disso, o relator destacou uma mensagem de Ramagem para Bolsonaro, na qual já se delineava a estratégia para se manter no poder e desconsiderar o controle judicial previsto na Constituição.
“Isso não é uma mensagem de um delinquente do PCC para outro. Isso é uma mensagem do diretor da Abin para o PR. A organização criminosa já iniciava os atos executórios para se manter no poder independente de qualquer coisa e para afastar o controle judicial previsto constitucionalmente. E ainda com ofensas à lisura e integridade de ministros do Supremo“, declarou Moraes.
Linha do tempo: provas em sequência
Moraes apresenta as provas em 13 etapas, detalhando cada ato executório da organização criminosa. As anotações de Heleno e Ramagem são apenas o começo de uma série de documentos, mensagens e provas que conectam os réus à liderança de Bolsonaro na tentativa de golpe, reforçando a narrativa de planejamento sistemático contra a democracia.
Acompanhe a sessão, ao vivo, pela TV GGN:

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