10 de junho de 2026

Os filhos do próximo século, por Felipe Bueno

Escrevo essas linhas à luz da série Mussolini: O Filho do Século, dirigida por Joe Wright e baseada no livro de Antonio Scurati
Divulgação

▸Série “Mussolini: O Filho do Século” lançada em 2025, destaca a trajetória complexa do líder fascista italiano Benito Mussolini.

▸Estética contemporânea e desempenho espetacular do ator principal são destaques da série, recomendada para quem busca compreender a história.

▸Reflexão sobre o século XXI e os desafios da democracia são levantados, questionando se já teremos o “filho do século XXI” em 2025.

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Os filhos do próximo século

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por Felipe Bueno

Era uma vez um pobre homem sentindo-se excluído, cheio de certezas sobre como “consertar” esse mundo depravado e perdido. A ele foi dada a oportunidade de transformar seus ideais e suas ideologias em ação. A História traz exemplos de todos os tamanhos e consequências.

Um desses pobres homens foi Benito Mussolini, que escalou todos os degraus possíveis, de humilde trabalhador braçal a Duce, passando por fases de rebelde anti-establishment, intelectual incompreendido, jornalista de oposição a qualquer governo e parlamentar antidemocrático.

Escrevo essas linhas à luz da série Mussolini: O Filho do Século, dirigida por Joe Wright e baseada no livro de Antonio Scurati, lançada neste 2025 e que acabo de assistir.

Há nela uma sutileza estética: quem não leu o livro ou não conhece a realidade histórica pode se perder com o estilo talvez excessivamente contemporâneo, que permite, por exemplo, uma trilha sonora escrita por Tom Rowlands, que nada tem a ver com o que se ouvia na primeira metade do século XX. Por outro lado, as referências estéticas a ícones artísticos do passado são abundantes, como o expressionismo alemão ou a quebra da quarta parede usada por Laurence Olivier em Ricardo III (com quem Benito, aliás, tem diversas semelhanças de caráter e modus operandi).

Tal contemporaneidade estética, somada a um certo comportamento histriônico, quase caricato do personagem Benito e de seu séquito fascista, pode levar desavisados a achar que o Duce era um ser humano bronco e ignorante que passou boa parte da Segunda Guerra Mundial lambendo as botas de Adolf Hitler. A realidade é mais complexa. Tal erro de simplificação custou caro nos anos 1920 e custará ainda mais caro hoje: se parte de seus seguidores era composta de fato por vândalos sem o menor grau de civilização, ao longo de sua trajetória, Benito, homem letrado e estrategista, arregimentou o apoio de porções supostamente civilizadas da sociedade italiana – e mundial.

Guardadas essas ressalvas, a série é recomendadíssima e o desempenho do ator principal, o romano Luca Marinelli, é espetacular. Para quem quiser se aprofundar sobre o tema, o livro, muito mais convencional que a série, vale a leitura.

Estamos em 2025. Parafraseando o título da obra de Scurati, a essa altura já teremos o filho do século XXI?

Felipe Bueno é jornalista desde 1995 com experiência em rádio, TV, jornal, agência de notícias, digital e podcast. Tem graduação em Jornalismo e História, com especializações em Política Contemporânea, Ética na Administração Pública, Introdução ao Orçamento Público, LAI, Marketing Digital, Relações Internacionais e História da Arte.

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para [email protected]. O artigo será publicado se atender aos critérios do Jornal GGN.

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O Observatório de Geopolítica do GGN tem como propósito analisar, de uma perspectiva crítica, a conjuntura internacional e os principais movimentos do Sistemas Mundial Moderno. Partimos do entendimento que o Sistema Internacional passa por profundas transformações estruturais, de caráter secular. E à partir desta compreensão se direcionam nossas contribuições no campo das Relações Internacionais, da Economia Política Internacional e da Geopolítica.

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